quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

"O Brado Retumbante"

Texto: José Armando Vannucci
Adaptação: Flávio Azevedo

A TV Globo passa a partir da próxima terça-feira (17/01), a minissérie “O Brado Retumbante”. Tem tudo para ser mais um “tapa na cara” da sacanagem que transita nos bastidores dos três poderes (Judiciário, Legislativo e Executivo) sem ser importunada, inclusive pelo subserviente provo brasileiro. Se for do nível de “Na Forma da Lei”, será interessante assistir!

Escrita por Euclydes Marinho com a colaboração de Nelson Motta, a minissérie vai falar de poder e dos defeitos e virtudes do ser humano através de um olhar crítico do próprio país. “O Brado Retumbante” conta a história de Paulo Ventura, presidente de um Brasil que não existe somente na ficção (será?). No posto máximo de poder ele encontra sujeira, falcatruas e ameaças, mas promete a seu povo mudar o cenário.

Na história do Paulo Ventura, ele vivia uma fase desanimada como homem público, mas acaba sendo eleito presidente da Câmara dos Deputados por uma manobra dos congressistas. O objetivo era fazer dele um fantoche do sistema, mas algo dá errado.

Além de mostrar às sacanagens que permeiam o poder – responsável pela interessante desigualdade social – a minissérie mostra o que homens e mulheres são capazes de fazer por dinheiro e poder. Também vai deixar muito nítido aos espectadores que os grandes inimigos estão bem próximos: nos gabinetes da República.

É nesse clima que os oito episódios da minissérie serão levados ao público. “O Brado Retumbante” provocará e fará uma crítica ao país, mas será dramaturgia de ficção e no final de cada capítulo terá a frase “esta é uma obra de ficção coletiva baseada na livre criação artística e sem compromisso com a realidade”.

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Eleições que definirão novos conselheiros tutelares tanguaenses acontecem dia 12 de fevereiro


A Prefeitura Municipal de Tanguá, através da Secretaria Municipal de Assistência Social, Trabalho e Habitação (SEMASTH) avaliou, no último da sete de janeiro, o conhecimento sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) dos 16 pré-candidatos ao Conselho Tutelar em Tanguá. A avaliação aconteceu na Escola de Qualificação Profissional Padre Cláudio Bourgeois. No próximo dia 12 de fevereiro a população irá às urnas escolher os novos conselheiros.

Sob a fiscalização do Ministério Público representado pela promotora, Rhamile Sodré de Oliveira Teixeira dos Santos, membros do Conselho Municipal dos Diretos da Criança e do Adolescente (CMDCA) distribuíram as provas com questões objetivas aos pré-candidatos. Para ser aprovado o candidato deveria acertar no mínimo 50% das questões.

Mudanças nos locais de votação

Para os que votam no CIEP 252 – João Baptista Caffaro, no Colégio Estadual Antônio Francisco Leal ou na Escola Municipal Profª Paulina Porto, nada muda. Os eleitores da Igreja de Santana na Posse dos Coutinhos e da Escola Municipal de Mutuapira deverão se dirigir para a Escola Paulina Porto, no Rodo da Posse. Já os eleitores da Escola Municipal Profª Dearina Silva Machado, no Pinhão, deverão se encaminhar para o CIEP 252. Neste ano, o eleitor deverá votar em apenas um candidato.

Quem são os candidatos?

Alfeane Barboza da Conceição, Angélica Valoz Pereira Barcelo, Cheila Ledovino Franco Conceição, Elane Aparecida Barboza, Elizabeth Fraga, Lucivalda de Sousa Silva, Márcio Valério Loreno, Marilene Brandão da Silva Belarmino, Michele Máximo de Paula, Paulo de Tarso Fernandes de Souza, Rute Duarte Nicking Marinone, Silvana Cardoso Ayres de Souza, Vanderleia da Silva Coelho Moura, Vera Lúcia da Silva Souza, Vinícius da Silva, Wanderson Faria Teixeira (Wanderson Cachinho).

Fonte: Ascon/Tanguá

Estado do Rio de Janeiro regulamenta Lei da Ficha Limpa para o seu alto escalão


Foi publicada no Diário Oficial do estado desta terça-feira (10), a regulamentação da Lei da Ficha Limpa para o alto escalão de cargos públicos no Rio de Janeiro. Com isso, servidores que perderam mandatos serão proibidos de, num prazo de oito anos, ocuparem cargos em comissão de administração direta e indireta, como ex-parlamentares, ex-governadores e vice-governadores. A lei foi aprovada na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em dezembro.

