quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Viúva da Mega-Sena vai a juri popular em outubro


Quatro anos e meio após o assassinato do milionário Renné Sena, em Rio Bonito, a ex-cabeleireira Adriana Ferreira Almeida – viúva de Renné e acusada de ser a mandante do crime – vai sentar no banco dos réus. A juíza Roberta dos Santos Braga Costa, da 2ª Vara Criminal de Rio Bonito, marcou para o dia 4 de outubro, às 10h, o júri popular de Adriana e outros três réus. São eles: a personal trainer Janaína Silva de Oliveira, e os PMs Marco Antônio Vicente e Ronaldo Amaral de Oliveira, o China. Todos aguardam o julgamento em liberdade.

Advogado de Adriana, Jackson Rodrigues disse que não descarta a possibilidade de recorrer para adiar o júri.
– Ainda não tomei ciência da decisão da juíza. Mas havia várias questões que prejudicam a lisura do processo que precisam ser analisadas antes da marcação do julgamento. Por exemplo, as testemunhas do Ministério Público foram arroladas pela assistência da acusação, e não pelo MP. Isso é ilegal, porque assistente não é parte no processo. Se meus recursos não foram acolhidos pela juíza, vou recorrer para adiar o júri – disse Jackson.

Segundo a denúncia do MP, Adriana teria mandado matar Renné para ficar com sua herança, já que o milionário pretendia excluí-la de seu testamento ao descobrir que estava sendo traído. O crime teria sido cometido pelo ex-PM Anderson Sousa, e pelo motorista Ednei Gonçalves. Ambos foram condenados a 18 anos de prisão em julho de 2009 e estão na cadeia.

Janaína, então mulher de Sousa, fez a ponte entre ele e Adriana, a mandante. Marco Antônio teria planejado o assassinato. Já Ronaldo teria emprestado a moto utilizada pelos assassinos no crime.

Ganhador de R$ 52 milhões na Mega-Sena em 2005, Renné foi executado a tiros em 7 de janeiro de 2007, num bar na localidade de Lavras, em Rio Bonito.

Fonte: G1

Crise na Educação riobonitense?

Por Flávio Azevedo - Reflexões

Fico sabendo através de postagem da minha amiga Garrolici Alvarenga (via Facebook), que a Educação riobonitense passa por um momento delicado. Além do já costumeiro salário defasado, nós estamos sofrendo uma forte evasão de profissionais. Ou seja, professores estão deixando o município em busca de melhores oportunidades em outros centros.

Sobre esse tema, penso que os salários ainda são ruins, por falta de mobilização e coragem a categoria. Entretanto, penso ser importante fazermos algumas reflexões sobre alguns aspectos relacionados a essa situação. Vamos lá:

1 – Os governantes são patrões, e patrão, amigo, nunca faz a parte dele, se não for pressionado. Isso é fato!

2 – Penso que em cidades interioranas, os profissionais preferem ser explorados em outro lugar a lutar pelas melhorias necessárias. Esquecem que mudar de endereço não resolve o problema. Por exemplo: o sujeito vai trabalhar em Silva Jardim, sob o argumento de que lá pagam melhor. Entretanto, quando você conversa com os profissionais que já estavam por lá, eles estão insatisfeitos e querendo mudar para outro lugar.

3 – Concordo falta de coragem e mobilização não são os únicos motivadores desse problema apresentado por Garrolice. O descrédito também é comum. E isso ocorre, porque não são poucas as ocasiões que os líderes desses movimentos de resistência se vendem por horas extras, diárias e vantagens individuais. Benefícios que resolvem o problema individual, não o coletivo. E isso é antigo!

4 – Por outro lado, é comum vermos esses líderes lutando praticamente sozinhos – cadê os companheiros? O restante da categoria (em Rio Bonito eles são mais de mil) fica na sombra do boi aguardando os benefícios. Aliás, quando esses tais benefícios não são concedidos, os “dormentes e imóveis” se limitam a criticar o “representante solitário”, esquecendo que em nenhum momento estiveram juntos na luta pelas benfeitorias pleiteadas. Alguns, cínica e covardemente, chegam a dizer para o patrão que estão satisfeitos e ressaltam que não fazem parte dos insatisfeitos.

