terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Em entrevista a Revista Veja, baixinho Romário detona congressistas brasileiros: "Eles não querem saber de nada!".

O deputado federal Romário discursando na tribuna do parlamento nacional.
Eleito com 147.000 votos pelo Rio de Janeiro, Romário, 46 anos (à época da entre vista), chegou à Câmara dos Deputados em Brasília, no ano passado, com o afiado instinto de artilheiro que fez dele um dos maiores craques do futebol brasileiro em todos os tempos. Romário, porém, logo descobriu que seria difícil jogar naquele campo. "Aquilo ali é o palco que uma panelinha de políticos usa para dar show na TV", diz o deputado de primeira viagem do PSB, que, descrente da política partidária, concentrou sua ação parlamentar na defesa da causa dos deficientes brasileiros. São de sua autoria duas iniciativas que melhoram a renda e dão mais garantias a eles. Desde que Ivy, sua sexta filha, fruto do terceiro casamento, nasceu com a síndrome de Down, há sete anos, Romário se entregou a ela e à luta para tornar melhor a vida das pessoas portadoras de necessidades especiais. Disse Romário a VEJA: "Essa menina mudou minha vida".

Revista Veja: Como é sua vida como deputado em Brasília?
Romário: Evito frequentar os mesmos lugares que os políticos. Na verdade, fujo deles. Não é por nada, não, mas, com exceção de um ou outro, prefiro esbarrar com essa turma só mesmo nos corredores do Congresso.

Veja: Não são boas companhias?
Romário: Fiz amizade com um pessoal, mas, vou lhe dizer uma coisa, ali só uma minoria de gente vale a pena conhecer. De mais de 500 deputados, uns 400 não querem saber de nada. Nada mesmo. Dão as caras, colocam a digital para marcar presença e se mandam. Vejo isso o tempo todo. Virou cena tão comum que ninguém demonstra um pingo de constrangimento em fazer o teatro. Muita gente ali ocupa cargo de líder, é tratada como autoridade, mas está no quarto, quinto mandato e nunca propôs nem uma emendazinha. Como pode? Passam anos no bem-bom do poder sem cumprir uma vírgula do que prometeram. Mas, quando vão à tribuna, os caras falam bonito que só vendo.

Veja: Qual é o estilo Romário na tribuna?
Romário: Até hoje, consegui falar duas vezes porque fui sorteado. Tirando o sorteio, só dá para iniciantes como eu terem acesso à tribuna nos horários em que o plenário está às moscas. É a panelinha que manda. Os donos do microfone são os líderes e os deputados com mais tempo de casa. Eu mantenho o estilo Romário, sem muita firula nem enrolação. Às vezes, me embaralho com o nome das coisas. É muita sigla e título para decorar: "Vossa excelência" para cá, "líder" para lá. Se tenho dúvida, pergunto para alguém do meu lado ou procuro a resposta na internet. Até aí, tiro de letra. Mas a tribuna ainda é um lugar muito estranho para mim.

Veja: Estranho por quê?
Romário: O debate não segue uma linha lógica de raciocínio porque a maior preocupação ali é dar show para a televisão. Outro dia, um deputado começou a falar de salário mínimo. Aí, um outro chegou e ficou discursando sobre a ponte que tombou na cidade dele. Ou seja, a conversa não chegou a lugar nenhum. Uma loucura. Quando pisei lá pela primeira vez, aquilo me deprimiu. Queria fugir. Pensava o tempo todo: "Cara, me meti numa roubada". Mas fui me acostumando e, mesmo com essas esquisitices, estou gostando. No Brasil, falou que é político, as portas se abrem na mesma hora.

Veja: Aconteceu com você?
Romário: Mesmo sendo o Romário, antes eu ligava cinco, dez vezes para o Ministério do Esporte, em busca de parceria para alguns projetos, e ninguém me retornava. Agora, é completamente diferente. Às vezes, leva um pouco de tempo, mas as pessoas me recebem, me ouvem. O poder atrai. Para aprovar minhas propostas, falei com ministro, líder da oposição, todo mundo.

Veja: Recebeu tratamento de deputado ou de celebridade do futebol?
Romário: No começo, não teve jeito. Entrei para o grupo das "celebridadezinhas" do Congresso. Fazer o quê? Mas acho que já me distanciei bastante daquele grupo. Tem cara famoso ali só esquentando cadeira. Nunca dá o ar da graça no plenário nem faz nada de útil. Até daria nome aos bois, e olha que não são poucos, mas, sabe como é, daqui a pouco preciso do apoio de um e outro e acabo pagando caro pela língua.

Veja: Você foi bem recebido pelo alto clero, os caciques da Câmara dos Deputados?
Romário: Me dou mais com os novatos e com o pessoal da pelada (entre eles, o ex-boxeador Popó, do PRB-BA, e o ex-goleiro do Grêmio Danrlei, do PSD-RS). Agora, vamos combinar que essa coisa de alto e baixo clero não tem valor nenhum. De fora, todo mundo acha que lá no alto está a nata da nata, mas isso é balela. O que mais tem no andar de cima é gente que não se coça para nada, quando não sai por aí se metendo em pilantragem.