Também serão impedidos de ocupar vagas no alto escalão servidores que já tenham contra si representações julgadas procedentes pela Justiça Eleitoral, em processo por abuso de poder econômico ou político ou condenados por crimes diversos. A lei também vai proibir a nomeação de ex-gestores que tiveram suas contas rejeitadas.

Entre os cargos para os quais os funcionários que se enquadrarem na Lei da Ficha Limpa do estado não poderão ser nomeados estão: secretário e subsecretário de estado; procurador de justiça; defensor público geral; presidente do Tribunal de Contas do estado; presidente do Tribunal de Justiça e conselheiro de agências reguladoras; presidente, vice, superintendente e diretores de órgãos públicos; chefe de Polícia Civil; titulares de delegacias; comandantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros; reitores e vice de universidades públicas; entre outros cargos de chefia, controle, fiscalização e gestão de órgãos públicos.

Fonte: G1

Emoção, consternação e tristeza no adeus a Dóia

Flávio Azevedo

Na presença de centenas de amigos e parentes, o funcionário público Edgar Rogério, o popular Dóia, 48 anos, foi sepultado ontem (10/01), no Cemitério Central de Rio Bonito, às 17h. Há meses ele lutava contra um câncer. Dóia estava internado há alguns dias no Instituto Nacional do Câncer (INCA), mas piorou nas últimas 48h e às 5h20min de ontem faleceu.

Uma cena que sensibilizou a todos foi o momento em que a esposa, Ana Lúcia, se aproximou do caixão, já na sepultura, e jogou uma rosa vermelha. Amparada por parentes e pelo secretário municipal de Esporte e Lazer, Ronen Antunes, em meio às lagrimas ela murmurava “quem agora vai tomar conta do nosso filho?”. Também estava presente, e amparada por parentes e amigos, dona Abigail, mãe de Dóia. Colocado na tumba, o falecido recebeu uma salva de palmas como último adeus.

“Perdemos um amigo”...

“Uma figura alegre, amiga, um companheiro para todas as horas”. É a definição mais apropriada para Dóia (foto ao lado), que possuía uma constelação de amigos. Desportista, ele era lotado na Secretaria Municipal de Esporte e Lazer da Prefeitura de Rio Bonito, “onde desempenhava as suas atividades com muito amor, dedicação e profissionalismo”, definiu o secretário Ronen Antunes, destacando que se tornou amigo particular de Dóia depois que chegou a Secretaria em março de 2010.

Além de desportista, com passagens por equipes com Rio Bonito, Motorista e Cruzeiro, Dóia também curtia uma roda de samba e era peça importante na organização do Carnaval riobonitense. Ele teve participação importante no Festival da Canção, evento realizado pela Prefeitura Municipal ano passado. Também era uma das mentes organizadoras do “Projeto Amigos” que acontecia no Mercado Municipal nas noites de sexta-feira.

O carinho dos amigos e saudade que Dóia vai deixar pode ser medido pelas mídias sociais. A foto e a notícia da sua morte, postada no Facebook, recebeu dezenas de compartilhamentos e comentários lamentando a sua partida.

Alguns depoimentos nas mídias sociais

“As vezes a vida nos faz algumas surpresas e coloca algumas pessoas especiais na vida da gente. Pessoas especiais, únicas. Irmãos mesmo! Sabe aquelas pessoas que você sabe que pode contar, mas que não estará para sempre por perto ? Pois é. O nosso amigo DÓIA é uma delas. Era assim meu amigo DÓIA. Um cara único. Ímpar. Uma pessoa humilde e honesta... De garra, fibra, persistência. Uma pessoa de família simples e muito boa, ao qual eu pude conviver o suficiente para ver o amor no coração. Obrigado por tudo meu irmão, com certeza hoje o céu está em festa com a sua chegada, vai com Deus!” Leonardo Martins.

“Saudades vai deixar no coração de todos aqueles que tiveram o privilegio de conhecê-lo! Descanse em PAZ!”. Douglas Belchior.

“Adorava ver esse camarada jogando futebol. Bom de mais! Além disso, um grande homem amigo. Camarada vai com o senhor! Descanse em paz!”. Fabiano dos Santos.

“Grande Dóia! O conheci na época do Pelerman, como puxador de samba. Trabalhei junto com ele na Bosh Nadisa, e, neste mesmo ano, também era inspetor de alunos no meu turno, da noite, no Colégio Municipal, tudo isto em 94. Nossas conversas eram sempre recheadas de bom humor, característica marcante de nosso já saudoso amigo, futebolista e sambista de coração. Sempre irreverente e bem humorado! Grande Dóia! Que o Senhor o tenha em sua misericórdia e meus sentimentos a sua esposa e familiares. Nunca os amigos te esquecerão”. José Luiz Ribeiro Neto.