Há quem defenda os concursos como ferramenta de combate a esses problemas. Sinceramente, eu não acho que eles sejam a única solução para os problemas da Educação. Os salários continuarão risíveis e os novos profissionais, com medo de se posicionar e não passarem no período probatório.

O SEPE, através de uma das suas representantes (Lucy Teixeira), tem feito alguns movimentos, mas continua sem ser atendido pelo poder público; e priorizado por grande parte da categoria.

Dias atrás, o pedido de Audiência Pública, encaminhado a Câmara Municipal ao ser lido no expediente do dia recebeu o seguinte comentário da vereadora Rita de Cássia (ex-secretária de Educação de Rio Bonito): “não vejo necessidade dessa audiência pública, porque o assunto tem sido amplamente debatido, inclusive, com a participação de representantes do SEPE”.

Existe interesse?

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sacanagem e roubalheira na reconstrução da Região Serrana


Sete meses após a tragédia das chuvas na Região Serrana do Rio de Janeiro, surgem mais dúvidas sobre o uso do dinheiro público destinado à recuperação das cidades afetadas. Um relatório aprovado nesta terça-feira (09/08) por unanimidade no Tribunal de Contas do Estado (TCE) quer saber como foram gastos pelo menos R$ 175 milhões. Segundo o TCE, até agora foram destinados R$ 444 milhões à recuperação das sete cidades atingidas. O dinheiro vem da União, do estado, das próprias prefeituras e de doações.

Para o relator do processo, há fortes indícios de que, se aproveitando da calamidade, os administradores e responsáveis usaram mecanismos para enriquecer com a desgraça alheia. Todos os sete municípios e cinco órgãos estaduais vão ter que dar explicações ao TCE.

Um dos principais problemas é a falta de contratos para gastos no valor de R$ 98 milhões. De acordo com o relatório, Teresópolis, Petrópolis, Areal, Bom Jardim e Sumidouro não apresentaram notas fiscais, não informaram se as obras estão em andamento ou já foram feitas, nem comprovaram o material usado ou a mão de obra contratada.

O Estado também vai ter que esclarecer as mesmas questões. Só a Secretaria de Obras gastou R$ 25 milhões com ações emergenciais de assistência às vítimas, sem detalhar que serviços são esses e onde teriam sido feitos.

De acordo com o TCE, mesmo com a dispensa das licitações, as obras deveriam ter contrato e empenho das verbas, para só depois o pagamento ser feito. Mas as empresas receberam sem estes procedimentos, o que afronta o princípio constitucional da legalidade e moralidade. E quem ganhou dinheiro com as obras também serão cobrado. Ao todo o TCE vai notificar 45 empresas que teriam recebido por obras na Serra. Outro mistério para o TCE é onde foram parar R$ 77 milhões, que é a diferença entre o que foi destinado para a reconstrução da Região Serrana e o que foi apontado como investido. "As contas não fecham porque nós encontramos diferenças significativas. As despesas foram realizadas num instrumento que são absolutamente ilegais", disse o conselheiro do TCE, José Gomes Graciosa (esse sujeito é muito "sério").

A situação de Nova Friburgo é particularmente complicada. O município até agora não prestou contas do dinheiro que recebeu. As prefeitura vão ter 15 dias para explicar onde e como o dinheiro foi gasto. No caso de Nova Friburgo, se o município continuar a não oferecer as informações pedidas pelo Tribunal de Contas, o TCE pode até pedir ao governo do estado uma intervenção no município.

"O Tribunal de Contas junto com nossa Escola de Contas de Gestão deu cursos em toda a Região Serrana, onde 243 gestores foram treinados por esta corte. Então, aquele não cumpriu a lei como deveria cumprir, o fez sabendo que não estava cumprindo", explicou o presidente do TCE, Jonas Lopes de Carvalho Junior.

