Flávio Azevedo
“Cala a boca menino!” “Ninguém está te perguntando nada!” “Fica quieto seu sabe tudo!” “Lá vem o chefe!” “Chegou o candidato!” “Olha o professor aí”... Frases desse tipo fizeram parte do desenvolvimento das crianças nas últimas cinco décadas. O objetivo? Para quem não usa o aplicativo cérebro, apenas brincadeira. Para os que queriam manter o ‘status quo’ inalterado essas frases eram o caminho mais discreto para matar no ninho prováveis lideranças que ameaçariam suas hegemonias. O resultado disso é que aniquilaram os futuros líderes e sufocaram os traços de liderança!
Um dos legados do Corona Vírus é nos fazer enxergar a falta de lideranças no momento que vivemos. Pessoas que ocupam posição de destaque, funções públicas, cargos eletivos, mas estão escondidas embaixo da cama, não por medo do Covid-19, mas por medo de vir a público falar com as pessoas, trazer dados, reconhecer erros e sugerir ações. A Comunicação é um terror para quase todos que ocupam funções de destaque, talvez, porque tiveram seu perfil de liderança castrados ainda na infância. A família, a escola, o local de trabalho... São alguns dos espaços onde o perfil de liderança é aniquilado muito cedo e onde se ensina que é feio ser inconformado, é chato ser questionador, é deselegante ser crítico.
O patrulhamento contra os perfis de liderança produziu personalidades frouxas e indivíduos que sofrem da síndrome “o que vão pensar do que estou dizendo?”. Tem gente que sofre e se deprime por conta dessa expectativa. Ao longo das últimas décadas convencionou-se que é preciso agradar a todos o tempo todo. A partir disso surgem os garotos propagandas de consultório dentário. Pessoas que estão rindo o tempo todo, porque o negócio é ser simpático, mesmo que a vida esteja uma porcaria.
Ainda bem que ainda temos as igrejas. Nesse ambiente quem não se assombra com o alienígena que chamam de ‘microfone’ logo é conduzido a posições de destaque. Esse modus operandi das instituições religiosas preservou os poucos líderes que ainda temos. Um dos legados do Corona Vírus é a exposição desses líderes fakes que são verdadeiros arames lisos (cercam e não machucam) e estão a serviço das classes hegemônicas que desejam manter o status quo inalterado.
Quando o seu filho questionar, perguntar, criticar, reivindicar, não o silencie, apenas oriente. Quando o aluno reclamar, discordar e sugerir, não o afogue, apenas norteie. Quando o seu colega de trabalho se insurgir, reivindicar, pleitear, não castre essa postura, ofereça apoio. Se agirmos dessa maneira nas próximas décadas nós voltaremos a ter lideres por essência e não líderes que só estão ali porque pagam. O resultado disso será a mudança que nós tanto queremos, mas não sabemos por onde começar. Vamos em frente! #flavioazevedo






