domingo, 22 de novembro de 2015

Igreja Adventista do Sétimo Dia de Rio Bonito completa 56 anos

Flávio Azevedo 
Pioneiros da Igreja Adventista do Sétimo Dia central de Rio Bonito. A partir da esquerda: Otília Azevedo, Joel Azevedo, Nelson Azevedo, Izequias Azevedo, Ruberval Lopes e Diolinda Vieira (filha de Joaquim - tem o mesmo nome da mãe).
A Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) de Rio Bonito, denominação religiosa que somente no templo central conta com cerca de 250 membros, completa nesse mês de novembro 56 anos. A denominação está em Rio Bonito desde 1959! A igreja começou na Serra do Sambê, na casa do lavrador e comerciante, Joaquim Azevedo. Os trabalhos começaram com uma escola filial da denominação. O primeiro contato do pioneiro Joaquim Azevedo com a mensagem Adventista foi em 1912, quando colportores (vendedores de livros religiosos) passaram por Rio Bonito apresentando as doutrinas da referida denominação.

Com apenas 10 anos, o pequeno Joaquim era membro da Igreja Batista, uma congregação que funcionava no alto da Serra do Sambê. Apesar da tenra idade, ele nunca mais esqueceu as palavras dos vendedores de livros, que entre outras coisas, comentaram a doutrina mais distintiva dos adventistas: o sábado como dia sagrado. Posteriormente, na década de 20, ele frequentou um grupo adventista que realizava reuniões na localidade de Cachoeira dos Bagres. Somente em 1959, à época com 57 anos, Joaquim decidiu seguir fielmente a IASD e manter um templo da denominação.

Os pioneiros, Joaquim Azevedo e Diolinda Vieira. 
A IASD Central de Rio Bonito começa nascer numa conversa informal entre Osvaldo Portilho e Joaquim Azevedo. Entre outros assuntos, eles dialogaram sobre uma IASD que existia em Braçanã, localidade de Rio Bonito. “Por lá tem um missionário chamado Ciro Raton, ele lidera um grupo de adventistas e faz reuniões muitos boas”, contou Osvaldo. Ao lado do filho Joel Azevedo, hoje, com 89 anos, Joaquim foi a Braçanã, conheceu o grupo de adventistas, ficou entusiasmado com o que viu e tomou o propósito de formar um grupo adventista na Serra do Sambê, onde morava. Na solenidade que celebrou os 56 anos da igreja, Joel Azevedo, presente ao evento, lembra como foi aquele dia.
– Papai estava muito entusiasmado. Fomos para Braçanã a cavalo. Usamos um caminho que existe pelo alto da Serra do Sambê e quando chegamos lá encontramos um grupo muito animado e uma igreja lotada. Ficamos impressionados e papai de imediato decidiu que convidaria o missionário Ciro Raton para organizar um grupo em nossa casa – lembra Joel, que é responsável pela primeira pessoa que aceitou a mensagem Adventista.

Joel Azevedo e Ruberval Lopes, o primeiro converso
Os organizadores da cerimônia que comemorou os 56 anos da Igreja Adventista promoveu um encontro entre Joel Azevedo e Ruberval Lopes, hoje, com 82 anos. Passados 56 anos, a conversa que fez Ruberval ingressar na IASD está bem viva na mente de ambos. “Eu ouvi Joel falar sobre a eminente volta Jesus, ele me convidou para participar das reuniões que estavam acontecendo na casa do seu pai; e o meu coração ficou tremendo diante daquelas informações”, narrou Ruberval.

Crescimento

A primeira formação da Igreja Adventista do Sétimo Dia central de Rio Bonito. O ano é 1959 e essa imagem foi fotografada em frente a pequena igrejinha da Serra do Sambê.
O grupo de crentes só aumentava. Por isso, as reuniões que tiveram início na sala da casa de Joaquim Azevedo foram transferidas para uma casa ao lado, também de propriedade do pioneiro. O volume de pessoas continuou crescendo e para oferecer maior conforto as pessoas, ele teve que derrubar a pequena casa e construir um templo. O passar do tempo e o aumento do número de adventistas fez com que eles mudassem novamente, agora, para o Centro de Rio Bonito. O novo templo foi erguido na Rua Nilo Peçanha, nº 110, onde funciona até hoje. Ao completar 56 anos, a Igreja Adventista do Sétimo Dia de Rio Bonito é responsável pelo surgimento de outras igrejas, em Rio Bonito e municípios vizinhos.