“Além de grande desportista, Dóia interessava-se e atuava também na área cultural. Lembro-me dele participando de festivais da canção com grupos de samba; mais recentemente foi um dos organizadores da última edição do Festival da Canção de Rio Bonito, e organizava também, juntamente com seus companheiros de secretaria, os shows de MPB no Mercado Municipal. Uma grande pessoa! Rezemos para que neste momento ele já esteja com Deus!”. Guto Prevot.

“Sensibilizado com a notícia. Dóia jogou futebol conosco, tocou samba, foi um excelente amigo... Não esperava esta notícia! Que Deus o receba confortando a ele e aos seus familiares”. Guilherme Cordeiro.

Ordenamento urbano e baixo efetivo da PM foram os temas principais do CCS de janeiro

Flávio Azevedo

A discussão de temas que já se tornaram enfadonhos para quem acompanha regularmente as reuniões do Conselho Comunitário de Segurança (CCS) de Rio Bonito voltou a dominar o encontro de janeiro, que aconteceu no último dia nove, com a presença de cerca de 40 pessoas. O aditamento do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) celebrado entre a Prefeitura Municipal e o Ministério Público (MP), em 31 dezembro de 2004, continua sendo uma novela de péssimo gosto para os riobonitenses que almejam ver o trânsito da cidade mais organizado e a mobilidade urbana melhorada.

Outros assuntos que estão sendo abordados há cerca de três anos nas reuniões do CCS, mas as providências nunca são tomadas – embora existam legislação e condições – é o controle da propaganda volante (carros e motos de som); a linha de ônibus para o Green Valley (para que as pessoas tenham melhor condições de acesso a 119ª DP); a instalação de semáforos e sinalização vertical e horizontal; os ‘flanelinhas’ do estacionamento da Ferrovia; o Plano Diretor de Trânsito; e uma postura mais educativa da Guarda Municipal (abordagem), que estando vigilante poderia impedir a desobstrução de alguns trechos do Centro, como o cruzamento da Rodoviária (D. José Pereira Alves, Manuel Duarte e Major Bezerra Cavalcante) e a Av. Manuel Duarte em dois pontos: próximo ao Esporte Clube Fluminense e ao depósito de bebidas.

Embora os debates sobre o tema sejam constantes, a partidarização das soluções também é. Juntando as divergências partidárias e controversas opniões (nunca de especialistas, mas sempre de achistas), a desordem, fenômeno apreciado por muitos riobonitenses, sobretudo entre aqueles que fazem parte das classes dominantes e famílias ditas “tradicionais”, continua.

O presidente do CCS, Bruno Soares, disse que uma reunião será marcada com representantes da Prefeitura Municipal, mais precisamente a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, para debater essas questões. “A mesa diretora do CCS irá participar desse encontro junto com os representantes do município e os resultados, positivos ou negativos, já serão apresentados na próxima reunião do CCS (06/02)”.

Novo comando na 3ª CIA da PM

O comandante do 35º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Wagner Guerci Nunes apresentou durante o CCS, o tenente Toledo (foto), que será o novo comandante da 3ª Companhia de Polícia Militar de Rio Bonito, que estava sob o comando do tenente Diego Macedo, que também acumulava o comando das CIA de Tanguá.
– A nossa expectativa é ganhar qualidade com a chegada do Toledo. Além disso, nós criamos um controle de produtividade para que os policiais saiam da zona de conforto e apresentem resultados. O policial tem que ser participativo, estar na rua e atento ao que está acontecendo – disse o comandante do 35º BPM.

O tenente-coronel Wagner também reclamou da falta de efetivo para que a polícia apresente melhores resultados e trouxe números preocupantes. Segundo ele, o 35º BPM perdeu muitos oficiais. “A nossa realidade de efetivo mudou, mas para pior, porque nós perdemos seis oficiais e até agora nós só recebemos dois homens. Continuamos com déficit de quatro oficiais e isso é problemático”. O comandante também ressaltou a importância da participação popular na questão da Segurança, sobretudo nas reuniões do CCS.

Demais assuntos

O patrulhamento das localidades interioranas, que já havia sido tratado em reuniões anteriores (problema que ainda não foi resolvido), voltou a ser cobrado, dessa vez pelo comerciante Diógenes Miranda (foto 3), representante da localidade de Nova Cidade, no 2º Distrito. Também foi abordada a realização da 1° Conferência Municipal Sobre Transparência e Controle Social (CONSOCIAL), que acontecerá em fevereiro, ainda sem data e local definidos. O objetivo principal é a promoção da transparência pública e o estímulo à participação da sociedade no acompanhamento da gestão pública.

