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| O presidente e candidato a reeleição, Lula; acena para eleitores quando foi votar em São Bernardo do Campo, em São Paulo. |
Numa virada histórica, o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT); venceu as eleições presidenciais, nesse domingo (25/10) e vai governar o Brasil pela quarta vez. Ele derrotou o senador, Flávio Bolsonaro (PL), por 51,79% dos votos. Igual aconteceu em 2022, quando Lula desbancou Jair Bolsonaro, lideranças do espectro ideológico da direita e seus eleitores se perguntam: “o que aconteceu?”. As argumentações são muitas. Há os que juram ter acontecido uma grande fraude. Há quem diga que a vitória de um e derrota do outro tenha é culpa dessa ou daquela personagem das campanhas.
Antes de iniciar minha análise eu gostaria de destacar que um dos grandes defeitos do ser humano é usar a sua própria régua para medir os outros. Outra incapacidade da maior parte das pessoas é não conseguir enxergar as complexidades da vida com a lente do outro.
O meu amigo Brunner, numa das minhas publicações feitas durante a apuração, escreveu que “venceu a maior liderança política da América Latina”. Eu entendo que é bem mais que isso, Brunner. Penso que é quase impossível vencer uma “entidade”. Isso mesmo. Lula é uma “entidade”. É claro meus seguidores de direita e até alguns de esquerda (os mais pragmáticos) irão rechaçar essa ideia... Mas isso ficou claro nessa eleição. A verdade é que a força do nome Lula virou o resultado do primeiro turno e venceu.
Outro ponto: campanha eleitoral é uma coisa, administração pública é outra. Campanha envolve paixão, torcida, envolvimento. Basta ver celebração dos vencedores nesse domingo. Já administração pública envolve análise e compreensão orçamentária. Pouca gente está interessada por esse aspecto da política.
Dos 51,79% dos eleitores que preferiram o Lula, metade vota no petista por ser ele um representante do espectro ideológico da esquerda. A outra metade, talvez, mais que a metade; votam no Lula. É o eleitor que tem a percepção de ser o Lula uma “entidade”. O Brasil é um país de dimensões continentais e as pessoas têm percepção e mentalidade diferentes. A visão de mundo no Norte/Nordeste em vários aspectos é diferente do eixo Sul/Sudeste. E no Nordeste essa percepção do Lula “entidade” é muito forte.
Não tem nada haver com Bolsa Família e outros argumentos apresentados para tentar explicar até de forma desrespeitosa porque Lula é preferido de 70% dos eleitores do Nordeste. É que, sobretudo nesse território, o Nordeste, o Lula é enxergado como uma “entidade”. Até encontramos essa percepção nos demais territórios, mas no Nordeste essa percepção é contundente. Você se lembra daquele falatório do debate sobre “custo de vida”, “violência”, “valores”, “endividamento”, “idade do Lula”, “capacidade administrativa”... Nada disso tem efeito quando a pessoas em análise é uma entidade. O adversário vai fazer apontamentos, vai até apresentar provas. Não terá efeito algum sobre uma “entidade”. No Nordeste, a “entidade” seguirá sendo o preferido de 70% dos eleitores.
Penso que o 2º lugar do Lula no 1º turno mexeu com os brios do seu eleitor. O Lulista se viu instado a sair às ruas... A ir votar... Reassumir o Lulismo, a estrela do PT e construir uma virada “nunca vista antes na história desse país” desde 1989. Gostando você ou não, o Lula é uma entidade, um “mito”.
Sou um jornalista identificado com o espectro ideológico da direita. O vitorioso não era o meu preferido, mas ao contrário de boa parte dos meus colegas de esquerda, eu não posso deixar minha preferência contaminar uma análise que entrego sem nenhum contorno pejorativo e que entendo ser bem óbvia e muito lógica. Vamos em frente! #flavioazevedo


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