Os Adventistas do Sétimo Dia
  
Pioneiros mileritas que formaram a Igreja Adventista do Sétimo Dia a partir de 1844.
A IASD tem como um dos seus pilares a mensagem do apóstolo João escrita no capítulo 14, versos 6 e 7 do Apocalipse. “Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que assentam sobre a Terra, e a cada nação e tribo e língua e povo, dizendo em grande voz: “Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo e adorai aquele que fez o céu, a terra e o mar e as fontes das águas””.

Segundo a história, a partir de meados do século XIX, inúmeros despertamos religiosos aconteceram pelo mundo, sendo o principal deles nos Estados Unidos. Inicialmente chamados somente de Adventistas, o grupo recebeu esse nome porque aguardavam o advento (volta) de Jesus para o ano de 1844. O seu principal líder era o pregador Batista, Guilherme Miller, que depois de fazer algumas contas e somas temporais embasadas em versos bíblicos concluiu que Jesus voltaria para purificar a terra em 1844.

Mas Jesus não retornou na data esperada. Segundo o livro “História do Adventismo”, de C. Mervyn Maxwell, as contas de Guilherme Miller estavam exatas, mas apontavam para outro acontecimento profético. Todavia, desapontados com o fato de Jesus não ter voltado, quase todos os mileritas (seguidores das pregações de Guilherme Miller) desanimaram da fé. Porém, um pequeno grupo estava convencido de que alguma coisa não estava correta e seguiu orando e buscando orientação divina que explicasse o que aconteceu. Eles estudaram diligentemente a Bíblia e acabaram entendendo que os números estavam corretos, mas não apontavam para a volta de Jesus.

Nessa série de estudos da Bíblia, eles encontraram os Dez Mandamentos, um preceito que afirma ser sagrado o dia do sábado (Êxodo 20: 8 a 11). Chamou a atenção desses estudiosos, que nove mandamentos são respeitados por todas as denominações do cristianismo, mas o quarto mandamento, que recomenda “lembra-te do dia de sábado para santificar”, é ignorado. Aquele pequeno grupo de pessoas entendeu que Jesus vai voltar, mas não existe uma data definida para isso na Bíblia. Eles decidiram adotar o sábado como um dia sagrado.  A junção dessas duas crenças, a espera pela volta de Jesus e a observância do sábado como dia sagrado, definiu o nome da igreja como Adventista (esperam a volta de Jesus) do 7º Dia (entendem o sábado como dia sagrado).

O movimento Adventista do Sétimo Dia nasce em 1844, nos Estados Unidos, a partir dos mileritas que passaram pelo “Grande Desapontamento” (Jesus não voltou como esperavam). Aqueles que permaneceram se organizaram, tiveram novos entendimentos em relação a volta de Jesus e se organizam como igreja em 21 de maio de 1863. A denominação cresceu e no ano de 1874, o pastor J. N. Andrews, um dos líderes do movimento, leva a mensagem Adventista do Sétimo dia para a Europa (Inglaterra e Suíça), se tornando o primeiro missionário da denominação fora dos Estados Unidos. Atualmente os Adventistas do Sétimo Dia estão presentes em todos os continentes do planeta e são cerca de 17 milhões.

Adventistas do sétimo dia no Brasil 
Primeiros Adventistas do Sétimo Dia no Brasil, na localidade de Palo Alto, em Santa Catarina.
As primeiras notícias da mensagem Adventista do Sétimo Dia no Brasil vêm da Região Sul. Em Gaspar Alto-SC, famílias de origem alemã tiveram o primeiro contato com literaturas da IASD. Os livros, impressos em alemão, chegaram ao porto de Itajaí. O fato desse trecho do país ser povoado por muitos alemães facilitou a compreensão das mensagens contidas nesses livros. O pioneiro da denominação, no Brasil, é Guilherme Belz. Quando Albert B. Stauffer, primeiro missionário enviado ao Brasil, chega a São Paulo; já havia guardadores do sábado em solo brasileiro. Em 1894, Albert Bachmeier também chega ao Brasil e encontra observadores do sábado em Brusque e em Gaspar Alto, onde foi organizada a primeira Igreja Adventista do Sétimo Dia, em 1895.

Segundo Michelson Borges, pastor e jornalista que escreve sobre “O Adventismo no Brasil”, os estados de Santa Catarina, Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro são os primeiros a abraçar a fé Adventista do Sétimo Dia. Em muitos lugares, os missionários chegavam apenas para batizar as pessoas e organizar as igrejas, porque eles já observavam o sábado como dia de guarda e falavam da volta de Jesus. Mas como eles conheciam tudo isso antes da chegada dos missionários? Através dos livros denominacionais que chegavam aos portos brasileiros. Em muitos lugares, embora não houvesse igreja organizada, as pessoas já se reuniam por terem a mesma fé.

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