A ex-prefeita Solange Almeida (PMDB) comentou o não cumprimento da promessa feita em junho de 2011 pelo secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, que se comprometeu, à época (com ela e representantes da sociedade civil organizada de Rio Bonito), a aumentar o efetivo de policiais militares na cidade. Ela também lembrou que a sugestão do secretário de contratar policiais militares que estivessem de folga para o patrulhamento da cidade, não foi realizada.

A realização do 1º Fórum Municipal de Segurança Pública em Rio Bonito, que pode ser realizado em julho e será custeado pela iniciativa privada, também foi anunciado na reunião do CCS. A ideia é debater as ações direcionadas a Segurança Pública que a Prefeitura tenha condições de assumir, para, de maneira integrada com as forças ostensivas (polícias), dar excelência a essa área.

O presidente do CCS, Bruno Soares, também comentou a importância das medidas preventivas como o programa Proerd, que é realizado pela Polícia Militar através de parceria com a Prefeitura Municipal. Ele disse que os conselheiros do CCS de Rio Bonito pretendem estimular iniciativas dessa natureza e uma parceria com o ativista Alex Sander (foto 4), que há oito anos trabalha com conscientização preventiva nas escolas, através da organização “Cidadania Viva”, está sendo planejada.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Projeto “Lona na Lua” visita a Serra do Sambê

Flávio Azevedo

Os integrantes do projeto “Lona na Lua” invadiram a Serra do Sambê na tarde do último dia oito de janeiro com muita música, alegria, animação, exposição de fotografias, dança, descontração e teatro. Também aconteceu a apresentação da tradicional Roda de Capoeira, com o Grupo Raízes de Aruanda. O evento, que foi oferecido pela Secretaria Estadual de Cultura, aconteceu no Ginásio Poliesportivo do bairro, que recebeu um excelente público de todas as idades.

As atividades começaram por volta das 14h, com o espetáculo “O Casamento de Dona Baratinha”, com a dupla de atores Dirceu Michalski e Camila Triches. Embora a classificação fosse infantil, os adultos se divertiram e interagiram com os personagens, sobretudo D. Baratinha que sempre descia do palco, caminhava entre a platéia, numa postura que agradou quem assistiu. O folclórico Barnabé, morador do bairro, foi um espetáculo a parte.

Na sequência, durante cerca de 30minutos, a atração foi o Grupo de Capoeira Raízes de Aruanda. Liderados pelo capoeirista Faísca, eles apresentaram, além da tradicional Roda de Capoeira, uma Roda de Samba e a dança Maculelê, que utiliza a Grima (bastão), uma arma tribal africana que junto com os cantos da Capoeira e os atabaques dão uma beleza maior ao espetáculo da Capoeira.

Mostrando ser um evento cultural que abraça, sem distinção, todas as manifestações que estão inseridas na Cultura Brasileira, classificada pela Antropologia que estuda o Brasil, como “uma “Colcha de Retalhos”, o Grupo de Dança Lona na Lua deu sequência com os espetáculos “Dança Contemporânea” e “Os Incríveis Anos 60”. A música continuou sendo a grande atração. Dessa vez, porém, Larissa Moraes (voz e violão), apresentou “Cantigas de Roda”, com melodias que embalaram crianças e adultos.

A apresentação mais esperada, porém, era o espetáculo “Quem Casa Quer Casa”, que foi sucesso de público no Espaço Cultural Lona na Lua, no mês de dezembro; e no Grande Festival Martins Pena de Teatro Amador, que aconteceu em novembro, na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, no Rio de Janeiro. A apresentação foi classificada como uma das melhores do festival e recebeu inúmeros elogios da crítica de teatro, Alessandra Vannucci.

Do repertório de Martins Pena e adaptado por Zeca Novais, “Quem Casa Quer Casa” conta a história de uma família que tem a liderança da matriarca Dona Biana, um mulher que tem dois filhos tresloucados (Sabino e Olaia), uma nora mandona (Paulina) e um genro que pensa ser músico (Eduardo). Junto a tudo isso, um mordomo (Seu Coisinha) dedicado e esperto que dá o tempero necessário a essa comédia de costumes, que ainda conta com a participação do aplaudidíssimo Zé Cocô, que tem a interpretação de Rodolfo Freitas, que é morador da Serra do Sambê.

A crítica de Alessandra Vannucci

Para quem não teve a oportunidade de ler a crítica de Alessandra Vannucci, reproduzimos na íntegra o texto escrito por ela sobre o espetáculo “Quem Casa Quer Casa”, apresentado no Grande Festival Martins Pena de Teatro Amador.

