Flávio Azevedo
 |
| A prefeita Solange Almeida falando sobre os problemas da cidade ao lado do vice, Anderson Tinoco. |
Em entrevista coletiva concedida na tarde dessa quinta-feira (03/01), na Prefeitura de Rio Bonito, a prefeita Solange Almeida (PMDB) anunciou que a dívida da Prefeitura Municipal (restos a pagar) é de cerca de R$ 21 milhões. Ao lado do vice-prefeito Anderson Tinoco (PSDB) e de parte do seu secretariado, a prefeita disse estar satisfeita com a possibilidade de voltar a administrar o município (ela foi prefeita entre os anos de 1997/2004), mas afirma que o cenário encontrado é preocupante e teme que a prestação de serviços essenciais seja comprometida.
– A minha principal preocupação é com os salários de dezembro (R$ 5,5 milhões) que não foram pagos aos servidores do município. O problema é que nós não reunimos condições de pagar duas folhas em janeiro. As pessoas trabalharam dezembro inteiro e podem receber os seus pagamentos somente no fim de janeiro. No dia da posse, o ex-prefeito José Luiz Antunes me apresentou um balancete que mostrava uma dívida de R$ 15 milhões. Entretanto, com os débitos do município com Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Rio Bonito (Iprevirb) esse valor chega a R$ 21 milhões – revelou.
Outros problemas anunciados foram a não publicação do Orçamento de 2013, estimado em R$ 162 milhões e aprovado no último dia 13 de dezembro; obras inauguradas nas últimas semanas de 2012, “mas entregues sem nenhuma condição de funcionamento”; as condições do Hospital Colônia Rio Bonito (HCRB), classificadas pela prefeita como “triste”; e o lixo de Tanguá que estava sendo despejado em Rio Bonito. “Por conta da destinação do nosso lixo, o município já tem problemas com o Ministério Público (MP). Como se não bastasse isso, descobrimos que Tanguá estava trazendo o seu lixo para Rio Bonito. O secretário de Meio Ambiente, Newton Almeida, já esteve no município vizinho e isso não vai mais acontecer”, ponderou.
Ainda segundo Solange, o HCRB foi encontrado sem alimentação, roupas, colchonetes e matérias de limpeza. “Os pacientes abrigados numa residência terapêutica, inaugurada nos últimos dias de dezembro, também foram encontrados, no último dia 1º de janeiro, sem alimentação”. A prefeita lamentou as dívidas do município com o Hospital Regional Darcy Vargas (HRDV), estimadas em R$ 900 mil (três parcelas de R$ 300 mil) e comentou as “condições deploráveis” da frota do município.
– Alguém me disse para expor os veículos, mas acho isso desnecessário. A ambulância da UPA, com dois anos de funcionamento, está com o motor batido. Vários carros também estão na mesma condição. O que precisamos fazer é arregaçar a manga e trabalhar – disse a prefeita, que disse não querer dar o troco na administração Mandiocão, que nos primeiros dias de governo, em janeiro de 2005, expôs os carros sucateados deixados pela gestão Solange.
Milhares de medicamentos vencidos e mal armazenados também foram encontrados pela equipe da prefeita Solange. Com o apoio do Procurador Geral, Gustavo Lopes, ela revelou que a Prefeitura e vários prédios da administração municipal estão recebendo energia elétrica por força de uma Liminar Judicial (a energia foi cortada no dia 27/12 e religada através de liminar). A dívida do município com a Ampla seria da ordem de R$ 300 mil. Ainda segundo a prefeita, a dívida do município com o Iprevirb, “inclusive, parcelamentos de dívidas anteriores, é outro desafio que temos para resolver”.
Em relação ao desabastecimento de água, uma reclamação de todos os bairros da cidade, a prefeita classifica o assunto como “calamitosa”. “A questão da água, hoje, não está restrita mais ao Parque Andréa. O problema atinge todo município. No 3º Distrito, as reclamações são constantes e, hoje, até o Centro da cidade sofre com essa questão. “A CEDAE tem um convênio celebrado com Rio Bonito, segundo esse documento, a água deveria chegar ao 2º Distrito em um ano, mas esse prazo já expirou e nada foi feito”, disse a prefeita.
Durante a entrevista, Solange comentou que o Colégio Municipal Maurício Kopke, na entrada da Caixa D’Água, está com o segundo andar interditado por conta das inúmeras goteiras; e comentou que o estado da Colégio Municipal Kingston Mota, no Parque Andréa, é grave, a superlotação é preocupante, “mas as obras da escola nova não foram iniciadas”. Ela também expôs o problema das residências distribuídas aos desabrigados e disse as casas não estavam em condições de ser entregues.
– Os apartamentos do Green Pack, por exemplo, não têm água porque a bomba não foi ligada. A energia elétrica alimenta apenas os prédios e isso tem causado sérios transtornos aos novos moradores – afirmou a prefeita, acrescentando que o critério de distribuição das moradias do Parque Andréa foi confuso, as reclamações das famílias que teriam direito são muitas, “mas nós ainda não conseguimos entender como foi feita essa distribuição”.