Flávio Azevedo
Newton Simpson era um
adolescente desses que deixam os pais de cabelos em pé. Travessuras, aventuras
e desventuras eram coisas constantes na sua vida. Os pais revezavam em
conselhos... Os avós, os tios, primos, vizinhos, até o reverendo da igreja que
frequentavam... Todos se preocupavam com a forma com que Newton curtia a vida. Ele
morava em Cleveland, no condado de Cuyahoga, no estado de Ohio, no EUA. Como
todo jovem, ele esbanjava energia, rebeldia e o velho desejo de liberdade.
Em Cleveland, o maior medo dos pais, sobretudo, no inverno, era
do Lago Erie, tradicional ponto de encontro dos jovens apaixonados por patinação
no gelo. Newton era fissurado por patinação. O inverno chegou, mas a geleira sobre
o lago ainda não estava espessa o suficiente para suportar o peso e as
acrobacias dos patinadores. Sendo assim, os pais se desdobravam em conselhos e
avisos aos filhos.
Depois da primeira nevasca, o frio intenso já durava cerca de
20 dias. Não contendo a impaciência, Newton traçou um plano. Iria patinar no
Lago Erie, mas apenas nas suas margens, onde o gelo, geralmente, era mais firme.
Ele decidiu que não chegaria ao meio do lago, porque por lá a profundidade era maior,
o que fazia o gelo daquele trecho demorar a se solidificar.
Num momento de desatenção dos pais, Newton pegou os patins e
partiu para o lago, que parecia adormecido pela geleira. Calçou o equipamento,
equilibrou-se às margens do lago e deu um sorriso de alegria. Seus pais estavam
errados, ele poderia patinar. Deslizou alguns metros e quando se preparava para
a primeira pirueta ele ouviu um som aterrador sob os seus pés. O gelo estava se
partindo e em segundos ele afundou nas águas geladas.
Para sorte de Newton, naquele momento passava por ali o
carteiro Ranny McAlister, um homem muito querido de todos em Cleveland. Casado,
pai de dois filhos, ao ver aquela cena o carteiro não pensou duas vezes antes
de se jogar na cratera gelada para salvar Newton, que foi agarrado pelo casado
e lançado em direção a margem. Enquanto o patinador se arrastou até a margem do
lago, o carteiro Ranny, em decorrência do choque térmico, afundou desacordado nas
gélidas águas do Lago Erie.
Newton contraiu uma pneumonia muito forte. Os dois pulmões
ficaram tomados de secreção. Somente depois de três semanas ele conseguiu se
levantar da cama e caminhar pelo quarto. Após o almoço, já recuperado, mas
ainda com o corpo muito dolorido, o pai de Newton pediu que ele se arrumasse
porque iriam sair. O adolescente se preparou, entrou no carro do seu pai e, juntos,
rumaram para o outro lado da cidade.
Ao longo do caminho, pai e filho não trocaram uma palavra. Newton
contemplava a paisagem branca do inverno. Há cerca de um mês ele não via aquele
cenário. Até que chegaram ao destino. O pai estacionou o carro próximo a uma
casa humilde, onde pessoas entravam e saiam. Ao chegar à varanda da casa e
olhar para a sala, Newton viu um caixão. Ao lado dele, uma jovem senhora,
abraçada a duas crianças chorava copiosamente.
Impelido pelo pai, Newton se aproximou do esquife e viu uma
figura deformada, porém, familiar. Era o carteiro Ranny, aquele que salvou Newton,
mas desacordado, afundou nas águas geladas. O frio era tão intenso que o
carteiro só foi encontrado três semanas depois. Atônito e visivelmente incomodado
com aquele cenário, Newton sentiu o seu pai aproximar o rosto do seu e sussurrar
no seu ouvido: “FOI POR VOCÊ!”.
Amigo leitor que está emocionado com essa história, nós
conhecemos alguém que também morreu inocente e sem merecer. Jesus! Por conta da
desobediência de Adão e Eva, Ele veio a esse mundo, sofreu e morreu no lugar da
humanidade. São Paulo escreveu no capítulo 2, versos 5 a 8, de Filipenses:
“De sorte que haja em
vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em
forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se
a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à
morte, e morte de cruz”.
Como Newton, nós,
embora desobedientes, fomos salvos. Jesus, como Ranny, deu a vida por alguém
que merecia sofrer as conseqüências de sua escolha. Que possamos refletir os
significados desse sacrifício... Que Deus nos abençoe... Que o Espírito Santo
nos incomode a pedir sempre o perdão por nossos pecados... E que o sangue de
Jesus nos purifique de todo mal!
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