“O teatro é, no Brasil, quase em sua totalidade teatro cômico: fenômeno de grande entretenimento, mesmo quando eivado de sátira. Neste âmbito, representativo da história dos hábitos de consumo teatral mais genuinamente brasileiros, a comédia de costume ocupa não somente o rol de fonte documental como de veiculo comunicativo ainda fluido e vivo entre palco e platéia. E jamais ele esteve mais vivo do que na obra de seu criador Martins Pena (1815-1848).

Do ponto de vista do individuo branco português que se integra à vida da colônia, Martins Pena faz a crônica das situações mais ordinárias e “reais” da cidade, inventando um seu estilo lúdico e original na descrição paritária das relações humanas, mesmo que na vigência da escravidão. Seus personagens são figuras típicas, quase farsescas; indivíduos nem bons nem maus, vistos à luz da razão; graciosas silhuetas com pouca consciência moral que, mesmo quando reivindicam os seus direitos, não perdem uma boa piada. Assim, mesmo sendo “realista”, Martins Pena faz da realidade um mero pretexto para o seu fazer teatral e baliza a noção de arte como jogo.

Uma postura que repercute e justifica plenamente os seus interpretes do Grupo Lona na Lua, cujo êxito feliz parece ser proporcional à qualidade de interação com o inesperado em cena. Desde a brilhante abertura de Quem casa quer casa, o grupo estabelece uma convenção ousada de jogo cênico, embasada na criação de imagens ao mesmo tempo solenes e engraçadas e na fala simultânea dos personagens, que tecem um “tapete” sonoro re-significado pelo som dinâmico da banda rock ao vivo.

O ritmo e o domínio de palco do grupo se estabelecem a partir desta ousadia de “inventar” o seu próprio teatro. Com ótima liberdade, temperada por uma evidente disciplina física e vocal, os atores lidam com suas partituras, quanto mais extravagantes e diversas, tanto mais orgânicas. Fartos detalhes vocais e gestuais, complexas máscaras físicas e faciais compõem personagens tão poderosamente teatrais quanto críveis e “sinceros”, ou seja dotados de uma sinceridade construída não de fora para dentro mas sim, de dentro para fora, seguindo uma intima regra de jogo em que o ator se arrisca e joga, em primeiro lugar, consigo mesmo. Mas não só.

A peça esbanja cumplicidade entre companheiros de cena – cada encontro proporcionando um duelo entre ritmos diferentes em crescendo, até o clímax de histéricas orgias sonoras e imagéticas – sublinhada por jogos (como o das cadeiras, par ou impar, boxe em câmara lenta) que, mesmo marcados, parecem estar sendo jogados “de verdade”. Diríamos que, para além da felicidade das marcas, inclusive de interação musical-cômica entre banda e interpretes, a eficiência dos atores è devida ao fato que eles mantém certa abertura ao jogo, mesmo dentro de uma partitura “marcada” e, assim, são capazes de surpreender-se, ao passo que pegam o publico sempre de surpresa.

O diálogo com a platéia é dos mais felizes. O riso quase ininterrupto dos espectadores não compromete uma reflexão mais profunda, mas também não é um amalgama homogêneo; ao contrário parece afirmar a reação de cada individualidade diante das vivíssimas frustrações, raivas, birras, terrores e desejos dos personagens.

Com o típico exagero romântico ibero-americano que, em seu fanático europeísmo, não conseguia controlar sua ânsia de se comparar, mais cedo ou mais tarde, à capital cultural do continente-modelo, Martins Pena foi definido o “Molière brasileiro”. Crédito improcedente. Seus ambientes urbanos, familiares, de contrastes miúdos entre mentalidades sociais ou entre gerações, com seu pitoresco intercalar de vernáculos e sua espontaneidade, não poderiam ter sido gerados se não no Rio de Janeiro. Suas comédias se tornam cada vez mais eficientes quanto mais se distanciam do modelo francês e mergulham no contexto familiar. Por isso, esta adaptação “carioca”, mesmo quando se permite amplas licenças cômicas e traições à letra, mantém uma fidelidade ao espírito que garante da vitalidade não esterilizada e da “cor” não desbotada deste clássico carioquíssimo, duzentos anos mais tarde, à prova do palco”.

O link da crítica de Vannucci:
http://novascenas2011.wordpress.com/2011/11/26/quem-casa-quer-casa-por-alessandra-vannucci/#comment-2

Morre Dóia, tradicional desportista riobonitense

Flávio Azevedo

Acordamos hoje com a triste notícia do falecimento do funcionário público, Edgar Rogério, o popular Dóia, de 48 anos (faria 49 anos no próximo dia 27 de março). Há alguns meses ele lutava contra um câncer. O corpo de Dóia será velado na capela da funerária Santo Antonio (ainda não chegou), no Centro de Rio Bonito. O funeral está programado para as 17h.

