sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Igualdade no Legislativo riobonitense é um sonho distante

Flávio Azevedo

Plenário da Câmara Muncipal de Rio Bonito. Legislatura 2009/2012.
Tudo indica que o Projeto de Resolução que, se aprovado, poderia estabelecer igualdade entre os vereadores de Rio Bonito (o projeto foi proposto pela mesa diretora há cerca de 20 dias), vai por água abaixo (pelo menos esse ano). Se, parte dos vereadores é favorável, outra parte é contrária. Algumas desculpas e argumentações são descabidas, outras, porém, bem razoáveis.

Analisando o caso percebe-se que forças ocultas estariam contribuindo para a não aprovação dessa mudança, que é inovadora e tornaria o Legislativo riobonitense, uma instituição a caminho da seriedade. Todavia, o cenário que se desenha mostra que parte dos vereadores (atuais e futuros) curte o espúrio, apoia o obscuro e tem como marca de personalidade, a estima pelo grotesco e a apreciação pelo que é condenável! Tomara que estejamos enganados!

Para quem não sabe do que se trata o Projeto de Resolução, nós podemos afirmar que ele acaba com a farra das assessorias serem unicamente do presidente da Casa. Ele dá aos 10 parlamentares, direitos iguais. Podemos considerá-lo uma carta de alforria, porque a partir dele, não será mais necessário o vereador “beber da água do presidente” para ser contemplado com os instrumentos (carro, telefone, combustível, assessores etc.) que o mandato lhe concede, diga-se de passagem, por direito.

Entretanto, sem esse ambicionado poder (a gestão dos tais benefícios), além do presidente perder força política (poder entre os homens significa dinheiro), ele torna-se um parlamentar igual aos seus pares. Logo, a desejada cadeira da presidência perde o seu encanto.

Resumindo: parte dos nossos vereadores, atuais e futuros, não concordam com essa lógica por alimentar a expectativa de um dia, no futuro, alcançar o cargo, ser o dono do tesouro e retribuir aos colegas tudo aquilo que ele recebeu enquanto esteve fora da Presidência da Casa.

Transparência é sempre um problema

Sobre a falta de transparência, no Senado Federal, uma Casa que faz questão de manter valores condenáveis como estamos percebendo no parlamento de Rio Bonito, o jornalista Alexandre Garcia disse o seguinte, em 2009:

“... Afinal ,esses repórteres intrometidos só descobriram que se pagava hora extra nas férias, por causa dessa maldita TRANSPARÊNCIA; descobriram a terceirização entre amigos; que a filha do senador gastou R$ 14 mil no celular do Senado, em passeio no México; que a sogra do assessor de imprensa de Renan Calheiros ganha R$ 4,9 mil, do Senado, sem sair de casa; que a assessora de senador, filha de Fernando Henrique Cardoso, tão pouco sai de casa, porque acha o Senado uma bagunça; que se pode trocar passagens aéreas por jatinhos; que há 181 diretores e uma infinidade de Conselhos bem remunerados e parentes de toda ordem, igualmente bem remunerados, só por causa dessa TRANSPARÊNCIA! Baixe-se, portanto, a OPACIDADE, contra desvios que afetam a constitucional moralidade”.

A verdade é que não tem como olhar o poder Legislativo de Rio Bonito e não perceber que as mazelas, aqui e acolá, são iguais e preservam a mesmíssima lógica corrupta, perversa e individualista!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ministro Joaquim Barbosa assume presidência do Supremo Tribunal Federal

Flávio Azevedo

O ministro Joaquim Barbosa assinando o termo de posse.
O Supremo Tribunal Federal (STF) tem novo presidente. O ministro Joaquim Barbosa, que foi empossado como chefe da mais alta corte da Justiça brasileira na tarde dessa quinta-feira (22/11). Mineiro de Paracatu, Joaquim Benedito Barbosa Gomes é o primogênito de oito irmãos. Filho de um pedreiro e de uma dona de casa, depois da separação dos seus pais, ele foi, aos 16 anos, sozinho, para Brasília. No Distrito Federal ele comeou trabalhando na gráfica do Correio Braziliense. Sempre estudando em colégio Público, ele terminou o segundo grau. Se formou em bacharel em Direito pela Universidade de Brasília, onde fez mestrado em Direito do Estado.

Foi Oficial da Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (1976-1979), tendo servido na Embaixada do Brasil em Helsinki, na Finlândia. Estudou na França e concluiu o mestrado e o doutorado em Direito Público, pela Universidade de París. Foi visiting scholar no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia, de Nova York e na Universidade da Califórnia Los Angeles School of Law.

Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, Inglaterra, Estados Unidos, Áustria e Alemanha. É fluente em francês, inglês, alemão e espanhol. Toca piano e violino desde os 16 anos de idade. Foi indicado para o cargo de ministro do do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Lula em 2003.

“Déficit de Igualdade”

Joaquim Barbosa
No seu discurso de posse, o novo presidente do STF disse que o Brasil é marcado por um “déficit de igualdade” na Justiça. Para ele, “nem todos os cidadãos” são tratados da mesma forma quando buscam o Judiciário.
– É preciso ter a honestidade intelectual para reconhecer que há um grande déficit de Justiça entre nós. Nem todos os cidadãos são tratados com a mesma consideração quando buscam a Justiça. O que se vê aqui e acolá é o tratamento privilegiado – declarou.

Segundo Barbosa, se o acesso ao Judiciário não se tornar mais igualitário e eficaz, ele “suscitará um espantalho” capaz de afugentar investimentos.
– O que buscamos é um Judiciário célere, efetivo e justo. De nada vale o sofisticado sistema de informação, se a Justiça falha. Necessitamos tornar efetivo o princípio constitucional da razoável duração do processo. Se não observada estritamente e em todos os quadrantes, o Judiciário nacional, suscitará, em breve, o espantalho capaz de afugentar os investimentos que tanto necessita a economia nacional – disse.

Ele afirmou que os magistrados devem levar em conta as expectativas da sociedade em relação à Justiça e disse que não há mais espaço para o juíz “isolado”. Para Barbosa, o magistrado precisa considerar os valores e anseios da sociedade. “O juiz deve, sim, sopesar e ter em conta os valores da sociedade. O juiz é um produto do seu meio e do seu tempo. Nada mais ultrapassado e indesejado do que aquele juiz isolado, como se estivesse fechado em uma torre de marfim”, disse.