A prefeitura de Nova Fribugo informou que prestou contas de todos os gastos ao TCE. O prefeito afastado de Teresópolis, Jorge Mário, afirmou que só vai comentar as irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado em sua gestão depois que tiver acesso ao relatório.

As prefeituras de Petrópolis, de Areal e de Bom Jardim disseram que todos os gastos foram feitos de forma legal e que todos os documentos solicitados pelo TCE foram enviados. Já as prefeituras de São José do Vale do Rio Preto e de Sumidouro não retornaram às ligações.

A Secretaria estadual de Obras informou que ainda não foi comunicada oficialmente sobre o relatório do TCE e que apresentou todos os esclarecimentos pedidos pelo tribunal.

CPIs (enganação)

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) instalou no dia 24 de fevereiro desse ano, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar responsabilidades e possíveis negligências do poder público e de agentes políticos na tragédia que atingiu a Região Serrana (será?).

Segundo a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a CPI irá realizar um estudo para apurar se houve excessiva tolerância na liberação de terrenos em áreas consideradas de risco e a não realização de uma política de prevenção ostensiva (e o desvio do dinheiro para recuperação do local?).

A Câmara de Vereadores de Nova Friburgo abriu, no último dia 13 de julho, uma CPI para investigar as denúncias de desvio de dinheiro público liberado para a recuperação da cidade. Durante a sessão de abertura da sessão, o vereador Cláudio Damião afirmou a necessidade de ser instaurada a CPI. "Para que a gente possa, com essa CPI, fazer um trabalho de apuração em relação às verbas e tudo mais que se disser a respeito das contratações realizadas neste período", explicou. (espero que essa CPI não seja uma retaliação ter ficado de fora do esquema)

No início da noite anterior (12), moradores fizeram uma manifestação pelas ruas e em seguida, se concentraram em frente ao prédio administrativo de Nova Friburgo. A passeata era para pedir transparência nos gastos públicos de recuperação da cidade. A rua, que chegou a ser parcialmente interditada, foi liberada por volta das 19h. Eles também questionaram a lentidão nas obras.

Fonte: G1

José Luiz entrega certificado de qualificação a guardas municipais de Rio Bonito

Flávio Azevedo

Oito guardas municipais de Rio Bonito receberam das mãos do prefeito José Luis Antunes e do vice-prefeito Matheus Neto, na última terça-feira (09/08), os diplomas de conclusão do curso de Intervenção Penitenciária que participaram em Nova Iguaçu, entre os dias 22 e 24 de julho. No curso, os guardas receberam instruções sobre escalonamento da força, agentes químicos e munições de impacto controlado, espingarda calibre 12, EPI/EPC, uso da tonfa, técnicas de algemamento, tática individual de combate, noções de gerenciamento de crises, planejamento de intervenção, invasão de pátio e entradas táticas.

De acordo com o diretor da Guarda Municipal, o policial militar licenciado, Márcio Soares, o curso é um dos seus projetos de qualificação dos guardas, que conta atualmente com 56 componentes.
– Estamos trabalhando para qualificar os nossos guardas. Esses cursos têm o objetivo de capacitá-los para que tenham condições de agir com eficiência técnica e tática de onde estiverem atuando – disse Soares, revelando que os guardas também estão participando de um curso de Primeiros Socorros – ministrado às quartas-feiras, na Casa do Futuro.

Foram certificados: Alex Santos, Alexandro Mariano, Fabrício Alves, Helena Beatriz, Luciano Barcelos, Marcos Oliveira, Michely Coutinho e Nilson Vital.

Outros cursos

No último dia 1º de agosto, um grupo formado por guardas municipais participou, na Universidade Federal Fluminense (UFF), de um curso de Extensão, Produção e Análise de Informação sobre Conflitos no Espaço Urbano. O curso foi ministrado pelo Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos (INCT/InEAC-UFF) e o Núcleo Fluminense de Estudos e Pesquisa (NUFEP-UFF), que foi realizado pelo Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, da UFF.

