sexta-feira, 4 de maio de 2012

Um pedido inusitado à Justiça

Flávio Azevedo

Na próxima segunda-feira, 7 de maio, aniversário de 166 anos de Rio Bonito, a Câmara de Vereadores realiza a tradicional “Sessão Solene”, ocasião em que várias pessoas são homenageadas com o Título de Cidadão Riobonitense ou com a Medalha do Mérito Legislativo, Carlos Cordeiro.

De acordo com anúncio feito pela vereadora Rita de Cássia (PP), na sessão da Câmara Municipal realizada ontem (03/05), um dos homenageados será o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Manoel Alberto Rebelo dos Santos, que receberá o Título de Cidadão Riobonitense.

Penso que essa deve ser a ocasião ideal para pleitearmos junto ao meritíssimo homenageado, o envio de pelo menos mais um juiz para a comarca de Rio Bonito, a qual ele agora passará a pertencer, já que receberá o título de Cidadão Riobonitense.

Aliás, a homenagem é uma iniciativa da própria vereadora, que é esposa do desembargador riobonitense, Carlos José Martins Gomes.

“YO QUIERO MI DIÑERO”!

Flávio Azevedo

Nessa sexta-feira (04/05), o servidor municipal da Prefeitura de Rio Bonito, os efetivos, estão parecendo o atacante paraguaio Romerito, jogador de futebol que defendeu o Fluminense/RJ na década de 80. Diz a lenda, que quando o salário atrasava o atacante logo disparava: “Yo quiero mi diñero”. A frase virou folclore no meio futebolístico e tem sido utilizada em outros setores quando algo semelhante acontece.

Recebo telefonemas de vários servidores indignados com o fato de não conseguirem receber os seus caraminguás. Aliás, segundo essas fontes, apenas o servidor contratado conseguiu botar a mão no “faz me rir”, situação que nós já vimos acontecer em outros tempos.

Além da falta do pagamento, o péssimo atendimento que a Caixa Econômica Federal (CEF) oferece ao cliente é outra situação muito reclamada, mas que também já não é mais novidade. Arrisco dizer que essa postura da referida agência já é, inclusive, uma situação corriqueira.

Vale destacar que desde 2008, quando a Prefeitura vendeu vendeu a Folha de Pagamento para a CEF (segundo fontes, pela Bagatela de R$ 2,5 milhões), esse e vários outros desserviços acontecem diariamente e ninguém diz nada.

Dia desses, um desavisado teve a infelicidade de me dizer que isso acontece por culpa da imprensa. Eu fiquei analisando a fala desse cidadão e percebi que ele não está tão errado assim, porque essa é a realidade do nosso país, do nosso estado, da nossa cidade, do nosso bairro. As pessoas pensam que a imprensa é uma espécie de fiscal do serviço público.

Coisas de Brasil, um país onde a oposição é ridícula, as entidades reguladoras e fiscalizadoras inexistem, o povo é amordaçado e/ou conformado, e, todos esses atores, com raríssimas excessões, querem que a imprensa exerça esse papel!

Essa é outra lástima!

Outra vez um guarda municipal...

Flávio Azevedo

Tomo conhecimento através do Facebook do amigo François Ranieri Felix, que aconteceu outro “fato desagradável” envolvendo um dos nossos guardas municipais. Aliás, essas ocorrências já estão se tornando rotineiras e recorrentes. De acordo com o relato, nessa sexta-feira (04/05), por volta das 11h, próximo ao Banco do Brasil, no Centro, o juiz aposentado Mauro Prevot (foto 1) teria sido insultado por um guarda municipal.

Tudo começou porque o carro do aposentado estaria parado próximo aos cones. O guarda teria saído da viatura e desferido “impropérios” para Dr. Mauro. Ainda segundo o texto de François, ao ver a bobagem que tinha feito e perceber o repúdio da população, o guarda saiu bem devagar em direção a Praça Astério Alves de Mendonça.

Parece que alguém precisa procurar saber o que anda acontecendo com os nossos guardas. Meses atrás, a professora Nazareth Mello (foto 2) foi vítima do destempero do próprio comandante da tropa. No dia 27 de janeiro, o funcionário de uma empresa de internet, o técnico em informática, Éden Paixão, teria sido agredido. A imagem do rapaz sangrando deu o que falar. Agora, Dr. Mauro Prevot. E quem será o próximo? Eu, você? Gente, o que está acontecendo?

No caso do Éden Paixão, a informação que recebemos é que seria uma rixa antiga (o rapaz não confirma essa versão). Mas... E nos casos da professora Nazareth Mello e do juiz Mauro Prevot? Eles também provocaram o destempero dos guardas? Como? Por estacionarem em local indevido?