O ministro destacou a preferência por um Judiciário “sem floreios” e “rapapés” e com compromisso com a eficácia. “Justiça que falha e não tem compromisso com sua eficácia é Justiça que impacta direta e negativamente a vida dos cidadãos”. Sobre a situação institucional no Brasil, ele afirmou que o país soube construir instituições que podem servir de modelo internacional.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Comunismo x Capitalismo – Capitalismo x Comunismo

Flávio Azevedo

Omega Red representa a loucura russa.
Poucos minutos depois das minhas postagens (Facebook e Blog) que tem como personagem principal, o ilustre riobonitense, Astrojildo Pereira, fundador do Partido Comunista Brasileiro, eu recebo telefonemas, e-mails e comentários sobre o assunto, sobretudo em relação aos motivos que levam esse personagem a não ser mencionado, principalmente na sua terra natal. Como sempre, o Capitalismo e os seus tentáculos, a mídia vendida, por exemplo, são os grandes culpados pelo ostracismo que é dado a “Estrela Vermelha de Rio Bonito”, ou simplesmente Astrojildo Pereira.

Entretanto, sem querer ser advogado do Diabo, mas nomes como Joseph Stalin, líder comunista que substituiu em liderança Vladimir Lenin, muito contribuiu para que o ocidente olhasse para a URSS com antipatia. Aliás, será que Lênin realmente morreu de morte natural? E por que a historia contada pelo Capitalismo não destaca, a providencial e importante entrada do exército soviético na 2ª Guerra Mundial? Exército esse liderado por Stalin!

Se os EUA são escrotos e colonizam através da Indústria do Cinema, do estímulo ao consumo e vendem a ideia de que os comunistas comem criancinhas, sujeitos como Stalin, Nikita Khrushchov, Aleksei não sei das quantas, entre outros, são “camaradas” que muito fizeram para que o regime fosse olhado com repulsa, sobretudo aqui nos trópicos.

Basta pensar que o tal do Stalin mandou um retardado mexicano assassinar Leon Trotsky, única e exclusivamente, para se garantir no comando das Repúblicas Socialistas Soviéticas (a liderança de Trotsky punha dúvidas ao estilo Stalin de governar). Concordo que algo semelhante os EUA fizeram ao dar apoio as Ditaduras Militares dos anos 60 e 70 nas Américas, do Sul e Central. Entretanto, apenas as aberrações vermelhas são conhecidas mundo afora. Já as atrocidades do Capitalismo, que ainda hoje fazem milhares de vítimas, passam despercebidas.

O Super Homem é indestrutível, servil ao Estados Unidos, mas enfraquece diante de uma pedra "vermelha".
E, por quê? Simples: caso os soviéticos tivessem esquecido essa bobagem de ir à lua e criassem uma Hollywood vermelha, é possível que o comunismo não fosse olhado com asco por alguns e chacota por outros (na atualidade). Concluindo, não podemos deixar de comentar que os políticos e chefes de Estado, sejam eles de orientação “Capitalista”, “Comunista”, “Socialista”, ou qualquer outra ideologia, são rigorosamente iguais num aspecto: “são totalmente desprovidos de bom senso”.

O Comunismo não é respeitado, porque ao contrário do Capitalismo, ele não usa o lúdico, o entretenimento e o espetáculo para fazer as pessoas assimilarem os seus valores. A seriedade e a severidade do regime russo, por exemplo, ao contrário do que era pregado por Karl Marx e Engels (idealizadores do comunismo), se aproxima muito do que vemos no Oriente Médio, onde existe um sincretismo entre política e religião. Essa junção cria fanáticos fundamentalistas que optam pela lógica do Terrorismo.

O Capitalismo também tem os seus fanáticos, fundamentalistas e eles continuam aterrorizando o mundo. Estamos falando de personagens criados pela Indústria Cultural e pela Cultura do Espetáculo. Eles fazem rir, divertem e, sobretudo, desviam ou amortecem o foco do espectador dos problemas sócio-políticos de um povo. O Capitalismo escamoteia a realidade, ele cria heróis (estadunidense sempre), cria vilões (comunistas ou terroristas), cria idiotas e alienados (representando a sociedade mundial) etc. Ou seja, o “American Way Of Life”, mundialmente, acaba sendo assimilado de maneira fortuita e despretensiosa.

Os quadrinhos e suas mensagens... Seriam subliminares?

O "bom" Colossus é russo e trabalha para o EUA.
O Super Homem foi criado em 1938. É um ser que além de ter a capacidade de voar, tem força descomunal, resistência, velocidade, visão de calor e raio-x e um sopro gelado. A sua única fraqueza é a Kriptonita, elemento que coincidentemente é vermelho. Indestrutível, ele poderia denominar o planeta. Todavia, o Super Homem é extremamente servil, sobretudo aos ideias estadunidenses. Em vários momentos ele voa segurando a bandeira estadunidense, que tem as mesmas cores do uniforme do “homem de aço”.  

O Ômega Red é um psicopata mutante russo utilizado como assassino pelo governo soviético durante a Guerra Fria. Como aconteceu com Wolverine, o seu corpo recebe melhorias e tentáculos de adamantium. A sua vestimenta é vermelha e na região frontal ele usa uma espécie de tiara onde está desenhado um dos simbolos do Comunismo.

Outro personagem de origem russa, mas que por conta de uma série de fatores luta contra as atrocidades dos líderes políticos do seu país é Colossus. Ele é um dos X-Mens. Embora seja uma figura aparentemente impotente (quieto e tímido, honesto e inocente), quando estimulado se transforma num gigante metálico de força descomunal, mas sempre preocupado em servir e fazer o bem.

Astrojildo Pereira, a “Estrela Vermelha de Rio Bonito”

Flávio Azevedo

Astrojildo Pereira, a "Estrela Vermelha de Rio Bonito".
Os meses de outubro e novembro deveriam ter uma significação maior para o povo riobonitense. Fazemos essa afirmativa porque nesses meses surge e desaparece a “Estrela Vermelha de Rio Bonito”. Estamos falando de Astrojildo Pereira Duarte Silva, conhecido como Astrojildo Pereira, ou simplesmente “Jildo”, como era chamado pelos amigos. Ele nasceu em Rio dos Índios, em Rio Bonito/RJ, no dia 8 de outubro, de 1890 e faleceu no Rio de Janeiro, em 20 de novembro de 1965. Foi escritor, jornalísta, crítico literário e político, sendo o fundador, em 1922, do Partido Comunista do Brasil, à época, Partido Comunista Brasileiro.