Segundo informações, há alguns dias Dóia estava internado no Instituto Nacional do Câncer (INCA). O seu quadro de Saúde se agravou nas últimas 48 horas e, hoje (10/01), às 5h20min, ele não resistiu a agressividade do câncer e faleceu.

A presença de Dóia na Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, certamente tinha relação com o grande desportista que foi. Ele era um dos grandes jogadores de futebol de Rio Bonito, nos bons tempos do nosso futebol (década de 80). Dóia era uma das estrelas dos estádios locais. Que Deus conforte a família enlutada!

Foto: Arquivo Ronen Antunes

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Programa “O TEMPO EM RIO BONITO” inicia 2012 recebendo riobonitenses que brilham

Flávio Azevedo

O primeiro programa “O TEMPO EM RIO BONITO” de 2012 começou o ano em alto astral. Personagens que se destacaram em 2011 foram recebidos para falar das suas carreiras, contar as emoções vividas em 2011 e comentar as suas expectativas para o Ano Novo. O programa foi ao ar no dia 08 de janeiro, pela Rádio Sambê FM (98,7). Os convidados foram o para-atleta, Carlos Augusto Barbosa e o ator Fárlei Carvalho. Também foi reproduzida uma entrevista feita com o jornalista, poeta, escritor e advogado Leir Moraes, que tomará posse da cadeira nº 9, da Academia Fluminense de Letras (AFL). A solenidade acontece no Esporte Cube Fluminense, em Rio Bonito, às 16h do próximo dia 12 de janeiro.

Depois de ser a principal atração do lançamento do livro de B. Lopes, da escritora Liâne Areas, em outubro de 2010, Leir Moraes volta a se encontrar com B. Lopes. O autor de “Bola de Gude” será empossado na cadeira que tem como patrono, o autor de “Cromos”. Os maiores inones culturais de Rio Bonito são filhos de Boa Esperança. Leir já faz parte da AFL desde de 1974, mas somente agora tomará posse.
– Em 95 de anos de existência, é a primeira vez que um evento dessa natureza acontece fora da AFL. Isso demonstra, não o prestígio de Leir, mas indica que a nossa terra, Rio Bonito, é importante no cenário cultural do estado e do país – garantiu o homenageado.

Ao vivo nos estúdios da Rádio Sambê, o para-atleta Carlos Augusto Barbosa, o Guto, de 41 anos, revelou que tinha 25 anos quando sofreu uma doença degenerativa na Coluna Cervical, chegou a pensar que iria morrer, mas com a ajuda da família e muita força de vontade conseguiu vencer a doença.
– Com a ajuda, principalmente, da minha esposa e do esporte – que eu já praticava antes de adoecer – eu superei o problema, mas a doença deixou sequelas importantes”, disse o para-atleta, que é natural de São Gonçalo e há sete anos mora no Green Valley, em Rio Bonito, cidade que ele conheceu há cerca de 20 anos.

O para-atleta é jogador da Seleção Para-Olímpica de Voleibol Sentado e no último mês de novembro conquistou uma medalha de ouro nos jogos Para-Pan-Americanos de Guadalajara. No dia 1º de dezembro, durante a abertura do Projeto Natal Bonito, ao ter a sua presença anunciada, Guto foi ovacionado pelo público presente. Já no dia 16 de dezembro, na final do Circuito de Futsal da Indústria e Comércio de Rio Bonito, ele recebeu a Medalha do Mérito Esportivo Professor Maurício Hanna Badr e novamente foi aclamado pelo público.
– Rio Bonito é uma cidade que me trata com muito carinho desde que cheguei aqui. As pessoas, as crianças, todos me dão uma atenção muito grande. A única coisa que podia ser diferente é a mobilização da sociedade, que poderia aproveitar melhor as oportunidades. A cidade tem, praticamente, uma quadra em cada bairro, mas quando eu trabalhei em algumas delas, era difícil conseguir alunos – analisou Guto, revelando que em algumas localidades ele chegou a buscar pessoas na rua para a prática de esporte.

Segundo Guto, somente as pessoas da “melhor idade” sabem aproveitar. “O restante não sabe valorizar. Reconheço que a cidade precisa melhorar bastante, mas as coisas boas não são valorizadas, o que não acontece com os projetos direcionados a Terceira Idade, que está de parabéns. “Essa galera chega junto mesmo! Eles não deixam passar uma oportunidade e isso é muito bom!”, comenta Guto, que está na expectativa de participar da Para-Olipiada de Londres e retornar, junto com os companheiros de seleção, com um resultado positivo.