Na ocasião, também foram discutidos os processos de construção e os possíveis usos de um sistema voltado para a gestão de informações provenientes das ocorrências atendidas pelas guardas municipais. O curso é parte das atividades da pesquisa “Segurança Pública e Social Municipal: identidades profissionais, conflitos sociais e a dimensão local” desenvolvido pelo InEAC.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Tributo ao "Rei" Roberto Carlos em Rio Bonito

Flávio Azevedo

O programa recebeu no dia 07 de agosto, o músico Moraes Júnior, que esteve nos estúdios da Rádio Sambê FM (98,7) para divulgar o show “Tributo a Roberto Carlos”, que acontece no próximo sábado (13/08), no Esporte Clube Fluminense, a partir das 20h. “Os ingressos já estão à venda e estão se esgotando”, disse o músico durante a entrevista.

As entradas sendo vendidas na Pinacoteca Municipal, localizada em cima da agência do Banco Itaú, a preços populares (R$ 10,00). Durante o evento, Moraes Júnior se apresenta na companhia de Felipe Magrão (Baixo), Diogo Ferrari (teclado), Felipe Magrello (bateria) e J.P. (vocais e violão).

O programa consiste na apresentação de 16 músicas de Roberto Carlos, que serão tocadas cronologicamente. Entre uma melodia e outra haverá a narrativa de um trecho da vida do “Rei” (biografia).

Mais informações através dos telefones: (21) 7162 – 9228 e 9282 – 8311.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Desaparecida


A estudante Lorena da Silva Pereira, de 14 anos, moradora do Caxito, Silva Jardim, desapareceu no último dia 1º de agosto. De acordo com a família, a adolescente saiu de casa com destino ao Colégio Estadual Dyrceu Rodrigues da Costa, no Centro, e nunca mais voltou. Familiares já buscaram por Lorena em todos os lugares possíveis (delegacias, Instituto Médico Legal etc.), mas ela não foi encontrada. Amigos de escola e supostos namorados não souberam dar notícias de onde ela possa estar. Informações sobre o paradeiro de Lorena podem ser passadas aos telefones 9396 – 8277 e 7592 – 4135.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Rio Bonito/Marajó é campeão carioca de futsal feminino

Flávio Azevedo

Se alguém disser que a história do título carioca de futsal feminino adulto de 2011, conquistado pelo Rio Bonito/Marajó, no último dia 30 de julho, poderia ser um filme Hollywoodiano não estaria exagerando. Disputando a competição pela primeira vez, a equipe alvianil jogou a primeira partida no dia 14 de maio, em casa e estreou com derrota. O resultado deixou o torcedor desconfiado, mas a equipe, liderada pelo treinador Júlio César Costa Freitas (Cabeça), teve tranquilidade e, jogo a jogo, conseguiu se firmar.

Depois de deixar para trás equipes tradicionais como Vasco da Gama e Bradesco (adversário das semifinais derrotado nos dois confrontos), o Rio Bonito/Marajó chegou à final da competição com moral e podendo enfrentar o Mackenzie de igual para igual.

O ginásio do América, na Tijuca/RJ, foi escolhido pela Federação de Futsal do Estado do Rio de Janeiro (FFSERJ) para sediar o confronto final. Apesar de estar distante cerca de 70 km longe de casa, o torcedor alvianil estava em maior número e fazia uma grande festa nas arquibancadas.

Resenha

Iniciada a partida, o Rio Bonito/Marajó, com Stella, uma das atletas mais importantes da equipe, deu o seu cartão de visitas com um chute de fora da área que tirou tinta da trave da goleira Mariana. Apesar de o alvianil estar bem, o Mackenzie abriu o marcador com Rani aos seis minutos da primeira etapa. O Rio Bonito/Marajó não se abateu e aos 13min, Larissa deixou tudo igual. Apesar de o jogo continuar igual com chances para ambos os lados e excelente participação das goleiras, faltando 1minu36seg para o fim do primeiro tempo, Cida deu nova vantagem ao Mackenzie.