Veja: Pelo que você viu até agora, dá para fazer carreira na política?
Romário: Talvez. Fizeram, no ano passado, uma pesquisa de intenção de voto para a prefeitura do Rio e eu apareci com 6% logo de saída. Fiquei animado, mas o meu partido decidiu apoiar o Eduardo Paes (PMDB) e eu desisti de concorrer desta vez. Posso também seguir carreira de comentarista de futebol. É uma das profissões mais fáceis do mundo. O que mais tem por aí é palpiteiro que não entende nada do negócio se dando bem. Gente que, quando teve a chance de botar toda essa sabedoria em prática, no campo, só deu vexame.

Veja: O que acha da atual seleção brasileira?
Romário: Sempre gostei do trabalho do Mano Menezes, o atual técnico da seleção, mas se o time ficar nesse nível aí, jogando essa bolinha, talvez seja hora de pensar em mudar de treinador. Está duro ficar na frente da televisão vendo jogo do Brasil. Ser técnico de futebol é bem mais complicado do que ser comentarista. Eu treinei o Vasco por dois jogos e saí com a certeza de que não levo jeito para a coisa. É muito ego de jogador para administrar. Sinceramente, se aparecesse um Romário na minha frente, não conseguiria aturar o cara.

Veja: Por quê?
Romário: Eu era muito chato. Para começar, me achava o máximo. Passava dos limites e não estava nem aí. Se era o melhor, queria os meus privilégios. Cada um que conquistasse os seus. Mulheres na concentração era o básico. Com 18 anos, virei milionário e fiquei completamente deslumbrado. Era um favelado e, de repente, podia escolher carro, casa, roupa de marca. Tinha a mulher que eu quisesse. Por isso, entendo o comportamento de um jogador como o Neymar. Ele sou eu uns vinte anos atrás. É um tipo diferente do Adriano, por exemplo.

Veja: Em que o Neymar e o Adriano são diferentes?
Romário: O Adriano gosta de voltar para as raízes. Prefere viver na comunidade a morar no Leblon. Aliás, comunidade não. É favela mesmo. E ali, claro, tem mais risco de se envolver com problemas. Eu às vezes visito a favela onde nasci, o Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro, mas prefiro viver na Barra da Tijuca, com a rede de futevôlei a dez passos do meu apartamento e do lado do shopping onde compro meus ternos Armani.

Veja: Por que deixou de pagar a pensão de uma de suas ex-mulheres?
Romário: Por uma questão matemática. Para mim, dez dividido por dois é cinco. Para a Mônica, é oito. Vai fazer o quê? Toda semana tenho de comparecer a alguma audiência porque ela me colocou na Justiça. Já virou rotina. Esse foi meu primeiro casamento. Eu tinha 20 e poucos anos. Pode ter gente que não bota fé nisso, mas mudei muito com o nascimento da minha filha caçula, a Ivy.

A entrevista mostra que "o gênio da grande área" está se tornando gênio também na política.
Veja: Qual foi sua reação quando soube que ela nasceu com síndrome de Down?
Romário: Fiquei em choque nas primeiras horas depois do parto. A Isabella (mãe da menina) tinha feito dois exames no pré-natal. O primeiro indicava que o bebê tinha um risco razoável de nascer com Down. O segundo praticamente descartou a hipótese. Então, não estava preparado para aquilo. Quando o médico me avisou, eu me perguntava: "Por que isso foi acontecer logo comigo? O que eu fiz de errado?". Já tinha cinco filhos, todos eram normais. Eu mesmo quis dar a notícia à Isabella. Disse: "Nossa menininha nasceu diferente". Ela sorriu, emocionada, e respondeu: "Calma, vai ficar tudo bem". A reação dela me deu muita força.

Veja: Em algum momento você pensou em esconder a situação?
Romário: Nunca. O médico ainda não tinha nem diagnosticado qual era a síndrome de Ivy quando deixei o hospital e fui treinar. Naquele tempo eu jogava no Vasco. Convoquei a imprensa e contei: "Minha filha nasceu. Ela não é perfeita, mas estou muito feliz". Desde o começo, tive o instinto de deixar tudo bem transparente. Se o próprio pai age com preconceito, escondendo a criança, ela vai ter pouca chance de ter uma vida legal. Sei de muitos pais que rejeitam o filho com Down, a ponto de não saírem de casa com ele. Pagam uma babá e deixam a criança de lado, como se não fosse sua. Depois que comecei a me envolver nesse mundo, descobri umas celebridades que têm filhos assim e jamais trouxeram o assunto à tona. Não dou os nomes por respeito, mas acho uma pouca-vergonha.

Veja: É angustiante perceber limitações em sua filha?
Romário: As expectativas precisam se ajustar, claro. A Ivy tem o tipo mais brando de Down, a síndrome de mosaico, e se vira muito bem. Os primeiros quatro anos de vida foram os mais difíceis. Ela fez fisioterapia intensiva, porque tinha a musculatura mais fraca. Ainda vai à fonoaudióloga e à natação. Fiz e faço tudo o que posso pela Ivy. Hoje com 7 anos, conta até 100 em português, até 20 em inglês, identifica as cores e até as marcas de carro. Na escola, está só um ano atrasada.

Veja: O que sabia sobre a síndrome de Down antes de ela nascer?
Romário: Nada. Quando o problema não é com você, ele não o sensibiliza. Depois que ela nasceu, comecei a conversar com outras famílias e a ler tudo sobre o assunto. Ainda bem que tive minha filha numa fase menos baladeira. Crianças assim precisam de muito carinho.