Era filho de Ramiro Pereira Duarte Silva e Isabel Neves da Silva. Descendente de portugueses, o seu pai, chamado coronel Ramiro, foi médico, político combativo, comerciante de bananas, fazendeiro e proprietário de uma pequena indústria, sempre atuando em Rio Bonito e Niterói. A situação abastada da família permitiu que a “Estrela Vermelha de Rio Bonito” estudasse em boas escolas da região. Assim, em 1903, com apenas 13 anos, ele foi para o Colégio Anchieta, educandário de orientação religiosa jesuítica, em Nova Friburgo. Pensou em converter-se, mas acabou por se afastar da religião.

Nesse tempo ele já estudava no Colégio Abílio, em Niterói, iniciando os seus passos na literatura, com a participação, ainda em tenra idade, de grupos culturais, onde demonstrava os seus pendores para as letras, principalmente as poéticas. No terceiro ano colegial, abandona os estudos e passa a devorar os autores clássicos, como Euclides da Cunha, Raul Pompéia, Graça Aranha e Machado de Assis. Mais tarde, em depoimento, diz não ter sofrido influência destes escritores.

No ano de 1908, Machado de Assis agonizava. A “Estrela Vermelha de Rio Bonito”, ainda um jovem desconhecido, visita o célebre escritor, no Cosme Velho e lhe beija a mão. Este gesto é relatado por Euclides da Cunha que, com outros célebres, presenciaram o gesto. A confirmação de quem era o menino foi feito por Heitor Ferreira Lima e, só na década de 1940 é que o próprio Astrojildo permitiu a divulgação do ocorrido, através da biógrafa de Machado de Assis, a escritora Lúcia Miguel Pereira.

Em 1910, como entusiasta da Campanha Civilista, participa de comícios, passeatas e atos públicos em favor da campanha de Rui Barbosa à Presidência da República. Abalado com esta decepção política – a derrota do Águia de Haia em sua pretensão e o insucesso da Revolta da Chibata – e pela perda da fé religiosa, Astrojildo adota as ideias do Anarquismo. Passa a freqüentar o Centro de Resistência Operária, em Niterói, militando politicamente como colaborador no jornal Guerra Social. Os anarquistas Malatesta, Kropotkin, Bakhunin e Sebastian Faure, entre outros, são suas leituras cotidianas.

Em 1913, juntamente com o seu amigo Edgard Leuenroth, participa do 2º Congresso Operário Brasileiro e, com o advento da 1ª Grande Guerra, em 1914, condena o belicismo europeu. São inúmeros os seus artigos nos jornais A Barricada, Clarim e Voz do Pedreiro – órgãos de divulgação dos operários brasileiros. Com a vitória da Revolução Bolchevique (Outubro de 1917), junto com Lima Barreto ele condena a 1ª Grande Guerra Mundial e enaltece a conquista soviética. Escreve diversos artigos de grande empolgação pela nova ordem criada com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, tendo à frente Lênin, como sua maior expressão. Jornais, como O Debate e a revista ABC, tornam-se instrumentos desta temática, principalmente a respeito das greves operárias de 1917 e 1918, no país.

Em fevereiro de 1918, lança um folheto, com o título de A Revolução Russa e a Imprensa, sendo a primeira publicação de defesa da Revolução Bolchevique, usando, naquela data, o pseudônimo de Alex Pavel. É bom lembrar, que além deste, Astrojildo utilizou outros pseudônimos, como Tristão, Aurélio Corvino, Juca Pirama e Pedro Sambe – prática notória na época, principalmente por parte dos anarquistas.

Nesta mesma época, 1918, exercia a redação dos jornais Crônica Subversiva e O Germinal, tendo sofrido, então a sua primeira prisão, quando da greve dos trabalhadores de transporte da Cantareira. Como sabemos, esta ligação era via marítima, entre o Rio de Janeiro e Niterói. Pouco tempo depois, libertado, se une a José Oiticica, Agripino Nazaré e outros da ala anarquista, objetivando a tomada do poder. Às vésperas do levante, por denúncia de um tenente do Exército, novamente é preso, junto com mais 13 companheiros.

Fora da prisão, em 1919, integra o grupo que fundou o Partido Comunista Libertário, dirigindo o jornal Spartacus, órgão oficial dos libertários comunistas. Entretanto, ocorreu a cisão do movimento anarquista, tendo em vista uma parte apoiando o movimento revolucionário soviético e outro não aceitando o movimento de outubro. A “Estrela Vermelha de Rio Bonito” colocou-se em favor dos bolcheviques. O controvertido embate colocou de um lado, Astrojildo, que utilizou as páginas de O Internacional e, de outro, Edgard Leuenroth, utilizando-se do jornal A Plebe. Isto tudo, entre os anos de 1920 a 1922.

Já em 1920, assume a direção do jornal Voz do Povo, da Federação Operária do Rio de Janeiro, e, a partir de 1921, iniciou uma série de reuniões, visando a adoção de um “novo movimento revolucionário de amplitude histórica”. Assim, em novembro de 1921, criou-se o Grupo Comunista do Rio de Janeiro, tendo à frente Astrojildo e mais doze membros. Como parte da estratégia, lançou-se, em janeiro de 1922, a revista Movimento Comunista, de grande circulação nos sindicatos operários.

Fundadores do PCB, entre eles Astrojildo Pereira.
Em 1922, esse grupo se reúne em Niterói, entre os dias 25 e 27 de março, organizando o Congresso de Criação do Partido Comunista. Os principais articuladores: Abílio de Nequete (barbeiro), Astrojildo Pereira (jornalista), Cristiano Cordeiro (contador), Hermogêneo Silva (eletricista), João da Costa Pimenta (gráfico), Joaquim Barbosa (alfaiate), José Elias da Silva (funcionário público), Luis Peres (operário vassoureiro), Manuel Cendón (alfaiate). A última sessão dessa fundação foi realizada na casa onde residiam os pais de Astrojildo, em Niterói.