Para quem não lembra e/ou não soube, eu devo lembrar que o próprio secretário de Desenvolvimento Urbano, Isaías Class, quando ainda acumulava o comando da Guarda, há cerca de um ano, quase teria sido agredido por um guarda (uma suposta insubordinação). O entrevero aconteceu próximo ao Supermercado Multimix, numa manhã de sábado.

O que acontece?

Concordo com aqueles que argumentam a questão dos salários de fome que a Prefeitura de Rio Bonito paga aos seus servidores, também sei que o riobonitense é espaçoso, descortês e extremamente mal educado, sobretudo quando está dirigindo, mas esses destemperos precisam ser pensados pelos nossos governantes.

Entretanto, sou da opinião que não adianta mudar o governo, se o novo governante continuar com essa maluquice de colocar pessoas com formação ostensiva no comando da tropa. A Guarda Patrimonial, que insistem em chamar de Guarda Municipal, precisa exercer um papel de agente orientador.

Eu sempre comento e escrevo que quando o servidor age e anda como o Robocop, isso só acontece porque o comando permite. Se ele parece um mestre de bateria, assoprando aquele maldito apito, isso só acontece porque o comando permite. Sinceramente, embora eu não seja especialista, como comentaram recentemente sobre uma das minhas reflexões, fica muito nítido que a nossa guarda precisa de um comando que priorize a abordagem, o trato e o respeito ao repreendido.

Concluo com um verso bíblico que mostra a necessidade de exercitarmos a cortesia: “A resposta branda desvia o furor, mas palavra dura suscita a ira” (Provérbios 15.1).

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Casimiro de Abreu também quer o fim da onda de violência

Flávio Azevedo

Parece que não é só Rio Bonito que está sofrendo com a insegurança e crescente violência que assola a região. A população de Casimiro de Abreu, segundo reportagem do Jornal dos Municípios (edição 46), não agüenta mais a criminalidade que tomou conta da cidade. Como aconteceu em Rio Bonito no dia 23 de maio de 2011, quando a população saiu às ruas em protesto contra a violência (no mesmo dia da morte do empresário Américo Branco, assassinado em plena luz do dia, no Centro da cidade), os casimirenses, munidos de faixas, saíram às ruas para chamar a atenção das autoridades para a falta de policiamento.

De acordo com a reportagem, atualmente apenas 11 policiais dão proteção para 40 mil moradores, sendo três no distrito sede, três em Barra de São João, dois em Professor Souza e três em Rio Dourado. O protesto que saiu da Praça Feliciano Sodré, no Centro, percorreu a Rua Alpheu Marchon, Rodoviária e retornou à Praça. Em seguida aconteceu uma Audiência Pública no Pavilhão de Esportes. Os mais mobilizados eram os lojistas, as principais vítimas de assaltos.
– Estamos começando tarde, mas o importante é ter atitude para que tais coisas não venham a acontecer. Duas vezes, funcionários meus ficaram sob a mira de armas – comentou o comerciante André Luiz Pinto, de 50 anos.

Mais veemente, Gilmar Pereira, dono de uma papelaria, atribui à insegurança, a falta de policiais. “A segurança na cidade é zero. Temos três policiais e uma viatura. O governo do estado alega que o índice de criminalidade é baixo para aumentar o efetivo. Isto é lamentável! Não queremos chegar ao ponto de uma pessoa morrer para que se tome uma iniciativa”, desabafou.

De acordo com a reportagem do Jornal dos Municípios, pelo menos 30 assaltos e invasões a residências ocorreram entre meados do ano passado e março deste ano, apenas na sede do município. O de maior impacto foi o assalto de um posto de gasolina no início do mês na BR-101. Na ocasião, quatro suspeitos foram presos. Segundo a polícia, eles pertencem a uma quadrilha que vinha agindo em Macaé, Rio das Ostras e Casimiro. Em menos de cinco meses, pelo menos dez pessoas, a maioria de classe média, tiveram suas casas invadidas e saqueadas por ladrões. A maioria das vítimas foi agredida antes de serem amordaçadas.

Diante da insegurança, o prefeito Antonio Marcos conseguiu aprovar na Câmara o pagamento de compra de folgas dos policiais mediante convênio com o estado. Se o projeto for adiante, a cidade elevará o efetivo da PM para mais oito militares. “O policiamento que temos é ideal? Não. Seriam necessárias quatro viaturas composta por dois homens. Atualmente temos apenas uma viatura para a sede e outra para Rio Dourado. Professor Souza não tem”, informou o Capitão Vaz, comandante da 4ª Companhia do 32º BPM (Macaé), responsável pela segurança ostensiva de Casimiro.