Na segunda etapa, incentivados pelo torcedor, que continuava incentivando, o Rio Bonito dominou a partida e conseguiu igualar o marcador com um belo gol de Karen, aos cinco minutos. O tempo foi passando e faltando 7min58seg para o fim do jogo, Cida, num lance de muito oportunismo e azar do Rio Bonito/Marajó, Cida deu números finais à partida e garantiu, até ali, o título do Mackenzie.

Reviravolta e título

Apesar da derrota, no fim da partida as meninas foram aplaudidas e abraçadas por torcedores e dirigentes do Rio Bonito/Marajó, que assimilaram o resultado como normal e "até muito bom para uma equipe estreante que, na final, enfrentou o Mackenzie, uma das equipes mais tradicionais do Rio de Janeiro".

Reclamando um lance do primeiro tempo, em que a bola teria entrado, mas a arbitragem não validou o gol, as meninas do Rio Bonito/Marajó lamentavam o fato de a equipe ter feito uma das suas melhores apresentações, mas não ter alcançado a vitória. “Batalhamos, lutamos, a bola entrou e não deram o gol... Estamos com a sensação de que o resultado poderia ser diferente. Mas não tem problema não, bola para frente e vamos nos preparar para a Liga Nacional de 2012”, disse Mary, que nas últimas partidas subiu de produção e fez excelentes partidas.

Quando atletas e torcedores já estavam se acostumando vice-campeonato, os dirigentes da FFSERJ constataram, na segunda-feira (1º/08), que a jogadora Roberta Valério (foto), do Mackenzie, havia tomado o terceiro cartão no jogo anterior – contra o Vasco, no dia 26/07 – mas não cumpriu a suspensão automática. Ela não só foi escalada como participou da finalíssima.

Baseados no Regulamento da competição, os dirigentes da FFSERJ fizeram cumprir a letra “d” do Artigo 44. Além de dar os pontos da partida para o Rio Bonito/Marajó, o que torna a equipe campeã Carioca de Futsal Feminino de 2011, ainda multou o Mackenzie em R$ 545,00 (foto abaixo).

Comemoração

A decisão da FFSERJ foi noticiada ao treinador Júlio César, por volta das 16h30min, de segunda-feira (1º/08). Sem acreditar, Cabeça telefonou de volta para a FFSERJ para confirmar a informação. “Eu pensei que era um trote”, disse o treinador, que depois de confirmar a veracidade da notícia telefonou para atletas, dirigentes e amigos. Em entrevista ao programa “Bate Bola Tupi”, da Super Rádio Tupi 1340 AM Rio Bonito, às 20h, do mesmo dia, ele disse que “a ficha ainda não caiu” (foto abaixo).

Acompanhado da jogadora Samara, o treinador comemorou a conquista e destacou que “independente da forma como veio a conquista, o título está coroando o nosso trabalho, que é baseado na humildade e na organização. Espero que seja o primeiro de muitos cariocas”, comemorou o treinador que fez uma série de agradecimentos.
– São muitos os parceiros que caminharam conosco. Além da Prefeitura Municipal de Rio Bonito, que ajudou com a arbitragem; o deputado Marcos Abrahão, garantiu o nosso transporte em todos os jogos. Também agradeço ao Rio Bonito Atlético Clube, que acreditou no nosso trabalho; o empresário Rodolfo Siqueira Nunes, da Cerâmica Marajó, que é mais que um parceiro, ele é um amigo – concluiu Cabeça ainda citando Felipe do bar “e muitos outros empresários que ajudaram esse sonho se tornar realidade”.

Escalações

O Rio Bonito/Marajó começou com Nathália, Mary, Larissa, Stella e Karen. Na suplência, o treinador Cabeça contava com Samara, Salsicha, Teka, Lais, Camila, Jaqueline e Loirinha. Preparador físico, Rodrigo Barreto.

Já o Mackenzie (foto abaixo) entrou com Mariana, Rani, Geany, Gleice e Priscila. Na reserva estavam Roberta, Monique, Tamires, Cida, Laura, Josiele e Thaissan. Treinador: Ricardo Velloso.