Veja: Ela sofre preconceito?
Romário: Na minha frente, ninguém nunca teve coragem de manifestar. Mas as pessoas no Brasil ainda olham diferente para os deficientes. Felizmente, o assunto está aos poucos deixando de ser tabu. É uma de minhas bandeiras no Congresso e em casa. A Ivy é a primeira a falar sobre sua síndrome. Outro dia, a gente estava andando na rua quando cruzamos com uma menina que também tinha Down. Minha filha comentou na mesma hora: "Papai, olha, essa garota é igual à Ivy?". Perguntei como sabia disso, e ela apontou para o próprio rosto, orgulhosa, dizendo: "Porque ela é assim".

Veja: O que muda na CBF com a renúncia do presidente Ricardo Teixeira?
Romário: Nada. Basta dizer que o novo presidente, o José Maria Marin, surrupiou uma medalha dos meninos do Corinthians na caradura. Botou no bolso e levou para casa. Não tenho nenhuma ilusão. Trocamos um ruim por outro pior. Que diferença faz? Eu nunca escondi minha aversão à figura do Ricardo Teixeira e não é agora que vou dar uma de elegante.

Veja: Por que você brigou com Ricardo Teixeira?
Romário: É uma história antiga. Um dia, antes da Copa do Mundo de 2002, ele apertou minha mão bem firme, olhou nos meus olhos e disse, com aquela pose de mandachuva: "Romário, você está dentro do time". Ainda perguntei se o Felipão (o então Técnico da seleção Luiz Felipe Scolari) não ia se opor. Era direito dele não querer me escalar. Teixeira respondeu: "Eu mando nisto aqui. Pode fazer as malas". Três dias depois, meu nome estava fora da lista de convocados. Nunca mais me dirigi ao Ricardo Teixeira. O cara não tem palavra.

Veja: O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, exagerou nas críticas que fez à organização da Copa no Brasil?
Romário: Ele foi arrogante e mal-educado, o que não me surpreende, mas está certo no que diz. Nosso atraso é absurdo mesmo. A Copa até vai sair do papel, mas vão erguer uns puxadinhos aqui, fazer umas maquiagens ali. Tudo mais caro do que deveria por causa da pressa. Muita gente se beneficiará disso. Pode escrever. Vai chover obra emergencial sem licitação e a corrupção vai correr solta. Como deputado, pretendo acompanhar o processo de perto e escancarar a bandalha.

Por Renata Betti/Veja

Rio Bonito volta a sediar competições de motociclismo em 2013


Flávio Azevedo

Motores e competidores nervosos e aquecidos para a temporada 2013 de motociclismo.
A informação é do diretor de provas Alberto Sauerbronn: “depois de oito anos os eventos esportivos envolvendo motociclismo retornam a “Cidade Risonha”. Se o local e o roteiro para as competições ainda estão sendo analisados, a data já foi confirmada pela Federação Fluminense de Motociclismo (FFM): “Rio Bonito recebe a 6ª etapa do Estadual, no dia 7 de julho”.
– Esperamos promover uma competição de alto nível, certamente nós iremos contar com os melhores competidores do estado e o nosso objetivo é firmar, de uma vez por todas, o nome de Rio Bonito no cenário do motociclismo do estado e do país. Nós temos uma natureza favorável, uma galera que curte bastante o esporte e as nossas expectativas são as melhores possíveis – destacou Sauerbronn.

Sempre ao lado do também diretor de provas, José Pestana (Lobão), Sauerbronn informa ainda, que a cidade receberá cerca 250 pilotos. Eles disputarão 15 categorias que são distribuídas em três modalidades (Enduro de Regularidade, Cross Country e Fast Enduro). A dupla, Sauerbronn/Lobão, informa que, além dos pilotos, Rio Bonito receberá uma legião de fãs do esporte, “portanto, é bom se preparar porque será um fim de semana agitado”, destaca.

Calendário 2013

03/02 – Bananal (Copa de Estreantes);
24/02 – Magé (Copa de Estreantes);
10/03 – Ipiabas (Campeonato Estadual – 1ª etapa);
21/04 – Cantagalo (Campeonato Estadual – 2ª etapa);
19/05 – Campos (Campeonato Estadual – 3ª etapa);
02/06 – Bananal (Campeonato Estadual – 4ª etapa);
23/06 – Macaé (Campeonato Estadual – 5ª etapa);
07/07 – Rio Bonito (Campeonato Estadual – 6ª etapa);
25/08 – Rio das Flores (Campeonato Estadual – 7ª etapa);
29/09 – Tres Rios (Campeonato Brasileiro/ Campeonato Estadual – 8ª etapa);
13/10 – Quatis (Campeonato Estadual – 9ª etapa);
24/11 – Paty do Alferes (Campeonato Estadual – 10ª etapa).

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Escola Criar forma primeira turma de Ensino Médio


Flávio Azevedo

A formatura foi marcada por um misto de triunfo e despedida.  
Uma das unidades escolares mais respeitadas do cenário educacional de Rio Bonito e Região, a Escola Criar, ao completar 22 anos de existência mostra que está em franco crescimento. A prova disso é a formatura da primeira turma de Ensino Médio da unidade, evento que ocorreu no Esporte Clube Fluminense, numa solenidade que contou com a participação dos formandos, familiares, professores, direção da escola e colaboradores. Empolgados com o leque de escolhas e experiências que surgem diante deles, a formatura foi marcada por um misto de triunfo e despedida.  