Nos últimos seis meses, de outubro a abril deste ano, a policia apreendeu sete armas de fogo; 68 munições, 964 gramas de maconha, 498 gramas de cocaína, 30 gramas de crack; prendeu 24 pessoas, recuperou dois carros, fechou uma banca de jogo do bicho, estourou dois caça-níqueis e apreendeu 807 CDs piratas.

Audiência discute audiência e Conselho de Segurança

Em Casimiro de Abreu, ainda segundo a reportagem, a mobilização frutificou. O município vai reativar o Conselho Comunitário de Segurança (CCS). O órgão não tem conotação política e visa discutir políticas públicas para o setor. Por falta dele, Casimiro não poderá se representar em reunião com a chefe de Policia Civil Marta Rocha ainda este mês onde será discutida a atuação dos conselhos comunitários de segurança. Outra notícia satisfatória é que a Sede do Município ganhará mais uma viatura nesta semana. “A partir desta terça-feira, uma viatura começará a operar na cidade. Com isso serão mais dois agentes”, disse ao Jornal dos Municípios o capitão Vaz, comandante da 4ª Cia do 32º BPM.

Já o prefeito Antonio Marcos comentou que “hoje a população acordou e entendeu que o problema é de todos e não apenas meu”. O chefe do Executivo lembrou que em 2011 a população foi convocada para discutir a questão, mas a participação foi mínima. Ele lembrou ainda, que também no ano passado, um ofício assinado pelo Ministério Público, Prefeitura, Câmara dos Vereadores e Judiciário foi enviado ao secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, mas sequer foi respondido.

Presente a audiência, o comandante do 32º BPM, tenente-coronel Ramiro disse que o consumo de droga na cidade é causador de criminalidade. “O usuário começa a roubar para sustentar o vicio”. Sem meias palavras, Ramiro lembrou a permissividade dos pais que dão a seus filhos menores motos e pouco os orientam sobre o problema das drogas. O veículo é um dos mais utilizados pelos bandidos para a prática de roubos, tanto de transeuntes como as saidinhas de banco.

Outro problema verificado na audiência é a falta de registro de ocorrência na delegacia. Por trabalhar com estatísticas, a Secretaria Estadual de Segurança, acaba marginalizando o município por considerar baixo o índice de criminalidade. “As autoridades trabalham com estatísticas para montar estratégias de segurança”, revelou Edna Araujo, representante do estado na audiência.

Mas foi o presidente da Associação Casimirense dos Portadores de Deficiência que resumiu o sentimento dos moradores. “Não adianta reunião se o estado não der uma resposta”, finalizou Delmiro Pereira, o Ivo da Acapord.

Conclusão

Já há alguns anos nós estamos chamando a atenção do governo do Estado do Rio de Janeiro para a questão da Segurança no interior. Se o domínio dos morros, favelas e comunidades pobres está sendo retomado pelo estado, o interior está marginalizado, entregue aos bandidos, e, vive, já há algum tempo, a mercê da vagabundagem que assustada com a repressão da capital e atraída pela calmaria do interior está se mudando e fixando os seus negócios na região.

O poderio econômico que chega a reboque do Comperj transformou o município de Itaboraí e as cidades satélites ao empreendimento da Petrobras num “El Dourado” para qualquer tipo de negócio, entre eles o narcotráfico. Se levarmos em conta que em nossa região o volume de consumidores de droga é alto, a miséria social é flagrante, a corrupção é latente e a Segurança inexiste, nós percebemos que esse é um cenário muito atraente para esse investidor.

Polícia para quem precisa de polícia...

Flávio Azevedo

Sobre Segurança Pública, eu tenho visto muito palavrório e pouca – ou nenhuma – perspicácia na condução do assunto. Os grandes interessados, o povo, não tem maturidade para enxergar o problema por três motivos: rabo preso, espírito frouxo ou alienação. Sobre a tradicional alienação, cabe como uma luva o refrão popular do meu pai: “tem gente que não conseguem ver diante do nariz um dedo”.

Recentemente eu fiz algumas reflexões sobre a culpa do Judiciário e do Ministério Público na questão violência e Segurança. Mas apesar de achar que eles estão sempre de férias, eu afirmo que eles não estão sozinhos. Em Rio Bonito especificamente, eu não acredito que o prefeito da cidade, a sua equipe e/ou qualquer outro político local, embora por vezes pareçam desinteressados, sejam favoráveis aos desmandos que têm acontecido.