No ano de 1924, já como secretário geral do PCB, viaja para Moscou, enviando as suas famosas “Cartas da Rússia”, para os jornais O Paiz e Solidário. O ano de 1925 marca a confirmação dele como secretário geral, pelo II Congresso do PCB. Inicia-se a publicação do jornal A Classe Operária, órgão oficial do partido, tendo Astrojildo Pereira e Octavio Brandão, como seus redatores. E, nesse mesmo ano, a Comissão Central Executiva do PC destaca Astrojildo para o seu contato com Luís Carlos Prestes, em Puerto Suarez, na Bolívia, onde este se encontrava após sua famosa e histórica “Coluna Prestes”. Este encontro e o que foi conversado, Astrojildo publicou no jornal A Esquerda, dirigido por Pedro Mota Lima, em janeiro de 1928, ano em que, por ocasião do VI Congresso da Internacional Comunista, em Moscou, foi eleito membro da sua Comissão Executiva.

No III Congresso do PCB, Astrojildo foi duramente criticado pela linha política adotada durante sua gestão e as divergências internas se apresentaram de maneira contundente para a “Estrela Vermelha de Rio Bonito”. Isto foi reflexo das tratativas divisionistas iniciadas em meados de 1928. Entre os meses de fevereiro de 1929 a janeiro de 1930, em Moscou, na Internacional Comunista, com a presença de Astrojildo, o PCB foi acusado de “direção fraca” e de “composição pequeno-burguesa”. De volta ao Brasil, completamente desorientado e abalado, trouxe em sua bagagem, por orientação do VI Congresso, a promessa de “combate ao trotskismo e a necessidade de acelerar a proletarização do Partido”. Isto significou, tanto para Astrojildo como para os outros membros da cúpula do PC, a decisão irrefutável de agir e fazer-se valer de operário. O chamado “obreirismo intransigente” atingiu em cheio o Partido.

Em 1930, por decisão do Comitê Central, é afastado da Secretaria Geral, acusado de resistir a esta proletarização. Com efeito, deslocam-no para trabalhar junto ao Comitê Regional em São Paulo. Da capital paulista, em julho de 1931, redige uma carta que confirma o seu afastamento do PCB e a sua vontade de somente colaborar com o Partido, porém não mais fazendo parte dele. Neste mesmo ano, é preso novamente e enviado para o Rio Grande do Sul. Solto, em seguida, volta para o Rio de Janeiro e retoma o seu trabalho no comércio de bananas, negócio este herdado do seu pai.

Em abril de 1932, casa-se com Inês Dias Pereira, filha do histórico líder anarquista Everardo Dias – companheira que lhe foi sempre presente em toda a vida. Nesse ínterim, é expulso do PCB. Após esta expulsão, passou a ler e a escrever sobre várias questões políticas e literárias. Grande parte do que escreveu nos anos de 1933 e 1934 foi reunido no livro URSS, Itália e Brasil, lançado em 1935. De 1940 a 1945, intensificou as suas produções literárias, como crítico nos jornais Diário de Notícias e na Revista Diretrizes. No ano de 1944, publica a obra Interpretações, reunindo estudos sobre literatura, história, política e ensaios sobre Machado de Assis, de quem se tornou, ao longo dos anos, um dos seus maiores e mais conceituados críticos.

Em fins de janeiro de 1945, participa do I Congresso Brasileiro de Escritores, em São Paulo, como representante do Rio de Janeiro. A sua presença marcante neste evento, bem como as suas intervenções, valeram como bússola do referido congresso caracterizado pela oposição dos homens de letras à ditadura varguista. Ele foi não apenas um dos articuladores do encontro como um dos redatores da sua Declaração de Princípios. Ainda em 1945, após 15 anos ausente do PCB, volta às suas fileiras, com um pedido de readmissão. Neste ano, o PC é legalizado. Contudo, o seu ingresso só foi possível mediante a apresentação de uma carta de autocrítica, que ele mesmo fez questão de denominar “Mea culpa”. A partir daí, é designado para o cargo de diretor de duas revistas e eleito suplente do Comitê Nacional do Partido. É nessa época que assume a redação da revista mensal Literatura, surgida em 1946.

A partir de 1948, como um Ícaro, ressurge o jornalista, crítico literário e homem da política, numa intensa e significativa atividade tal como se segue: colaborador dos jornais do PCB – Imprensa Popular (1948-1958); e semanário Novos Rumos (1958-1964); diretor e redator-chefe da revista Problemas da Paz e do Socialismo; criador e diretor da revista Estudos Sociais (1958-1964); autor dos livros Machado de Assis: Ensaios e Apontamentos Avulsos ((1959), Formação do PCB: 1922-1928 (1962) e Crítica Impura: Autores e Problemas, seu quinto e último livro (1963).

Nos últimos anos de sua vida, pertenceu à Comissão Machado de Assis, designado pelo Governo Federal, para a preparação e comemoração das obras machadianas. Nesse período, retornou à União Soviética, para tratamento de saúde. Com o golpe militar de 1964, “A Estrela de Vermelha de Rio Bonito” foi preso e indiciado em diversos inquéritos policial-militares, como os relativos ao PCB e ao ISEB, bem como à imprensa comunista. Na prisão, agrava-se o seu estado de saúde e a sua libertação só ocorreu depois de intensa e significativa campanha. Esta sua detenção ocorreu em outubro de 1964, porém, só em 5 de janeiro de 1965, após 3 meses de encarceramento, é libertado, por força de habeas corpus.

Com a sua saúde debilitada, não resiste e, em 20 de novembro de 1965, aos 75 anos, a “Estrela Vermelha de Rio Bonito” deixa de respirar. Internado no Instituto Brasileiro de Cardiologia, no Rio de Janeiro, Astrojildo estava morto. Com ele morre boa parte da militância idealista do comunismo brasileiro. Seu sepultamento ocorreu no dia seguinte, em Niterói, incumbindo-se de lhe fazer a homenagem à beira do túmulo o seu grande e fiel amigo Otto Maria Carpeaux. E foi este grandioso austríaco-brasileiro que, em tempos passados, assim falou:

“Conheci Astrojildo numa tarde de maio ou junho de 1941, naquela sala pequena e sombria do edifício na avenida que servia então de redação à Revista do Brasil. Um amigo – creio que foi Octávio Tarquínio de Souza – apresentou-me um senhor pacato, ligeiramente gordinho, de bochechas rosadas; só o nome parecia indício de um passado revolucionário do meu novo conhecido, sorridente e pouco falador. Outra vez, encontrei-me por acaso. Passamos pela rua do Rosário, perto da Livraria Kosmos, e alguém que nos acompanhava chamou “do Rosário” à igrejinha na esquina da avenida. Aí o marxista Astrojildo Pereira perdeu a paciência em face do equívoco, começou a revelar conhecimentos notáveis da história local da cidade do Rio de Janeiro. “Não é esta”, dizia ele. “A Igreja do Rosário fica lá no fundo, na Uruguaiana. E o homem pacato ao meu lado, embora cidadão enamorado da sua “mui leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro”, é homem do povo. É isso mesmo. Numa noite de verão, Astrojildo Pereira despediu-se de nós outros na praça Mauá; ia tomar a barca para Niterói. “Será para assistir a uma sessão noturna de conspiradores?”, perguntei, meio brincando. “Não”, dizia um outro, “acho que pretende visitar a mãe dele que vive lá numa casinha. Esse grande revolucionário que viveu anos em Moscou, é homem afetuoso, de virtudes patriarcais, um idealista, um puro –“. De repente, Carpeaux, como que iluminado por uma inspiração, exclamou: “Astrojildo é um santo!”.

Este é, pois, um resumo biográfico do nosso querido e saudoso Jildo, que tanto nos legou de ensinamento e de esperança por este país. É dele a célebre máxima de que “é preciso sacudir pelas entranhas os cegos que não querem ver e os surdos que não querem ouvir. Entre outras razões, porque não queremos que o Brasil se transforme num país de mudos”.

Sobre a figura de Astrojildo Pereira, assim declarou o saudoso bibliófilo José Mindlin: “Sempre admirei a figura de Astrojildo Pereira, e lamentei não ter tido oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Li, entretanto, seus trabalhos, e considero-o um de nossos melhores críticos literários e pesquisadores de literatura brasileira. Admiro-o, no entanto, não somente como escritor e crítico literário, mas também por sua coragem, seriedade, e força de convicção em sua atuação política”.

Não foi por menos que sobre ele também assim escreveu o general Nelson Werneck Sodré, quando da edição, em 1963, do livro Crítica Impura: “Em Astrojildo Pereira reuniram-se algumas das mais altas, puras e nobres características a que um escritor pode aspirar: a retidão e firmeza de caráter, a coerência exemplar de pensamento, a capacidade aguda de interpretação. Esta conjugação é raríssima e, por si só, daria a dimensão excepcional desse homem que, no Brasil, recebe o respeito consagrador de todos os que o conhecem. Como criatura humana, Astrojildo Pereira representa um tipo singular em cuja personalidade se harmonizam a tolerância e a intransigência, a grandeza e a modéstia, a extensão e a profundidade: tolerância ao erro humano e intransigência na defesa de princípios; grandeza na fidelidade às convicções e na capacidade de apreender a realidade, e modéstia na conduta e no entendimento com os outros; extensão de conhecimentos que não se desligou jamais da profundidade e lhe permitiu sempre distinguir com clareza o essencial do secundário. Em nenhum outro homem, também, foi possível a conjugação entre a prática social, oriunda de uma existência inteira dedicada ao serviço de princípios, e isso o tornou testemunha da história, e a teoria a que, muito cedo, se aferrou e cujo conhecimento soube sempre aprofundar. Nesse sentido, o seu exemplo eloqüente de como a prática enriquece o espírito e permite à teoria a sua mais ampla aplicação. Por todos esses títulos, é, certamente, Astrojildo Pereira uma das maiores figuras brasileiras do século, e não vai nisso o menor exagero. Aos que o conheceram será permitido, no futuro, ostentar esse dado como motivo de orgulho”.

 Astrojildo Pereira foi uma dessas figuras que se sobressaem de tempos em tempos, rareando cada vez mais. Não se limitou a um círculo restrito de amigos e idealistas; pelo contrário, foi muito mais além disso, participando ativamente das grandes ações do seu tempo, permeando pelo seu caminho trôpego nas perseguições que fora alvo no transcurso de sua vida.

A unanimidade em torno de seus predicados o tornou célebre e respeitável, mesmo os poucos que lhe foram contra ou mesmo os que lhe não confessavam os mesmos ideais. Contudo, temos a acrescentar que foram poucos, mas poucos mesmo, os que lhe não deram crédito ou que dele disseram inverdades. Citamos, como exemplo sempre presente, os embates que ele manteve com Octavio Brandão. No auge da refrega, quando parecia que este romperia definitivamente com Astrojildo Pereira, o célebre viçosense pediu-lhe para ser padrinho de sua filha e, ainda, trazer de Moscou (“Jildo” estava de viagem à capital soviética, em 1961, para tratamento de um enfarte) alguns livros e pertences que lá deixara em casa de sua filha.

Compreender o principal fundador do PCB, seu 2º secretário-geral (o 1º, por alguns meses, fora Abílio de Nequete, em 1922) é uma tarefa grandíloqua e de fantásticas dimensões, pelo que ele representa e representou no contexto social e revolucionário em pelo menos quatro décadas do início do século XX. Toda a sua vida foi de paixão pelos seus ideais e pela sua Inês Dias.

Astrojildo Pereira é, em síntese, uma espécie de ícone da história e do pensamento socialista no Brasil. Soube, através de seus estudos e da sua ação, demonstrar as perspectivas futuristas do nosso país, na questão econômica e social, sem se perder em nenhuma hipótese, em conjecturas e sofismas. Permeou sua vida, sempre, com um comportamento irreparável, num tempo quando muitos se perdiam no rumo e na firmeza interior. Ponderado, resoluto, decisivo à toda prova, comportou-se como bravo – como poucos, mesmo quando afastado das fileiras do PCB e, ainda, no seu retorno, com a célebre “mea culpa”.