Além de acompanhar a solenidade, a nossa reportagem entrevistou a professora Melissa Cardozo, escolhida pelos formandos para a função de paraninfa da turma. Ela começou afirmando que “num país onde o professor é tão desvalorizado pelo governo, ser valorizado pelos alunos compensa as frustrações acumuladas ao longo da carreira. Foi uma realização para mim. A Educação é libertadora e na Escola Criar nós trabalhamos com os alunos como se eles fossem os nossos próprios filhos. Isso é maravilhoso e as experiências positivas são muitas”.

Não são poucas as correntes que defendem a ideia de que a desvalorização dos professores é uma artimanha que objetiva emperrar a Educação e fazer o aluno desistir da escola. A ideia é impedi-lo de se enxergar como um ser social. Formada em História, a professora Melissa Cardozo concorda e acrescenta que “o visível caos da Educação brasileira tem como propósito inibir a formação de cidadãos pensantes”.
– A prova disso é que nós brasileiros esquecemos tudo com muita facilidade. Algo nos incomoda, mas aquilo logo cai no esquecimento. Entretanto, nós estamos aí exercendo o nosso papel e, precisamos, nós professores, dar o nosso melhor. Saímos da faculdade sempre com a impressão que iremos transformar o mundo, o que geralmente não ocorre. Todavia, não podemos esquecer que nós (professores) somos agentes transformadores – frisou.

A professora Melissa Cardozo durante a formatura.
Acompanhando o pensamento do sociólogo francês, Émile Durkheim, pensador que defende a tese de que uma Educação Primária (familiar) ruim reflete diretamente no aproveitamento da Educação Secundária, a professora aponta a família como base de tudo.
– As pessoas hoje mudaram muito, os modelos de família variam e nós precisamos entender esse contexto e a função de cada um. A escola tem um papel, a família tem outro. Internamente essa família também tem papéis. A mãe exerce um papel, o pai outro, os irmãos também tem as suas funções e isso precisa ser debatido amplamente – pondera a professora.

Cooperação entre escola e família com o objetivo de dar melhorar formação aos alunos é o modelo educacional defendido pela Escola Criar e endossado pela professora. Ela acrescenta que os alunos devem ser olhados pelo professor com sensibilidade, a situação individual de cada indivíduo deve ser analisada, “e não adianta esperar que isso venha de cima (autoridades), porque quem está em sala de aula é o professor, portanto, está em nossas mãos fazer a diferença”.
– Precisamos ajudar os nossos alunos a aprender para a vida e não apenas para fazer prova. O meu sonho é que um dia nós tenhamos no Ensino Fundamental II e no Ensino Médio, a mesma proximidade que percebemos na Educação Infantil, segmento em que escola, professor e família são mais alinhados e se amam mais – concluiu.

O que é "bom jornalismo"?

Flavio Azevedo


A desnecessária inconveniência dos profissionais de imprensa consegue irritar até os profissionais da área.

Sob a ótica do “bom jornalismo”, eles estão apurando a notícia! Há quem diga que se você não for inconveniente, alguém poderá acusá-lo de não estar sendo profissional! Defendo a tese de que diante de cenários como esse, o jornalista precisa se colocar do outro lado do balcão. Certamente ele perceberá que não é tão fácil bancar o “cão farejador”! Eu, por exemplo, não concordo com a lógica do "não é meu parente que se arrebente!". A informação precisa ser data, mas um pouco de bom senso nunca é ruim!

Seguindo a linha de João do Rio, o primeiro jornalista da história do Brasil, para se apurar informações de fatos dessa natureza, basta sentar no bar da esquina, observar as expressões, o clima, o corre-corre, os comentários e depois contar ou descrever o que você viu e ouviu. Aliás, jornalismo nada mais é do que contar a historia do ocorrido. Mais que isso é firula!

Porém, se você tem que chegar, obrigatoriamente, antes da "mídia concorrente", aí se perdeu todo sentido da palavra jornalismo. Virou briga por audiência, o que nada tem haver com jornalismo!

Instituto Elena Guerra encerra 2012 celebrando conquistas e projetando vitórias para 2013


Flávio Azevedo

A criançada se divertiu a cada coreografia e apresentação.
Com o objetivo de estimular a aproximação e interatividade entre as famílias e encerrar as atividades do ano letivo de 2012, o Instituto Educacional Elena Guerra (antigo Educandário São José) recebeu no último dia 22 de dezembro, no Ginásio Antonio Figueiredo, no Rio Bonito Atlético Clube, alunos, familiares, colaboradores e amigos da instituição, a única de Rio Bonito com orientação religiosa e gerenciada pela comunidade católica.

Em entrevista a nossa reportagem, o padre Eduardo Braga, pároco da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, afirmou que o diferencial da unidade é educar com olhar na família e pensando o ser humano como um todo e não somente na sua parte intelectual.
– A ideia é oferecer uma educação onde também se conjuga a espiritualidade. Diante das muitas escolas que temos em Rio Bonito, essa é apenas uma pequena sementinha que nós estamos cultivando. A escola fisicamente é pequena, mas a filosofia e o ideal são grandes. O nosso propósito é educar no espírito para a formação de novos homens. Trabalhamos o amor das crianças através da partilha, na vivência da caridade, as virtudes que elas vão aprendendo (zelo, castidade, obediência), a importância da oração e as experiências são maravilhosas – frisou o pároco, acrescentando que a unidade escolar é reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), portanto, qualificada para receber os alunos.