Aliás, a Segurança já deveria ter sido municipalizada há muito tempo. Penso até ser a Guarda Municipal um embrião desse modelo de Segurança. Para quem não sabe, em Bogotá, na Colômbia, isso aconteceu. As guerrilhas na cidade colombiana só cessaram depois que o município tomou o controle da violência para si.

Em determinado espaço do Facebook, uma reflexão do policial militar Monteiro, merece ser analisada com atenção. As suas colocações foram feitas numa foto em que os políticos da nossa região aparecem junto com a alta cúpula da Segurança do Estado do Rio de Janeiro. Eles estariam cobrando Segurança para a região. Monteiro escreveu:
– Me responda quem dessas pessoas que participou dessa reunião conhece de fato os becos da Serra do Sambê ou as vielas da Rua Paulino Siqueira? Para enfrentar o inimigo tem que conhecê-lo de perto. Rio Bonito não precisa só de mais policiamento e ou viaturas. Precisa de um projeto de ressocialização para os apenados e de seriedade na condução da Segurança. Em menos de dois meses, cinco pontos de tráfico foram fechados em variados bairros. Segurança é como a Saúde, não se brinca – comentou o policial militar.

Penso que as suas palavras têm muito sentido e deveriam ser analisadas com mais atenção pelas autoridades políticas. O texto do competente policial Monteiro aborda com propriedade a questão das pessoas que não conhecem a criminalidade “in loco”. O crime no interior tem uma dinâmica diferente do crime que ocorre na Capital. Por isso eu pergunto: onde está a Delegacia do Interior? Ela não foi criada com a proposta de ter um olhar mais próximo a realidade do interior do estado? E aí?

Por outro lado, não adianta ressocializar o traficante e as comunidades expostas a criminalidade, se os filhos de bacana e os seus pais irresponsáveis não forem ressocializados. Digo isso baseado na premissa de que esse segmento da sociedade é quem cinicamente mantêm a criminalidade, sustenta o tráfico e atuam como combustível para esse flagelo. Existem exceções, mas é a minoria.

Não adianta criminalizar becos, vielas e ruas mais pobres da Serra do Sambê e da Praça Cruzeiro, sem reconhecer que os “filhinhos de papai” e os próprios “papais” usuários de drogas financiam o tráfico. Não adianta criminalizar o pobre, se o narcisismo da sociedade, sobretudo a mais abastada, não for exposto. Ao contrário do pobre, os ricos se drogam para se exibir, para desafiar a lei e para se alto afirmar.

Pensemos nisso!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Morre Raphaela Dias - Atriz do Lona na Lua

Flávio Azevedo

E o combalido cenário cultural de Rio Bonito fica bem mais pobre com a morte da atriz Raphaela Dias, do projeto “Lona na Lua”. Depois de passar semanas lutando pela vida no Hospital Regional Darcy Vargas e Hospital dos Servidores do Estado, ela faleceu na noite de ontem (1º/05) de causa ainda interrogada. Tudo começou com uma infecção respiratória, que evoluiu para problemas hepáticos. O corpo da atriz não reuniu forças para se recuperar da infecção generalizada que terminou evoluindo para a morte.

Aos 21 anos, Rafa, como era carinhosamente chamada pelos amigos, era uma das líderes do Projeto Lona na Lua. Com a sua partida, ela deixa inconsoláveis, a família, os amigos e uma legião de fãs. A atriz foi sepultada hoje, às 14h, no Cemitério de Boa Esperança, 2º Distrito de Rio Bonito. Centenas de pessoas, entre amigos, parentes, autoridades e companheiros de palco, compareceram no velório, que foi realizado na Capela Mortuária da Funerária Santo Antonio, para o último adeus.

Sobre a morte prematura da jovem atriz, talves a única explicação esteja numa das falas do espetáculo “O Auto da Compadecida”, que muitas vezes a própria Rafa recitava: “Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre”.

Uma carreira de sucesso

Tarde do dia 8 de janeiro de 2012, última apresentação da atriz Raphaela Dias. Ela interpretou com o brilhantismo de sempre, “Dona Biana”, a matriarca da confusa família do espetáculo “Quem Casa Quer Casa”, que foi apresentado na Quadra Ercílio Belgues, na Serra do Sambê. Na imagem ela contracena com o também impagável Victor Hugo. Deixará saudades!

Em julho de 2010, com atuação importante de Raphaela Dias, a trupe do Lona na Lua apresenta o espetáculo “Sonhos de Uma Noite de Verão” no espaço que está preparado para ser o futuro Teatro da Câmara de Dirigentes Logistas (CDL), de Rio Bonito. Dezenas de pessoas compareceram para prestigiar um movimento cultural que ainda era olhado com desconfiança pelos moradores de uma cidade que, até então, não tinha o hábito de frequentar ambientes teatrais, sobretudo estando em cena, artistas locais. A persistência de Raphaela e dos demais mudou esse cenário!