Global

Já o ator Fárlei Carvalho, 31 anos, se destacou em 2011 na TV. Ele dubla a trasexual Valéria Vasquez, personagem do Zorra Total. Ele também participou da série de comédia “Os Caras de Pau” (TV Globo), tem aparecido em comerciais e também participou da Novela Ribeirão do Tempo (TV Record). Se Guto é otimista com as oportunidades que a cidade oferece, Fárlei reclama a falta delas para o setor cultural.
– Eu sei que ainda não cheguei a lugar nenhum, a minha caminhada é muito longa, mas para alcançar o meu sonho de ser ator eu precisei sair de Rio Bonito. Tenho visto a luta do ator Zeca Novais diante do projeto “Lona na Lua”. Que dificuldade ele tem enfrentado para manter o projeto em atividade – lamentou o ator, que trabalha em uma agência que presta serviço para a TV Globo.

Os entrevistados concordam que Esporte e Cultura são os melhores caminhos na luta contra a ociosidade, a criminalidade e o assédio das drogas. Os entrevistados, porém, acreditam que a presença da família, sobretudo na infância, adolescência e juventude é importante na formação do futuro cidadão. “As famílias perderam o sentido da palavra limites. A criação de hoje, talvez por conta da TV, da internet, dos estímulos em geral, é muito diferente daquela que nós recebemos. Isso tem sido um problema muito sério”.

Segundo os entrevistados, as referências e os ídolos também são problemáticos. Durante a entrevista, convidados e apresentador analisaram situações como “o que dizer para um menino que é fã do goleiro Bruno, ex-jogador do Flamengo, depois dessa questão da Eliza Samúdio?”. “O craque Neymar, bem jovem, já é pai”. “O jogador Adriano... Sempre envolvido em escândalos!”. “Mas não é só no Esporte que tem esse problema. Na política, por exemplo, quem é um bom exemplo a ser seguido?”. Isso tudo deveria ser pensado com mais cuidado pela sociedade, sobretudo, pelas famílias, segundo Guto e Fárlei.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Falta de qualificação profissional expõe perversidade política que domina Rio Bonito e região

Flávio Azevedo

Emprego, geração de renda, qualificação profissional, petróleo, bons salários, Conleste, desenvolvimento, impactos, independencia financeira, Comperj, entre outros, são termos que passaram a fazer parte do dia-a-dia dos moradores de Rio Bonito e região, a partir do anúncio de que a Petrobras viria para Itaboraí construir o Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj). Inicialmente seriam investidos cerca de US$ 8,4 bilhões no empreendimento. Porém, como a petrolífera decidiu dobrar a estrutura e a capacidade de produção do Comperj, os valores, hoje, já estão na casa dos US$ 20 bilhões.

Por conta do leque de oportunidades que irão surgir, a região do Comperj passou a ser tratada como uma mina de ouro. Se os otimistas apontam vantagens como geração de emprego e renda; bons salários; desenvolvimento; e anunciam a independencia financeira dos moradores da região; os pessimistas e céticos ressaltam que a busca por tudo isso vai elevar ainda mais a desiguldade social e trazer insoluveis e negativos problemas para setores como Meio Ambiente, Saúde, Transporte, Segurança, Habitação, Desenvolvimento Urbano, entre outros.

Pensando nisso, os líderes políticos da região se uniram em consórcio para cobrar dos governos, federal e estadual, investimentos. Foi criado, em 2006, o Consórcio Intermunicipal do Leste Fluminense (Conleste). Para não ficar de fora da mídia e dos supostos benefícios, os vereadores das cidades do Conleste (Rio Bonito, Casimiro de Abreu, Silva Jardim, Tanguá, São Gonçalo, Itaboraí, Cachoeira de Macacu, Magé e Niterói), à época, criaram a União dos Vereadores do Leste Fluminense (Uvleste).

Todavia, seis anos depois, não se vê mudanças significativas na estrutura das cidades do Conleste. No último dia cinco de janeiro, na sede da Escola de Qualificação SoldaMaster, localizada no KM-263 da BR – 101, onde era o antigo salão de festas de Magnus Buffet, a nossa reportagem participou de uma palestra sobre a necessidade da qualificação profissional para se alcançar os empregos gerados pelo Comperj. A SoldaMaster é especializada em treinamento para formação de soldadores, através de cursos, teórico e prático, nos seguintes segmentos: TIG, Eletrodo Revestido, MIG/MAG e Arame Tubular. Concluído o curso, os aprovados recebem certificado de Participação e Qualificação.