Crianças fazendo oração antes de dormir, antes das refeições, testemunhos de pais que percebem mudanças positivas no comportamento doméstico dos filhos, são apenas alguns dos frutos que o padre Eduardo enumera como vitórias do Instituto Elena Guerra e das famílias que tem os seus filhos matriculados na unidade, atualmente com 70 alunos e 16 funcionários. Outra preocupação do instituto, segundo o pároco é com os “contravalores” e o perigo que eles representam, sobretudo, para as novas gerações.
– Os contravalores já começam com uma ideia errada de educação, por exemplo, a falta de limites. Que horas as crianças dormem? O que as crianças dizem para os pais? O que alguns pais exigem da escola? Por que alguns pais jogam as crianças na Escola Dominical ou na Catequese? Por que alguns pais jogam as crianças no Fluminense ou no Rio Bonito Atlético Clube, no curso de inglês e no balé? Por que alguns pais pedem que a escola faça Colônia de Férias em janeiro e fevereiro? – questiona.

Ao lado do padre Eduardo Braga, a equipe do Instituto Elena Guerra comemora mais uma ano de vitórias.
Para o padre Eduardo Braga, isso acontece porque os pais geralmente não querem semear nem cuidar da semente. “Enquanto a família, a escola e a igreja não estiverem caminhando na mesma direção, os contravalores vão dominar e eles já chegaram a um estágio que nós não estamos suportando. Tudo hoje é descartável, genérico, ofertas tentadoras, mas vazias de conteúdo”, frisou o pároco, destacando que “se cada um de nós fizer a sua parte a vitória será alcançada e Deus irá nos abençoar”, encerrou.       

domingo, 27 de janeiro de 2013

Incêndio em boate gaúcha nos deixa com a certeza de que o Brasil é um país de mentirinha


Flávio Azevedo

Mais um festival de mortes e irresponsabilidades em nosso país.
O Brasil acordou nesse domingo (27/01) sob o horror de mais uma tragédia, em que as vítimas são pessoas bem jovens (a maior parte com idade entre 16 e 20 anos). Em Santa Maria/RS, um incêndio numa boate, até agora tem o saldo de 233 mortos e 92 feridos. Diante de mais uma história de perdas, outra vez o quesito IRRESPONSABILIDADE aparece como ator principal dessa trama de horror. Nessas horas, perguntas, que logicamente nunca serão respondidas, começam a ser pensadas, mas nunca debatidas, porque não interessa resolver os problemas apontados.

1 – A banda “Gurizada Fandangueira”, que se apresentava na boate no momento  que o incêndio começou, trabalhava com pirotecnia durante os seus shows (o que teria provocado o incêndio). Eles tinham formação técnica para isso?
2 – Por que as portas ficaram fechadas tanto tempo? Para ninguém sair sem pagar? Será que a casa conseguirá receber os ingressos dos 233 mortos?
3 – Segundo os Bombeiros, o Alvará de funcionamento estava vencido desde agosto, então como a casa estava funcionando?
4 – Antes de qualquer evento desse porte, não tem uma vistoria dos Bombeiros? O tal examinador quem é? Ele não viu o Alvará vencido?
5 – Todo especialista que aparece na TV fala em “cuidado preventivo”, mas por que isso não é levado a sério em lugar nenhum do Brasil?

Cara de pau

O interior da boate ficou totalmente destruído. Segundo os Bombeiros, 25 corpos estavam carbonizados.
O ex-presidente Lula divulgou nota manifestando solidariedade pelo ocorrido. “O Brasil inteiro está triste e de luto pelas mortes ocorridas no incêndio em Santa Maria. Nesse momento difícil, expressamos nossa solidariedade aos amigos e familiares das vítimas e à toda a população da cidade, mas em especial aos pais e mães por essas perdas irreparáveis. Nossos sentimentos", diz a nota.

Infelizmente, essa turma só fica de luto diante de desgraças como essa. As perdas e desastres que ocorrem diariamente em todo território nacional não sensibiliza ninguém, principalmente esses caras de pau que comandam e/ou comandaram o Brasil. Histórias como essas só ocorrem porque quem deveria estar atento fingiu que não viu, foi subornado ou recebeu um telefonema de alguém importante com a seguinte ordem: “libera a situação aí porque esse negócio é de um amigo nosso”.

O ex-presidente Lula e os políticos brasileiros deveriam estar de luto por conta das bandalheiras que já se tornaram corriqueiras em nosso país. Um comportamento perverso que contribui para transformar uma nação promissora como o Brasil numa verdadeira república de bananas.

Incompetência e irresponsabilidade

Moacyr Duarte
A prova das afirmações, para o meu entendimento “firmes”; para outros, “muito fortes”, que estamos fazendo, se baseia na entrevista do especialista em gerenciamento de risco, Moacyr Duarte. À Globo News, ele disse que faltou cuidado preventivo. Ele também ressaltou que na busca por responsabilidades a lista não será pequena.
– Era uma questão de ter visto antes as características do local para dizer se seria possível fazer aquela pirotecnia no ambiente. A visita de um técnico na boate evitaria a tragédia. É preciso ter uma brigada interna, gente treinada e preparada para orientar a evacuação. O plano de evacuação é uma medida extrema, aquele remédio que ninguém quer tomar, então já que ela é o último recurso, espera-se que seja eficiente – afirmou.

Ainda de acordo com Moacyr, sustentar um estabelecimento sem condições de segurança é um problema ético. “Não é razoável que um cidadão, dono de um empreendimento, uma casa de festas para duas mil pessoas, não tenha atentado para a questão da segurança. O Brasil é um país onde leis não são cumpridas e a cadeia de responsabilidade vai se estender do dono da boate ao governador do Rio Grande do Sul”, afirma Moacyr.