No mês seguinte, inebriados com a grandiosidade da “Lona”, que foi instalada na Mangueirinha, os integrantes do projeto agradeceram a hospitalidade da CDL e transferiram-se de mala e cuia para o seu ambiente, uma lona de 320 m² onde só é permitido respirar arte. Nesse palco Raphaela Dias novamente brlhou ao apresentar, agora na Lona, “Sonhos de Uma Noite de Verão”, obra de Shakespeare.

Mas é no mês de setembro que o projeto “Lona na Lua” cai nas graças do público riobonitense, ao apresentar, de Ariano Suassuna, e adaptado por Zeca Novais, o espetáculo “O Auto da Compadecida”, onde Raphaela interpreta a Madre que se recusa a enterrar a cachorrinha da “mulher do padeiro” até saber que o animalzinho havia deixado, segundo o esperto João Grilo, um testamento com alguns caraminguás em nome da igreja!

O sucesso de “O Auto da Compadecida” foi tão grande que levou o grupo a apresentar alguns trechos do espetáculo no programa “O TEMPO EM RIO BONITO”, da Rádio Sambê FM (98,7). Eles estiveram por lá no dia 10 de outubro de 2010, um programa que foi reprisado no mês de janeiro de 2011, tal foi o sucesso. E lá estava Raphaela com o seu jeitão desconfiado, uma marca registrada da atriz!

O “Auto da Compadecida” foi o ingresso do projeto para o sucesso. O Espaço Cultural Lona na Lua passou receber grande público, os elogios eram constantes e a qualidade dos espetáculos só melhorava de uma apresentação para outra. Era a maturidade chegando com:

D. Quixote (não temos imagem), “O Bem Amado”, onde Raphaela interpretou uma jornalista parceira de Beto Cegueta. Na foto ela aparece recebendo os aplausos do público que lotava a Lona, naquela noite de junho de 2011;

Posteriormente o espetáculo “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, onde ela desempenhou um papel mais secundário (Madame Mercedez), mas com o mesmo brilhantismo de sempre;

e “Romeu e Julieta no Sertão”, onde ela interpretou a sargentona mãe de quatro meninas foguentas – entre elas Julieta – que como castigo deviam sempre dizer “GRÓRIA!”. Quem não gargalhou com essa situação!

Tudo caminhava bem...

A cereja do bolo veio com o premiado espetáculo “Quem Casa Quer Casa”, que esteve em cartaz no Espaço Cultural Lona na Lua, na Mangueirinha, em Rio Bonito, entre os dias 9 e 18 de dezembro de 2011 e foi selecionado junto de outras 15 companhias do estado para participar de um projeto da Secretaria Estadual de Cultura, que aconteceu no mês anterior no Teatro Laura Alvim, em Ipanema, no Rio de Janeiro.

O Lona na Lua levou o nome de Rio Bonito e região pela primeira vez ao Festival Martins Pena de Teatro. O espetáculo é uma comédia de costumes e todos os atores tiveram desempenho acima da média. Par celebrar o feito, o programa “O TEMPO EM RIO BONITO”, recebeu no dia 18 de dezembro, os atores que já se destacam em âmbito estadual.

Nos estúdios da Rádio Sambê compareceram os artistas Larissa Moraes, Rafaela Dias, Victor Hugo, Bruno Siqueira, Nathan Duarte, Lucas Madureira, Lauany Fabbreschi, Rodolfo Freiras, Ana Ariel Perrone, além de Zeca Novais. Fotografando e gravando o momento, o colaborador Marlon Lopes. O diretor do Lona na Lua fez um balanço positivo do ano de 2011, projetou um 2012 de muito sucesso, mas não contava com a perda prematura de uma das suas principais colaboradoras: Raphaela Dias.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Colégio Astério Alves celebra “Família na Escola”

Flávio Azevedo

“Avião sem asa, fogueira sem brasa, sou eu assim sem você; futebol sem bola,Piu-piu sem Frajola, sou eu assim sem você; por que é que tem que ser assim, se o meu desejo não tem fim; eu te quero a todo instante, nem mil alto-falantes vão poder falar por mim. Amor sem beijinho, Buchecha sem Claudinho, sou eu assim sem você; circo sem palhaço, namoro sem amasso, sou eu assim sem você. Tô louca pra te ver chegar, Tô louca pra te ter nas mãos, deitar no teu abraço, etomar o pedaço, que falta no meu coração; eu não existo longe de você e a solidão é o meu pior castigo. Eu conto as horas, pra poder te ver, mas o relógio tá de mal comigo... Por quê? Por quê?”