"Os empregos são muitos"

O palestrante foi o diretor da escola, o soldador Og Monteiro, que tem vasta experiência no setor, sendo um dos principais prestadores de serviço das empresas contratadas pela Petrobras para as obras do Comperj. “A nossa empresa também presta serviços de solda, temos credibilidade no mercado e a profissão de soldador é uma das mais procuradas”, disse Monteiro que fez uma revelação preocupante.
– Os empregos no Comperj são muitos, mas a carência de gente qualificada na região é muito grande. Com isso, muitos profissionais de outros estados estão sendo contratados. O Sindicato da categoria está fiscalizando – ele exige a contratação de profissionais da região –, mas como a carência é grande, ele terá que abrir mão, porque caso não faça isso, a construção do Comperj pode parar – revelou Monteiro.

Bons salários

Acompanhado dos seus instrutores, Og Monteiro comentou que “o salário do soldador, dependendo da função, pode chegar a R$ 4 mil”. Ele contou a história de um dos seus ex-alunos.
– Ele (o ex-aluno) chegou aqui dizendo que trabalhava como garçom, fazia atividades freelancer (o popular biscate), tinha uma vida dura, mas em seis meses a realidade dele mudou. Ele chegou aqui no meio do ano passado, se qualificou, e, hoje, ele está empregado numa empresa importante ganhando cerca de R$ 3 mil por mês – revelou.

Durante a palestra, o diretor da escola e os instrutores, comentaram que não sabem por que as cidades da região não estão investindo pesado no setor de qualificação profissional. “Nós teremos obras por lá pelos próximos 20 anos. Começando, hoje, muita gente vai estar perto de se aposentar quando as atividades encerrarem”, assegurou um dos instrutores.

Reflexão

A falta de incentivo político à qualificação profissional dos moradores da região não é simples coincidência. Todos nós conhecemos a indústria do “favorzinho” que existe na porta dos políticos Brasil a fora. Em nossa região não é diferente. O indivíduo, porém, que tem um salário de R$ 3 mil mensais (além de benefícios, como Plano de Saúde, por exemplo), certamente não ficará se humilhando em porta de político pedindo favor, o que representa o fim do “voto de cabresto”.

Para nós do jornal “O TEMPO EM RIO BONITO”, a pessoa que sai de um salário mínimo (R$ 622,00) para ganhar mensalmente, R$ 3 mil, recebe uma espécie de “Carta de Alforria”, porque ela passa a caminhar com as próprias pernas, livra-se do cabresto do “favorzinho” e passa a pensar com a própria cabeça, o que não é possível acontecer quando se está encabrestado e/ou devendo favor.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Rio Bonito recebe espetáculo “O Vaqueiro que não sabia mentir” no próximo dia 28

Denilson Santos/Ascom-RB

A Praça Fonseca Portela, no Centro, será palco da encenação da peça “O Vaqueiro que não sabia mentir”, encenada pelo Grupo Cutucurim, no próximo dia 28 de janeiro, a partir das 16 horas. O espetáculo, que é gratuito, faz parte do Circuito Estadual das Artes 2011, organizado pela secretaria de Estado de Cultura, em parceria com a secretaria de Educação de Rio Bonito, através do Departamento de Cultura.

Com uma programação diversificada e ingressos a preços populares, O Circuito Estadual das Artes é um projeto que busca promover o acesso do público fluminense a espetáculos de teatro, dança, música e circo. Por meio dele, grupos artísticos da capital fazem apresentações em diferentes municípios do interior, exibindo produções de reconhecida relevância.

Os espetáculos são montados em pelo menos três municípios, situados em três regiões diferentes do Estado. Desta forma, o Circuito garante aos espectadores uma programação variada, e cumpre com o seu objetivo: proporcionar maior acessibilidade ao consumo cultural de espetáculos de qualidade. Além disso, o projeto ajuda a ampliar o mercado de trabalho para artistas, técnicos e produtores, bem como lança luz ao potencial dos equipamentos culturais dos municípios.

“O Vaqueiro que não sabia mentir” pretende mostrar a eterna briga entre a verdade e a mentira. Na peça os atores, através de um trabalho corporal e pesquisa dentro do universo dos bonecos, trabalham como se fossem bonecos de manipulação. As músicas servem para evidenciar a essência das personagens, assim como a riqueza de um povo tão sofrido economicamente. Utilizando-se do humor e do teatro de rua, o espetáculo explora o ritmo e o tempo de diversas maneiras, evidenciando assim as personalidades e o jogo cênico que é criado para a representação dessas personagens.