Empréstimos consignados prejudicam vida financeira dos servidores municipais de Rio Bonito


Flávio Azevedo

O advogado Luiz Antonio Melo afirma que os bancos e instituições financeiras tem que acionar a Prefeitura, não o servidor municipal.
Como se não bastasse o salário minguado, a desvalorização profissional, a falta de um Plano de Cargos, Carreira e Remuneração e a constante apreensão com o futuro do instituto de previdência da categoria (Iprevirb), o servidor municipal de Rio Bonito se vê as voltas com outro problema: os empréstimos consignados. Não são poucos os servidores que sofreram constrangimentos ao descobrir, só no momento de uma compra, que o seu nome estava na lista dos serviços de proteção ao crédito (SPC e Serasa).

A causa do transtorno é simples, porém, absurda: o valor é descontado no pagamento do servidor, mas não é repassado às instituições bancárias. É o caso de uma servidora que, por medo represálias, pede para não ser identificada.
– Você não imagina como é desagradável passar por uma experiência dessas! Cheguei a determinado estabelecimento e precisei fazer um crediário. Depois de escolher o que eu iria comprar, como de praxe, a atendente consultou o sistema que dedura os caloteiros e voltou toda sem graça porque o meu nome estava entre os maus pagadores. Ela disse que eu deveria ir ao banco procurar saber o que estava acontecendo. Eu insisti que deveria haver alguma coisa errada, porque eu não devia nada a ninguém, as minhas contas estavam em dia, mas diante do que o sistema revelou, ela realmente não podia fazer nada por mim – desabafa a servidora.

Constrangida e extremamente incomodada com o que aconteceu, a servidora saiu da loja direto para o banco. Na agência ela foi informada que ela não estava pagando o empréstimo que havia feito há alguns meses para ser descontado no pagamento.
– Eu fui pega de surpresa, porque como o empréstimo estava sendo descontado regularmente no meu contra cheque, eu nem me preocupava. Fui a Prefeitura, questionei e não obtive uma resposta satisfatória. Isso aconteceu no início de 2012 e até agora eu não consegui solucionar essa questão. Sendo assim, eu fui obrigada a colocar o caso na Justiça e ainda corro risco de ser perseguida. Esse é motivo pelo qual eu não quero me identificar, porque, em Rio bonito, quem corre atrás dos seus direitos não é bem visto. A preferência é por quem tomam prejuízo calado – dispara a servidora.

“Os bancos não podem fazer isso”

Diante de inúmeras histórias como essa, a nossa reportagem consultou o advogado Luis Antonio Melo Vieira, que, inclusive, tem algumas causas contra algumas agências bancárias, “exatamente porque elas colocaram os meus clientes, indevidamente, na lista de maus pagadores”.
– As instituições bancárias, logicamente, devem buscar os seus direitos. Eles têm razão em buscar o dinheiro que emprestaram, mas não podem colocar o nome do servidor nas listas de proteção ao crédito, porque ele não tem nada com isso. Quem deve ser acionado pelos bancos é a Prefeitura, não o servidor, que acaba passando por sérios constrangimentos. Isso dá “dano moral”. Se o contracheque mostra que os valores referentes ao empréstimo foram debitados, a pessoa pagou. Se a Prefeitura não repassou o dinheiro, o problema não é do servidor – frisou o advogado, comentando que as indenizações giram em torno de R$ 5 mil.

Preocupação do novo governo

Durante a entrevista coletiva oferecida pela prefeita Solange Almeida (PMDB), no último dia 3 de janeiro, a nossa reportagem abordou essa questão com a nova comandante do poder Executivo. A prefeita disse ter conhecimento do fato e comentou ser uma situação preocupante, “por conta dos prejuízos que isso pode trazer ao município e aos servidores”. Ela também destacou que tem conversado com as instituições financeiras na tentativa de solucionar o problema, inclusive, pedindo que o nome dos servidores não seja encaminhado as instituições de proteção ao crédito, “porque o problema é da Prefeitura e não do servidor”.

O calote dado pela Prefeitura nas instituições financeiras, segundo a prefeita, ocorreu nos meses de outubro e novembro de 2012, mas a queixa dos servidores já é antiga, vide a servidora que conta a sua historia nessa reportagem.

O empréstimo consignado

É aquele cujo pagamento das parcelas é descontado diretamente em folha de pagamento de quem contrata. Isso significa que os riscos de inadimplência para os bancos ou instituições financeiras é zero (a Prefeitura de Rio Bonito, porém, desmente essa estatística). Este tipo de empréstimo é considerado um dos mais vantajosos, porque ele proporciona crédito com rapidez, a aprovação é rápida, o prazo de pagamento pode ser de até 60 meses, não há consulta ao SPC e Serasa, a burocracia é menor e dispensa a necessidade de um avalista.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Senhor me cura...


Flávio Azevedo

“Não importa a distância Ele consegue nos alcançar”.

Com o coração dilacerado por perdas e decepções, não há como perceber as verdades que existe na letra de uma música do cantor Leonardo Gonçalves. O nome da canção é “Volta” e começa dizendo algo que se parece muito com a minha trajetória. “Desde quando eu era criança ouvi falar de um Deus, que abriu o mar vermelho, lutava pelos seus, contra feras e gigantes, reinos e nações... Mas o tempo foi passando e eu não quis ouvir, preferi seguir meus rumos, tentei de Deus fugir... Eu senti a sua presença convidando-me a voltar”.