Essa foi uma das músicas cantadas pelos alunos da Educação Infantil do Colégio Municipal Dr. Astério Alves de Mendonça, da Mangueirinha, que na tarde do último dia 26 de abril realizou o evento “Família na Escola”. Um dos objetivos da programação, que contou com a presença de dezenas de pais e familiares dos alunos, foi aproximar as famílias da unidade escolar, e, demonstrar, através de uma programação que envolveu atividades lúdicas, artísticas, teatrais, entre outras, o desenvolvimento e o crescimento intelectual das crianças.

Além da tradicional “tietagem” das mães, papais e vovós, que compareceram munidos de máquinas e celulares para fotografar os pequenos, foi possível ver muita gente emocionada e lágrimas foram derramadas na hora que alguns alunos cantavam a música “Fico Assim Sem Você”, para homenagear as mamães pelo seu dia, que será comemorado no próximo dia 13 de maio. A música, composta em 2000 por Abdullah e Cacá Moraes; foi sucesso da dupla Claudinho & Buchecha, e, posteriormente, da cantora Adriana Calcanhoto.

A frase “se a Educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tão pouco muda”, uma das imortalizadas citações do educador e filósofo Paulo Freire, estava estampada no painel do evento em letras garrafais. Numa alusão a importância da presença da família na escola, no acompanhamento do desenvolvimento das crianças e para complementar o nome da programação (Família na Escola), a coordenação do evento também escreveu com destaque no painel: “parceria que faz a diferença”.

Concluída a apresentação, a diretora Romilda Barreto agradeceu a presença dos pais, o empenho das professoras e equipe em geral e ressaltou que a escola está a disposição das famílias para que a parceria anunciada pelo evento possa realmente fazer a diferença e contribuir de maneira positiva para a formação dos alunos.






Mudança no alto escalão político de Rio Bonito

Flávio Azevedo

Por conta da pretensão de concorrer às eleições do próximo dia 7 de outubro, Rio Bonito tem novos nomes no primeiro escalão da política local. O agora ex-secretário de Esporte e Lazer, Ronen Antunes deu lugar a sua assessora Elisângela Quintanilha. O ex-secretário é sobrinho do prefeito José Luiz Antunes e presidente do diretório municipal do Democratas (DEM).

Ele se afasta para concorrer a uma das 10 vagas do Legislativo municipal. O nome de Ronen, porém, estaria sendo comentado para ser vice-prefeito na chapa encabeçada pelo atual vice Matheus Neto (PSB), pré-candidato da situação. Embora a história não seja confirmada, a possibilidade também não é descartada.

Quem também deixou o cargo para concorrer a uma das vagas do Legislativo foi o diretor da Guarda Municipal, Márcio Aurélio de Souza Soares (PPS), o popular Soares. O subcomandante Luíz Antônio Sansão, assumiu o comando da Guarda.

Desde que o prefeito José Luiz Antunes assumiu a Prefeitura Municipal em janeiro de 2005, Ronen passou pelas Secretarias de Obras e Serviços Públicos (Semosp); Agricultura, Indústria, Comércio e Turismo; e Esporte e Lazer. Um dos homens de confiança do governo, ele é conhecido pelo estilo carismático e pelo talento para o Marketing, sendo criador do bordão “deixa o homem trabalhar”.

Já o sargento da Polícia Militar, Soares, está em Rio Bonito há cerca de 10 anos, a maior parte desse tempo atuando no BPRv de Boa Esperança, onde é muito respeitado e querido pela população. Aos 43 anos, ele está há cerca de 25, na Polícia Militar. Antes de ingressar na direção da Guarda Municipal ele estava lotado na 3ª CIA de PM de Rio Bonito.

Ayrton Senna do Brasil

Flávio Azevedo

Não é possível passar um 1º de maio sem comentar a trajetória de um dos maiores mitos do esporte brasileiro: Ayrton Senna, personagem que animava as nossas tediosas manhãs de domingo até o ano de 1994, quando morreu prematuramente aos 34 anos. Num tempo em que o Brasil vivia ainda sob os efeitos amargos da Ditadura Militar, contar com as espetaculares vitórias de Senna era um alento para nós brasileiros. O piloto dava demonstrações de que aquele povo que por muitos anos foi treinado para ser colonizado e dominado reunia condições de vencer os seus dominadores.