A arbitragem foi de Cenira Sampaio Pereira, que atuou auxiliada por Leandro Bello Reis. A anotadora foi Lúcia Cupulille; a cronometrista, Antônia Vanusa Rufino; e o delegado da FFSERJ, Djalma Adelino de Paula.

Histórico

1º Turno

(14/05) Rio Bonito/Marajó 2x5 Mackenzie
(20/05) Rio Bonito/Marajó 6x3 Vasco
(28/05) Fluminense 3x4 Rio Bonito/Marajó
(01/06) Faculdade Paraíso 2x6 Rio Bonito/Marajó
(10/06) Rio Bonito/Marajó 5x3 Bradesco

2º Turno

(17/06) Mackenzie 6x1 Rio Bonito/Marajó
(22/06) Vasco 1x0 Rio Bonito/Marajó
(01/07) Rio Bonito/Marajó 4x7 Fluminense
(08/07) Rio Bonito/Marajó 6x4 Faculdade Paraíso
(19/07) Bradesco 5x5 Rio Bonito/Marajó

Semifinal

Ida (21/07) Bradesco 4x6 Rio Bonito/Marajó
Volta (26/07) Rio Bonito/Marajó 4x2 Bradesco

Final

(30/07) Mackenzie 3x2 Rio Bonito/Marajó

Destaques:


A capitã Mary alia simpatia, beleza e futebol de alto nível.


Larissa e Stella craques de bola que sempre demonstram simpatia e muito futebol.


A goleira Nathália, também responde pelo nome de "Nana". Como pega essa menina!


Comemoração das meninas junto com a competente comissão técnica, que é formada pelo treinador, Cabeça; e o preparador físico, Rodrigo Barreto. Na foto, à esquerda, também vemos Samara, artilheira da equipe.

Suspeita por furto é presa no Centro de Rio Bonito

Flávio Azevedo

Esclarecimento: como a acusada ainda é considerada suspeita, a nossa reportagem não pode fotografá-la.


Policiais militares prenderam ontem (05/08), por volta das 16h, a autônoma Ariane dos Santos, de 21 anos, moradora do bairro, Bosque Clube/RB. Ela foi detida sob suspeita de ter furtado R$ 750,00, hoje, por volta das 13h, da merendeira Maria Madalena Garcia da Costa, de 51 anos, moradora de Nova Cidade.

De acordo com a merendeira, o furto aconteceu enquanto ela fazia compras no Supermercado Tinoco, no Centro de Rio Bonito. Ariane teria oferecido ajuda com os carrinhos de mercadorias “e num momento de desatenção minha, ela aproveitou para furtar o dinheiro. Na hora eu não vi nada. Só no caixa, quando fui pagar a compra, eu percebi que a minha bolsa estava aberta e o dinheiro havia sumido. Só não fiquei sem as compras porque estava com o meu cartão”.

Antes de fazer a ocorrência, a merendeira assistiu, junto à gerência do supermercado, as imagens do circuito interno da loja e concluiu que havia sido roubada por Ariane. Já acompanhada da filha, Maria Madalena decidiu andar pela cidade para ver se reconhecia a suposta ladra. Observando loja por loja, ela encontrou Ariane fazendo compras na Raquel Calçados, também no Centro.

Enquanto a merendeira ficou escondida, mas observando os passos de Ariane, a sua filha foi chamar os policiais militares da unidade bancária – fica postada na Av. Presidente Castelo Branco (Rua dos Bancos). A suposta ladra foi detida pelos policiais Ferraz e Rafael, que conduziram vítima e a suspeita para a 119ª DP, onde os policiais descobriram que Ariane já teve passagem pela polícia – ela omitiu essa informação enquanto estava sendo interrogada.

Na 119ª DP, Ariane disse para a nossa reportagem, que realmente ajudou Maria Madalena com as compras, ma negou que tenha cometido o crime. “Eu ajudei ela sim, mas eu não peguei dinheiro nenhum. Eu estou sendo acusada injustamente... Mas fazer o que? É a palavra dela contra a minha”, comentou.

