domingo, 29 de abril de 2018

Loteamentos sugam recursos que deveriam ser destinados ao desenvolvimento

Flávio Azevedo
Um dos debates sempre presentes em nosso “Conexão Flávio Azevedo”, com o amigo Nadelson Nogueira Jr., é a questão da ocupação desordenada e irresponsável do território municipal nos últimos 40 anos. É muito nítido que essa ocupação aconteceu com a mesma volúpia destruidora e inconsciente praticada pelos colonizadores do território brasileiro quando aqui chegaram há 500 anos. E não adianta os atingidos direta e indiretamente nessa reflexão fazerem biquinho e beicinho, porque essa é a realidade.

Os problemas enfrentados, hoje, pelos moradores de localidades como Jacuba, Green Valley, Cajueiros, Parque Andréa, Bosque Clube, entre outros; são similares e tem igual nascedouro. Alguém investiu algum dinheiro, conseguiu com a venda de terra ganhar uma boa grana; e o investimento na estrutura, que deveria oferecer dignidade aos moradores do futuro bairro, foi deixado por conta da Prefeitura. Diante desse cenário, os políticos não podem ser inocentados, porque não exerceram, por razões eleitoreiras e/ou picaretas, o poder de fiscalização e embargo dos seus cargos.

O crescimento foi ótimo, necessário, mas no mínimo irresponsável, porque não veio acompanhado de desenvolvimento. Crescimento é expansão territorial, predial e o aumento do número de pessoas. Desenvolvimento é a forma como vivem essas pessoas dentro do território. Existe acesso a Saúde, Educação, Segurança, Lazer, Emprego etc.? A verdade é que a nomenclatura “loteamento” foi usada apenas para mascarar a real intenção de criar um bairro, mas sem precisar fazer os investimentos estruturais necessários. A máxima é: “deixa que no futuro a Prefeitura da conta disso!”.

Mas por que o desenvolvimento não chega? Simples! O recurso financeiro que deveria ser destinado ao desenvolvimento é todo destinado a repara os impactos da sanha capitalista materializada em crescimento desordenado. O dinheiro que deveria ser investido em escola técnica, cursos de qualificação, que poderia financiar pesquisas, estimular o Turismo, a Cultura, o Esporte; e a atrair empresas; seja verba própria ou de convênio é todo destinado à infraestrutura. Ou seja, corrigir as deformidades deixadas pela iniciativa privada que expandiu o território sem olhar o futuro.

Reconheço que não adianta chorar pelo leite derramado por políticos e investidores irresponsáveis. Mas para impedir que ações similares aconteçam outra vez, é imperioso olhar para trás, enxergar os desastres, reconhecer os erros e planejar o futuro! Resta saber se o nosso cultural cinismo permitirá esse reconhecimento. Essa foi uma das abordagens do Programa Flávio Azevedo dessa sexta-feira (27/04) e nesse vídeo eu trato do assunto. 

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