Era comum ouvir a admiração, principalmente dos mais velhos, comentando as façanhas do brasileiro que vencia, com naturalidade, pilotos ingleses, norte-americanos, franceses e alemães. A admiração nascia da convicção de que indivíduos dessas nacionalidades eram superiores a nós brasileiros. Entretanto, o desempenho de Ayrton Senna do Brasil, alcunha que o piloto recebeu do narrador Galvão Bueno, além de transformar o desportista num mito, também deixava clara a possibilidade de que não somos inferiores a ninguém.

A imagem de Ayrton Senna é reconhecida mundialmente por conta do seu talento, da sua determinação e/ou por seu desempenho, às vezes, inacreditável nas pistas. Ele é um mito do automobilismo mundial e está entre os melhores pilotos de todos os tempos. Mas naquele dia 1º de maio, de 1994, a carreira que incluía 41 vitórias, 65 pole positions e três campeonatos mundiais foi interrompida diante de milhares de brasileiros.

O último dia que Ayrton Senna foi visto com vida amanheceu tranquilo igual ao demais. A corrida acontecia no Grande Prêmio de San Marino, em Ímola (ITA). O piloto, que não havia tido bom desempenho nas duas corridas anteriores, deu declarações de que essa seria a sua primeira corrida na Fórmula 1 daquele ano. Ele conquistou a pole, mas o fim de semana foi sombrio. Senna, particularmente estava apreensivo com dois problemas.

Um deles era o acidente da sexta-feira que antecedeu o GP. A vítima tinha sido o piloto brasileiro Rubens Barrichello, que envolveu-se num grave acidente com sua Jordan. Senna visitou o amigo no hospital e ficou convencido de que as normas de segurança determinadas para as pistas deveriam ser revistas. Na manhã seguinte, um dia antes da corrida, o austríaco Roland Ratzenbegger, da Siimtek, bateu na curva Villeneuve e morreu no Hospital Maggiore, de Bolonha.

Ayrton Senna convenceu os oficiais de pista a levá-lo ao local do acidente para que ele avaliasse o que poderia ter ocorrido. A sua postura resultou em desgaste com os dirigentes da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Senna passou o fim da manhã reunido com outros pilotos. Ele estava determinado a recriar a antiga Comissão de Segurança dos Pilotos. O objetivo era melhorar a segurança na F1. Como um dos pilotos mais experientes e mais respeitado pelo histórico de vitórias e conquistas, ele se ofereceu para liderar o movimento.

A corrida começou e na setima volta, ao entrar na curva Tamburello, Ayrton Senna perdeu o controle do carro e bateu com violência contra o muro de concreto. O impacto causou um profundo dano cerebral no piloto. Ele foi atendido pelo neurocirurgião Sidney Watkins, da Comissão Médica e de Segurança da Fórmula 1. Os primeiros socorros foram feitos ainda na pista e ele foi levado de helicóptero para o Hospital Maggiore, de Bolonha, onde foi declarado morto.

No carro de Ayrton Senna, os fiscais de prova encontraram uma bandeira austríaca, que seria empunhada por Senna, em homenagem ao austríaco Roland Ratzenberger, morto um dia antes, caso ele vencesse a prova. A imagem de Ayrton Senna apoiado na sua Williams, flagrado pelas tevês, com o olhar distante e perdido, pouco antes do início da fatídica corrida em que perdeu a vida, ficaria marcada para sempre entre seus fãs.

De acordo com o jornalista e comentarista de Fórmula 1, Reginaldo Leme, num documentário sobre a morte de Ayrton Senna, o piloto não queria correr aquele dia. Ele teria, inclusive, dito aos amigos que anteciparia a sua aposentadoria caso as normas de segurança das pistas não fossem revistas pela FIA. Que o exemplo de determinação e preocupação com o semelhante, demonstrados por Senna ao longo da sua carreira, possam ser o grande legado deixado por ele. A leitura diária da Bíblia, outro costume do piloto, também deveria ser um hábito que também deveríamos cultivar.

Melhorias na RJ – 124 é tema de debate entre autoridades, CCS e CCR ViaLagos

Flávio Azevedo

Representantes do Conselho Comunitário de Segurança (CCS) de Rio Bonito, o prefeito José Luiz Antunes (DEM) e representantes da CCR ViaLagos, concessionária que administra a RJ – 124, concessão que completa 15 anos esse ano, estiveram reunidos no último dia 25 de abril, no gabinete do prefeito para discutir melhorias na rodovia. Entre as discussões está a construção de viadutos, local apropriado para a circulação de bicicleta, animais e carroças, passarelas e a instalação de radares eletrônicos ao longo do trecho que corta o município.