Quando da edição da obra póstuma Ensaios Históricos e Políticos, de Astrojildo Pereira, em 1979, assim se expressou o escritor e amigo Heitor Ferreira Lima: “Estatura mediana, cheio de corpo, rosto rosado, liso, cabelos louros, óculos claros de arcos de ouro cobrindo-lhe os olhos azuis vivos, sorriso franco e acolhedor, apresentava a figura simpática, atraente logo à primeira vista. Calmo, sério, falando sem pressa, tinha prosa agradável e variada. Jovial e simples, apreciava anedotas, bebendo ás vezes cerveja, nos encontros de cafés, com os companheiros. Vestia quase sempre jaquetão azul-marinho, usando palheta, o chapéu da moda. Os bolsos do paletó estavam invariavelmente cheios de jornais, em certas ocasiões carregava livro na mão. Costumava ir à União dos Alfaiates, no início da Rua Senhor dos Passos (não dando ainda comunicação com a Rua Uruguaiana), onde traduzia aos presentes, em encontros informais, artigos de La Correspondance Internationale, sobre a situação internacional, frequentemente a respeito da China, então em plena ebulição revolucionária, e da União Soviética. Não fumava e jamais falava exaltadamente. (...) Vinha todos os dias ao Rio de Janeiro, onde trabalhava em jornais de menor importância, ora como redator oura como revisor.... Não fazia ironia ou brincadeiras com ninguém; ao contrário, tratava todos com grande amabilidade. Nunca se referiu a futebol ou filmes, embora fosse freqüentador de cinemas, sua maior distração. Jamais denegriu os anarquistas e seus amigos companheiros, mantendo por eles respeito. Este é o Astrojildo Pereira que conheci”.

Mas, de toda sorte, o autodidata transformou-se numa figura querida, acolhedora e gentil – características de sua personalidade marcante. Não o vimos, nem mesmo quando das duras provas que lhe impuseram, bradar, irar e descompor os que lhe lançaram a dura pecha de “astrojildismo” – centralismo que jamais cultivou em toda a sua existência.

Imaginamos, aqui, o que seria da Academia Brasileira de Letras, que lamentavelmente não o acolheu (ou não pensou em acolhê-lo) tivessem-no em seu seio. Seria a revolução de atos consagrados da maior elevação cultural do nosso país, sem desmerecimento de tantos quantos já fizeram e fazem pela “Academia”. E podemos reafirmar, com plena convicção, sem bajulações e encômios fortuitos, que Astrojildo Pereira mereceria, mesmo “post-mortem” as honrarias de “imortal”. Fica o registro à Academia Brasileira de Letras.

Reverenciá-lo a todo instante não é jamais o culto exagerado à personalidade, mas, contudo, uma modesta (mas opulenta) homenagem pelo que ele produziu e representou em nosso panorama político e social.

Fonte: J. R. Guedes de Oliveira, ensaísta, biógrafo e historiador.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Controvérsias do "Dia da Consciência Negra"

Flávio Azevedo

A escravidão dos negros africanos é um mancha que nunca se apagará da história brasileira.
Durante as comemorações de hoje, alguns comentários engraçadinhos sobre a tal “consciência branca” foram ouvidos nas ruas e redes sociais. Sinceramente, fica a nítida impressão que as pessoas não entendem bem o que é o “Dia da Consciência Negra”. Ele realmente não muda em nada o passado, tão pouco coloca o negro – ainda vítima de inúmeros preconceitos – acima de quem tem a pele mais clara.

Entretanto, vale lembrar que essa é uma data memorial. Sim, memorial. O “Dia da Consciência Negra” é uma compensação que o Brasil – último a país a dar liberdade aos negros – presta aos povos africanos que foram introduzidos no país. Gente que foi trazida para as Américas contra a vontade e para serem escravizadas.  

A verdade é que os negros eram entregues aos traficantes de negros pelos próprios africanos. Geralmente, depois de uma guerra entre tribos africanas, a nação vencedora, para se livrar dos inimigos, vendia tribos inteiras para os escravistas. Isso, porém, não nos isenta de reconhecer o horror da escravidão que ainda existia há pouco mais de 100 anos.

O ministro do STF Joaquim Barbosa
Séculos depois da chegada dos africanos ao Brasil, nós não temos direito de nos achar brancos, amarelos, pardos, índios ou negros. Somos um povo mestiço! Podemos afirmar que o “Dia da Consciência Branca” nós comemoramos todos os dias. Para isso basta assistir o noticiário e acompanhar os inúmeros casos de corrupção, hábito que herdamos dos marginais e toda sorte de gente desclassificada que foi enviada pela coroa portuguesa para povoar o Brasil e originar os mestiços que vivem aqui na atualidade.

Apesar da falta de respeito para com os mestiços negros, os crimes mais horripilantes, como a corrupção política, por exemplo, quase sempre tem como autores os mestiços brancos. Os crimes onde os mestiços negros são protagonistas são aqueles que têm como razão a desigualdade social, geralmente fomentada pelo mestiço branco.

Podemos terminar pensando na lógica do antropólogo Roberto Damatta, para quem, no Brasil, não existe preconceito entre pobres e negros. Damatta defende que a segregação em território brasileiro não é racial, mas de classe social. O pobre branco é vítima de toda espécie de preconceito e desigualdade. Já o rico negro tem regalias e privilégios. Essa é a prova que no Brasil, diferente do que acontece nos Estados Unidos da América, a flagrante discriminação racial (brancos x negros) não existe. Por aqui o fenômeno é repetido, mas numa eterna luta de classes (ricos x pobres).

O bandido de classe média Pedro Dom.
Deveríamos pensar mais sobre isso, mas não há como cobrar reflexão de um povo mestiço e mulato. Uma civilização que não se preocupa em enriquecer através do conhecimento (Educação). Pelo contrário, a riqueza almejada por aqui é o dinheiro, instrumento que quando cai nas mãos de quem não tem Educação acaba se tornando a raiz de toda espécie de males!

Duas histórias

Nas fotos acima nós vemos Pedro Machado Lomba Neto, vulgo “Pedro Dom”, perigoso bandido carioca, que era LOURO E BEM APESSOADO. Ganhou o apelido de “Dom” dos colegas dependentes químicos com quem convivia nas esquinas da rua Prado Júnior, em Copacabana. Começou a roubar por volta dos doze anos para financiar seu vício. No começo, subtraía objetos de sua mãe.

Foram constantes as tentativas inúteis dos pais para libertá-lo do vício. Chegaram a vender um apartamento para pagar o tratamento médico e propinas para a polícia, com o objetivo de evitar sua prisão. Pedro Dom teve catorze internações em clínicas de desintoxicação até ser preso, no ano de 2001, por porte ilegal de armas.

Dom fez fama de violento. As vítimas descreviam cenas de horror. Uma mulher contou que ele chegou a colocar uma granada sobre a cabeça de uma criança para forçar as vítimas a contar onde guardavam as jóias. Ele gostava de andar com roupas de grife e tinha preferência em roubar vestimentas e calçados finos.