Apesar da mágoa e da indiferença que dominam o meu coração, o trecho da melodia que diz “Senhor, quero me entregar, nos teus caminhos quero andar, e segurar a tua mão, e receber o teu perdão... E vou cantar que não há distância que te possa afastar”, tem falado muito comigo. Continuando o meu exame de consciência, eu devo destacar que a letra dessa canção não fala só comigo, mas com todos, sobretudo nesse trecho: “E pra quem estiver cansado, sofrer de solidão, pra tua vida fracassada meu Deus é solução, pois deixou as suas ovelhas para vir te procurar...”.

Sinceramente, eu espero em breve declamar a poesia do Salmo 30, que inicia falando de vitória: “Exaltar-te-ei, ó Senhor, porque tu me exaltaste; e não fizeste com que meus inimigos se alegrassem sobre mim. Senhor meu Deus, clamei a ti, e tu me saraste...”. Chega então o trecho que eu mais gosto – inclusive, eu recomendo para uma reflexão –, onde o salmista escreve: “O CHORO PODE DURAR UMA NOITE, MAS A ALEGRIA VEM PELA MANHÔ (verso 5). O salmo também trás um pedido especial que é meu também: “Ouve, Senhor, e tem piedade de mim, Senhor; sê o meu auxílio”.

Á verdade é que eu espero em breve proclamar os últimos versos desse salmo: “Tornaste o meu pranto em folguedo; desataste o meu pano de saco (tristeza), e me cingiste de alegria, para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre”. Eu não sei se o amigo leitor entendeu o texto – ele não é tão explicativo e direto como as minhas escritas –, mas de uma coisa eu tenho certeza: Deus entende os nossos problemas, conhece as nossas aflições e como diz as duas últimas frases da canção de Leonardo Gonçalves, “não importa a distância Ele vai me alcançar”.

Origens históricas do bairro Basílio em Rio Bonito/RJ


Dawson Nascimento

A centenária Capela de Santana, no Basílio é um dos monumentos históricos de Rio Bonito.
O povoado de Basílio, localizado ao oeste de Rio dos Índios, tem suas origens no século XVIII. Suas terras faziam parte do antigo engenho de açúcar de Santana, edificado entre os anos de 1768 a 1770, cujas terras, banhadas pelos rios Bonito, dos Índios e Tanguá, as tornam fertilíssimas. O seu construtor foi proprietário português, Capitão Mór Francisco Marinho Machado, natural da Freguesia de Santa Maria da Torre de Vilar, do arcebispado de Braga.

Segundo o relatório redigido nesse mesmo ano pelo mestre de campo Miguel Antunes Ferreira e enviado ao Marques do Lavradio, a fazenda de Santana era uma das mais importantes da florescente freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Rio Bonito, cuja produção agrícola, em 1778, se destacava das demais propriedades.

Em 1778, o Engenho de Santana produzia 25 caixas de açúcar e 20 pipas de aguardente. Tinha um contingente de 38 escravos empregados nos serviços gerais do engenho. Cada um exercia uma função: o mestre de açúcar, o caldeireiro, o aguardenteiro, o banqueiro, além das demais atividades que exerciam na lavoura canavieira. Havia ainda o curraleiro, que cuidava do curral e dos animais, o timbaleiro, o carreeiro, o pedreiro, o carpinteiro carapina, o ferreiro, entre outros.

Origens da capela de Santana do Basílio

Desde 1770 já existia um oratório particular dedicado a Santana, santa da devoção do Capitão Mór Francisco Marinho Machado e sua esposa, Dona Maria Angélica do Desterro. É notória a importância desse engenho. Ao constatar a presença de um capelão particular percebe-se o grande poder econômico que esse senhor de engenho possuía.

De acordo com as nossas pesquisas, 14 anos depois, a fazenda prosperou de tal maneira que o Capitão Mór deu início, no campo da sua fazenda, a construção de uma capela, que dedicou a Santana. As obras foram iniciadas em 9 de Novembro de 1782 e concluídas em 1º de Dezembro de 1786. Para esse trabalho foram contratados mestres construtores, artistas, entalhadores e douradores, que vieram ornamentar o interior da capela, tornando o templo um dos mais belos e bem construídos. A qualidade da construção é notória, porque até os dias atuais ele tem resistido aos rigores do tempo e a natural depredação.

A construção constitui exemplar único da arquitetura da ultima fase do barroco brasileiro. O casal Francisco Marinho Machado e Maria Angélica do Desterro são os pais do capitão Basílio José Marinho, nascido no dia 23 de Maio de 1782. O Capitão Basílio recebeu a fazenda por herança do seu pai e a administrou até meados do século XIX. A monografia de Rio Bonito menciona que no dia 27 de abril de 1847, um fato marcante ocorreu na fazenda. “Às 7 horas e 3 quartos do dia, chegou a  fazenda de Santana, o Imperador do Brasil Dom Pedro II. Ele almoçou, descansou e prosseguiu viagem para a corte do Rio de Janeiro”.

O bairro “Basílio”, terceiro distrito de Rio Bonito, recebeu esse nome em homenagem a um dos seus filhos mais antigos nascido em suas terras. Já a capela de Santana, em 13 de março de 1970, foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. É a única edificação do nosso município que detém essa honraria.