De acordo com o diretor da concessionária, João Daniel Marques da Silva, por determinação do governo do estado a ViaLagos vai receber novas e importantes melhorias. O prazo de entrega seria 2014. Ainda segundo o diretor, as exigências é a construção de mureta divisória entre as pistas (para evitar que os veículos invadam a contramão) e a substituição do acostamento de grama (no trecho a partir de Araruama) por asfalto.
– O governador quer essas melhorias para toda extensão da rodovia e já liberou, através do Departamento de Estrada de Rodagem (DER), um recurso da ordem de R$ 120 milhões para a execução dessas obras. O problema é que estamos percebendo a necessidade de se fazer mais que isso. As exigências da população de Rio Bonito, por exemplo, devem ser considerados, mas não temos recurso para isso – argumentou o diretor da concessionária.

Para o prefeito José Luiz Antunes, desde que a ViaLagos passou a administrar a RJ – 124, do bairro Boqueirão (foto 2) até a Praça do Pedágio (Palmital e Mineiros) muitas localidades ficaram isoladas, tiveram os seus acessos prejudicados, estradas foram fechadas e muito pouco foi feito pela população. “Quando a ViaLagos chegou aqui já encontrou Boqueirão, Boa Esperança e demais localidades. Aliás, quando a RJ – 124 chegou na década de 60, essas localidades já existiam. Boa Esperança, por exemplo, sempre foi um bairro importante, por tanto isso tem que ser respeitado e considerado”, ponderou o prefeito.

Pontos de conflito

O chefe do Executivo riobonitense, que como produtor rural e proprietário de terras já teve inúmeros embates com a concessionária, comenta que em Boqueirão e Boa Esperança, o trânsito de bicicleta foi proibido e faz um questionamento: “mas que alternativa foi dada aos ciclistas?”. Ele mesmo responde: “nenhuma!”. O prefeito acrescenta. “Nós estamos falando de localidades pobres, onde as pessoas dependem da bicicleta para se locomover”. O prefeito também abordou a velocidade com que os veículos cortam as localidades.
– Dia desses fiquei cerca de duas horas, em Boa Esperança (foto 3), observando o trânsito da ViaLagos. Chamou a minha atenção a velocidade, principalmente dos caminhões que transportam areia. Eles passam a 100 ou 120 km/hora dentro daquele trecho urbano, onde têm crianças atravessando, pessoas de idade, carros em velocidade menor... Acredito que só por Deus ainda não aconteceu uma desgraça nessas localidades (Boa Esperança e Boqueirão) – analisou.

O conselheiro Guilherme Cordeiro comentou o choque cultural que a rodovia impôs a essas localidades. “No interior o meio de locomoção é o cavalo e a carroça. Então, é comum que as pessoas usem esses meios para visitar os compadres, trabalhar, rever os amigos, ir a igreja, mas o que se percebe é que esse hábito, que é cultural, não foi respeitado. Eles não podem passar pela passarela, atravessar a rodovia é perigoso e com isso localidades irmãs foram separadas”, analisou.

Outros pontos

A construção do viaduto para ligar as localidades de Viçosa e Três Coqueiros (foto 4) também foi alvo dos comentários. De acordo com moradores do trecho, em época de feriado prolongado e em períodos como Carnaval, Semana Santa, Natal e Ano Novo, as pessoas chegam esperar 40 minutos para alcançar a pista oposta.
– Nós estamos falando de um lugar que tem linhas de ônibus regulares, um trecho onde está sendo construída uma indústria de onde sairá essencialmente caminhões pesados e em baixa velocidade (a pista é de alta velocidade), e ainda existe a possibilidade de nos próximos meses a Urbaniza lançar um loteamento também naquelas imediações – disse outro conselheiro.

Para o diretor da ViaLAgos, com o recurso de apenas R$ 120 milhões ele não reunirá condições de fazer todas essas melhorias. Ele sugere que assim como aconteceu com os debates com a Autopista Fluminense e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que contou com influência política e iniciativa popular para se conseguir a construção do viaduto do Green Valley, a Prefeitura de Rio Bonito e o Conselho de Segurança também devem usar os mesmos meios políticos para sensibilizar o governo do estado a aumentar o aporte financeiro do projeto.

Junto do prefeito e dos representantes do CCS, o diretor da concessionária preparou um esboço do que foi apontado como ideal para atender as localidades existentes ao longo da ViaLagos. Dentro das exigências ainda existe o pedido de um viaduto para a Prainha; opção de circulação para ciclistas em Boa Esperança e Boqueirão; passarelas em vários trechos; e a implantação de dispositivos eletrônicos para controle de velocidade em Boqueirão e Boa Esperança.