Poucos dias antes de completar 24 anos, Pedro Dom foi morto com um tiro de fuzil no peito no corredor de um prédio na Lagoa, bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro. Eram 4h da madrugada e ele havia acabado de "furar" com o uso de uma granada um cerco policial montado para prendê-lo na saída do túnel Rebouças (ligação entre as zonas norte e sul).

Ao contrário do "mestiço branco", Pedro Dom, está o "mestiço negro", Joaquim Benedito Barbosa Gomes, ou simplesmente Joaquim Barbosa. Natural de paracatu/MG, ele é o primeiro filho de uma família de oito irmãos. O seu pai era pedreiro e sua mãe dona de casa. Depois da separação dos pais, Joaquim ele foi, aos 16 anos, sozinho, para Brasília, onde arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense. Sempre estudando em colégio Público, ele terminou o segundo grau. Se formou em bacharel em Direito pela Universidade de Brasília, onde fez mestrado em Direito do Estado.

Foi Oficial da Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (1976-1979), tendo servido na Embaixada do Brasil em Helsinki, na Finlândia. Estudou na França e concluiu o mestrado e o doutorado em Direito Público, pela Universidade de París. Foi visiting scholar no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia, de Nova York e na Universidade da Califórnia Los Angeles School of Law.

Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, Inglaterra, Estados Unidos, Áustria e Alemanha. É fluente em francês, inglês, alemão e espanhol. Toca piano e violino desde os 16 anos de idade. Foi indicado para o cargo de ministro do do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Lula em 2003, sendo o primeiro ministro reconhecidamente negro do STF, uma vez que anteriormente já compuseram a Corte Hermenegildo de Barros e Pedro Lessa, que eram tidos como morenos.

O ministro Joaquim Barbosa foi eleito presidente do STF no dia 10 de outubro de 2012, sendo o primeiro presidente negro da Corte Suprema. No mais polêmico julgamento desde que tomou posse no tribunal, ele foi favorável a tese de que políticos condenados em primeira instância poderiam ter sua candidatura anulada, mas foi voto vencido.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O caso do goleiro Bruno deixa inúmeras lições

Flávio Azevedo

O goleiro Bruno teve a carreira interrompida por fatores extra-campo. Não é o primeiro caso e, infelizmente, não será o último a ser vítima das famosas "Maria Chuteiras". 
Quando eu comecei a pensar em garotas, o meu pai me disse a seguinte frase: “TRISTE VIDA DA VIDA DE QUEM SE METE NA VIDA DE UMA MULHER DA VIDA”. Fica muito nítido que o goleiro Bruno não ouviu, e se ouviu, não seguiu esse conselho. A história desse promissor atleta, mesmo que seja inocentado, serve de exemplo não só para jogadores de futebol, mas para todo jovem que deixa (desculpem a referência chula) a cabeça de baixo pensar no lugar da cima.

A história deixa outra dica: “todos nós, sobretudo na infância, adolescência e juventude, precisamos de um pai. A ausência desse pilar em nossa formação – às vezes também falta a mãe e o caldo entorna de vez – pode ser determinante para o futuro de qualquer pessoa!

Lona na Lua faz história em Governador Valadares


Fotos: Marllon Lopes
 
A partir da Esquerda: Lucas Madureira, Victor Hugo, Zeca Novais e Larissa Moraes.
O Projeto “Lona na Lua” continua fazendo história e se consolidando como referência cultural de Rio Bonito e região. Participando do Festival Nacional de Governador Valadares (ocorreu nesse fim de semana), eles mais uma vez arrebentaram e foram indicações aos prêmios de melhor cenário, iluminação, direção, ator coadjuvante (Bruno Siqueira) e melhor atriz (Manuela de Lellis). As premiações vieram nos quesitos melhor trilha sonora, melhor ator (Victor Hugo), melhor ator coadjuvante (Lucas Madureira) e melhor espetáculo do festival!
Vibração no palco do Festival Nacional de Governador Valadares. 
Parabéns e sucesso para essa galera que não cansa de confirmar o óbvio: quando existe seriedade, comprometimento, respeito ao público e ao próprio setor cultural, as coisas acontecem!

Atletas da Breno Eiras Jiu-Jitsu novamente no alto do pódio

Flávio Azevedo

Parte dos medalhistas posam, no pódio, com o professor Breno Eiras.
Seguindo a tradição de vitórias do esporte Riobonitense, sete atletas da Academia Breno Eiras Jiu-Jitsu, que participaram da Segunda Copa Saqua Fight GFTeam, conquistaram 10 medalhas, sendo cinco de ouro, duas de prata e três de bronze. A competição aconteceu no último dia 11 de novembro, no ginásio da Faetec, em Saquarema.

As medalhas de ouro foram conquistadas por Jhonatan Salgado (peso e absoluto), Gabriel Cardoso (peso), Victor Hugo Lourenço (peso) e Mirena Pedro (peso). As medalhas de prata foram conquistadas por Rafael de Souza (peso) e Gleison Antunes (peso). Os bronzes foram conquistados por Renan Souza (peso e absoluto) e Rafael de Souza (peso).

O destaque da campanha do time Breno Eiras, na Copa Saqua Fight, foi o atleta Rafael de Souza. Com problemas de saúde, no dia anterior a competição ele esteve internado na UPA de Rio Bonito, Rafael participou da competição e conquistou duas medalhas. Na disputa da categoria peso, sem condições físicas, ele preferiu não lutar e ficou com a prata. 

A equipe Breno Eiras aprovou a competição, destacou a organização do evento e informa que os atletas já estão concentrados nas demais competições que acontecerão nas próximas semanas em Niterói e Búzios.

Ouro em São Gonçalo

Uma galera vencedora para o Jiu-Jitsu de Rio Bonito.
No último dia 18 de novembro, a equipe Breno Eiras, participando da Copa Integração de Jiu-Jitsu, evento promovido pela Liga Gonçalense de Desportos (LGS), conquistou cinco medalhas de ouro e uma de prata. Ouro para os atletas Misael Miranda (peso e absoluto), Victor Hugo Lourenço (peso), Gabriel Cardoso (peso) e Matheus Nascimento (peso). A medalha de prata foi conquistada por Rafael Reis (peso).

domingo, 18 de novembro de 2012

Futsal brasileiro vence, cresce, mas pede socorro

Flávio Azevedo

O salonista Falcão é um dos maiores jogadores de Futsal do mundo.
Nesse domingo, 18/11/2012, terminado o jogo Brasil x Espanha (o Brasil foi campeão), Falcão, um dos maiores jogadores de Futsal do mundo, comemorou o título e falou sobre os problemas que enfrentou (contusão e paralisia facial). Já Vinícius, um dos grandes atletas da Seleção Brasileira de Futsal, manda um recado: “o Futsal precisa ser mais respeitado e valorizado. O esporte é o mais praticado do Brasil, carece de melhor organização e os jogadores precisam ser mais respeitados...”. Discurso similar foi adotado pelo técnico Marcos Sorato. A declaração, a princípio direcionada à FIFA, também deveria ser assimilada por dirigentes e políticos brasileiros.