Hacker de 19 anos revela no Rio como fraudou eleição


Flávio Azevedo

Fraude nas eleições: assunto que promete dar "pano pra manga" nos próximos pleitos!
Circulando apenas na internet, uma matéria produzida por profissionais de imprensa ligados aos partidos, Democrático Trabalhista (PDT) e da República (PR), tem causado indignações em internautas Brasil afora. De acordo com a reportagem, as eleições brasileiras estão sendo fraudadas e o sistema eletrônico não é tão seguro como garante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As revelações foram feitas por um hacker durante o seminário “A urna eletrônica é confiável?”. O evento aconteceu no auditório da Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Rio de Janeiro (SEAERJ), no último dia 10 de dezembro.

Acompanhado pelo especialista em transmissão de dados, Reinaldo Mendonça; e pelo delegado de polícia, Alexandre Neto, um jovem hacker de 19 anos, identificado, por questões de segurança, apenas como Rangel, mostrou como – através de acesso ilegal e privilegiado à intranet da Justiça Eleitoral, no Rio de Janeiro, sob a responsabilidade técnica da empresa Oi – interceptou os dados alimentadores do sistema de totalização e, após o retardo do envio desses dados aos computadores da Justiça Eleitoral, modificou resultados, sem que nada fosse oficialmente detectado.
– A gente entra na rede da Justiça Eleitoral quando os resultados estão sendo transmitidos para a totalização e depois que 50% dos dados já foram transmitidos, atuamos. Modificamos resultados mesmo quando a totalização está prestes a ser fechada – afirmou Rangel, ao detalhar em linhas gerais como atuava para fraudar resultados.

O depoimento do hacker – disposto a colaborar com as autoridades – foi chocante até para os palestrantes do seminário. Personalidades como a Dra. Maria Aparecida Cortiz, advogada que há dez anos representa o PDT no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para assuntos relacionados à urna eletrônica; o professor da Ciência da Computação da Universidade de Brasília, Pedro Antônio Dourado de Rezende, que estuda as fragilidades do voto eletrônico no Brasil, também há mais de dez anos; e o jornalista Osvaldo Maneschy, coordenador e organizador do livro Burla Eletrônica, escrito em 2002, ao término do primeiro seminário independente sobre o sistema eletrônico de votação em uso no país desde 1996, ficaram impressionados com as revelações do hacker.

Segundo informações dos organizadores do seminário, Rangel vive sob proteção policial e já prestou depoimento a Polícia Federal. Ele declarou que não atuava sozinho. De acordo com o hacker, ele fazia parte de um pequeno grupo que, através de acessos privilegiados à rede de dados da Oi, alterava votações antes que elas fossem oficialmente computadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

O hacker revelou que a fraude beneficiava políticos com base eleitoral na Região dos Lagos. Um dos supostos beneficiários seria o presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado Paulo Melo (PMDB). Depois de fazer algumas perguntas a Rangel, a deputada Clarissa Garotinho, presente no seminário, disse que se informará mais sobre o assunto e garantiu que não pretende deixar a denúncia do hacker cair no vazio.

O coordenador do seminário, Fernando Peregrino cobrou providências. “Um crime grave foi cometido nas eleições municipais deste ano e Rangel está denunciando com todas as letras, mas infelizmente até agora a Polícia Federal não tem dado a importância que este caso merece, porque atinge a essência da própria democracia no Brasil, o voto dos brasileiros”, analisou.

“O sistema é falho”

O professor Pedro Rezende, especialista em Ciência da Computação, professor de criptografia da Universidade de Brasília (UnB), mostrou o trabalho permanente do TSE em “blindar” as urnas em uso no país, apresentadas sempre como 100% seguras. Para Rezende, porém, elas são “ultrapassadas e inseguras”. O professor comparou com sistemas de outros países, para ele mais confiáveis; e destacou as urnas eletrônicas de terceira geração usadas em algumas províncias argentinas, que além de imprimir o voto, registram esse mesmo voto num chip que fica embutido na cédula, criando uma dupla segurança.

O coordenador do seminário, Fernando Peregrino, informou que o assunto será transformado em livro, ganhará um documentário e dará origem a outros encontros sobre o tema, “porque está longe de estar esgotado”. Ele afirmou ainda, que vai levar a denúncia do hacker às últimas conseqüências e garantiu se considerar um militante pela transparência das eleições brasileiras. “Estamos comprometidos com a transparência do sistema eletrônico de votação e com a democracia”, concluiu.

Preocupação sob os panos

Não é de hoje que a segurança das urnas eletrônicas é questionada no Brasil. Em março de 2012 um grupo da Universidade de Brasília (UnB) conseguiu quebrar a segurança da urna eletrônica, em testes promovidos pelo próprio TSE. Eles conseguiram recuperar a sequência dos votos, o que, ao menos em tese, permite violar o sigilo das opções de cada eleitor. Foram recuperados 474 de 475 votos de uma eleição, na ordem em que foram inseridos na urna. A revelação foi do coordenador do grupo, Diego Freitas Aranha, professor  de Ciência da Computação da UnB, que fez doutorado em criptografia pela Universidade de Campinas (Unicamp).

Originalmente o plano de teste previa a recuperação de 20 votos, mas o próprio TSE desafiou o grupo a resgatar 82% dos votos de uma fictícia sessão eleitoral com 580 inscritos – percentual que equivale à média de comparecimento nas eleições brasileiras. O tempo limitado de acesso à urna eletrônica – três dias – impediu avanços ainda mais significativos na quebra da segurança do sistema eletrônico de votação (o fraudador, porém, tem tempo de sobra).