O professor Zé Arthur
O problema sinalizado por grandes nomes do Futsal brasileiro não é de hoje e não é uma realidade apenas do Futsal profissional. Em agosto de 2009, produzimos uma matéria com o professor de educação física e presidente da Liga de Futsal de Rio Bonito, José Arthur Kleinsorgen Pinto (Zé Arthur). A época, ele afirmou que o Futsal da cidade poderia estar com os dias contados, se a Prefeitura Municipal não apoiasse a modalidade.

De acordo com Zé Arthur, se a situação persistisse, “o futsal acompanharia a decadência que atingiu o futebol de campo, que embora, às vezes, apresente alguns lampejos, não consegue motivar o torcedor”. A época, ele também se queixou da sua ausência na organização do Circuito Municipal de Indústria e Comércio, de 2009. Esse ano, 2012, a competição sequer aconteceu, o que frustrou atletas (masculino e feminino) e torcedores riobonitenses.

Uma rápida pesquisa na internet mostra uma série de municípios em todos os estados brasileiros com a mesma queixa: “falta de incentivos e respeito ao Esporte”. Não é de hoje que apontamos a importância desse setor como forma de combater a indústria que mais crece no Brasil: “o tráfico de drogas”, que se aproveita da ociosidade de crianças, adolescentes e jovens para recrutá-las para o crime e/ou submundo.

O tetra campeão Romário
Em 2011, o craque do tetra, o ex-jogador Romário Farias, hoje, deputado federal, ao comentar os investimentos para a Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016) – serão realizados no Brasil – , criticou a “roubalheira” e disse ser o Esporte e a Educação, instrumentos importantes.
Mesmo tendo a rotina de um grande jogador, eu nunca deixei de me informar, estudar. Vim de uma família muito humilde. Nasci na favela. Meu pai, que está no céu, e minha mãe ralaram para me dar além de comida, Educação. Consciência das coisas… Não só joguei futebol. Frequentei dois anos de faculdade de Educação Física. E dois anos de moda – revelou o baixinho, acrescentando que “a sede de conhecimento lhe deu preparo para ser uma pessoa consciente e preparada para a vida”.

Ainda sobre a postura do poder público nessa questão de incentivo ao Esporte Educação, setores que devem sempre andar de mãos dadas, Romário disse que “o Brasil só vai deixar de ser um país tão atrasado quando a educação for valorizada”. Para ele, o professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. “O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a Educação e seus professores”. O tetra campeão chegou a destacar que não interessa aos poderosos, uma população que não seja ignorante e frisou que “há quem se beneficie disso”.

sábado, 17 de novembro de 2012

Ainda sob o impacto da perda de um colega time de Kickboxing conquista 25 medalhas

Flávio Azevedo

Depois da conquista, os atletas do time de Kickboxing do RBAC homenagearam o colega falecido.
A perda do colega Lucas Borges Pereira, que faleceu no último dia 5 de novembro, não desanimou os praticantes de Kickboxing do Rio Bonito Atlético Clube (RBAC). Como forma de homenagear o companheiro, a equipe faturou, 25 medalhas (18 ouros, 6 pratas e 1 bronze) e o terceiro lugar por equipes, no Campeonato Estadual de Kickboxing. A competição aconteceu no Clube Tamoio, em São Gonçalo, no último dia 11 de novembro.

As medalhas conquistadas foram dedicadas ao colega falecido e serviu de motivação para o grupo participar do Pan Americano de Kickboxing, que acontece em Foz do Iguaçu, no Paraná, entre os dias 6 e 9 de dezembro. A expectativa é terminar 2012 em alto nível e se preparar para tornar os atletas do RBAC ainda mais competitivos em 2013.

“Uma perda”

Lucas era um dos grandes medalhistas da equipe de Kickboxing no RBAC.
O atleta Lucas Borges Pereira, tinha 18 anos, morava em Tanguá e era um dos principais medalhistas da equipe de Kickboxing do RBAC. Ele faleceu depois de se envolver num acidente de moto no dia 3 de novembro, em Tanguá. Socorrido, Lucas foi hospitalizado, mas não resistiu os traumas e faleceu.
– Perdemos um grande companheiro. Ele era vencedor, sempre conquistava medalhas nas competições que participava e vai fazer muita falta ao nosso grupo. Foi uma perda lamentável – comentou o professor de Kickboxing Ronaldo Augusto.

No seu perfil no Facebook, Lucas recebeu inúmeras homenagens. Uma das pessoas que lamentou a perda do atleta foi Luana Araújo. Ela escreveu sobre a falta do amigo, a tristeza pela perda e destacou a saudade que sentia do colega. “Você se foi... Mas vai deixar saudades. Faleceu um grande amigo... Ele era brincalhão, sorridente e muito mais. Não estou acreditando que se foi... A ficha não caiu. Vou ficar com Saudades... Você nunca vai sair do meu coração”. Já o amigo Fabrício Sampaio declarou o seu inconformismo e escreveu que “Lucas foi o melhor amigo do mundo. Esteja onde estiver você vai ler que todos nós te amamos muito”.

Medalhistas

Medalha de Ouro

Rafaela Castilho (3);
Luciano Ferreira (2);
Misael Miranda (2);
Tífany Carvalho (2);
Jorge Roberto Cadilho;
Thiago Castilho;
Daniel Sobrinho;
Renato Ribeiro;
Roberta Silva;
Evelyn Castilho;
Gabriel Henrique;
Robson Mendonça;
Arthur Valgueiro;

Medalhas de Prata

Leonardo Magalhães;
Josué Souza;
Ramires Gonçalves;
Jonas Mendonça;
Gabriel Henrique;
Arthur Valgueiro.

Medalhas de Bronze

Leonardo Magalhães.