Segundo os policiais militares que levaram, vítima e acusada, para Araruama, onde o caso foi registrado, diante do delegado, Ariane confessou que tinha aproveitado a oportunidade de ajudar Madalena com as compras para cometer o roubo. Ariane Santos foi presa.

Entrou de "gaiato"?

Também foi para a Delegacia, a dona de casa Priscila da Conceição dos Santos, de 18 anos, moradora da Mangueira, por estar junto com Ariane, no momento que ela foi detida pelos policiais. Acompanhada do esposo, Priscila contou que não teve participação na história.
– Eu estava comprando um calçado para o meu filho na loja Pé Bacana, no Centro, quando Ariane chegou e disse que iria comprar um presente para ele, mas seria na Raquel Calçados. Eu e meu marido fomos com ela. Durante a compra, porém, a polícia entrou, ela foi presa, e nós, que não temos nada com isso, acabamos enrolados nesse negócio – lamentou a Priscila, que está grávida de cinco meses.

De acordo com o policial militar Ferraz, o caso foi conduzido a 119ª DP (Rio Bonito), mas será registrado em Araruama (118ª DP), que é a delegacia de plantão nesse fim de semana – no último fim de semana o plantão foi da 119ª DP (delegado Paulo Henrique da Silva Pinto).

Um dos policiais da delegacia de Rio Bonito disse que por enquanto, Ariane é apenas suspeita do crime – por isso a nossa reportagem não pode fotografar Ariane. “Inclusive, depois de registrada a ocorrência, ela pode pagar a fiança e ser posta em liberdade. Tudo vai depender da forma como os colegas de Araruama irão conduzir o caso”, comentou.
Familiares da vítima se mostraram surpresos e até indignados com o fato do caso ter que ser registrado em Araruama.

Conforme acontece há muitos anos, nos fins de semana os delegados de um grupo de delegacias ficam de folga e apenas uma delegacia da região fica de plantão. Num sistema de rodízio, os plantões vão girando de maneira que os delegados tiram plantão de plantão no fim de semana (sexta, sábado e domingo), a cada 45 dias.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Entrevista com Monsenhor Guedes (2007)

Flávio Azevedo

Em homenagem ao Dia do Padre (04/08), vou reproduzir uma das grandes entrevistas que fiz na minha carreira de jornalista. O entrevistado foi Monsenhor Guedes, à época - 2008, pároco da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição de Rio Bonito.


Mineiro da cidade de São Sebastião do Maranhão, o Monsenhor João Alves Guedes está em Rio Bonito há cerca de cinco anos, onde começou seu ministério há 33 anos. Possuidor de um conhecimento eclético, Monsenhor Guedes, como é mais conhecido viveu dois anos na cidade de Frascati, na Itália, onde estudou teologia pastoral, residiu três anos em São Paulo, onde cursou filosofia e em Salvador, na Bahia, onde se pós-graduou em liturgia.

Aos 59 anos, Monsenhor Guedes possui várias responsabilidades hierárquicas na organização católica. Além de ser Vigário Episcopal do Vicariato Rural, ele também acumula as funções de diretor da Escola Diaconal, atua como Secretário Executivo da Associação dos Liturgistas do Brasil e é assessor de liturgia do Estado do Rio de Janeiro. Autor de quatro livros, ele destaca o mais recente: “Domingo, Nascimento de Uma Nova Criação”. Escrito em 2007, a obra esse ano será traduzida para o inglês e o espanhol. Bacharel em filosofia, teologia e pós-graduado em filosofia e liturgia, Monsenhor Guedes recebeu na manhã da última quarta-feira (23), em sua residência paroquial, o repórter Flávio Azevedo, quando abordou temas como castidade, aborto, política e religião. “Quem defende a cultura da morte não descobriu a cultura da vida. O dia que as pessoas descobrirem a beleza da vida, esse assunto será esquecido”, diz Monsenhor, em relação ao aborto.

Folha da Terra – Ao longo de sua trajetória como padre, qual seria a experiência que mais marcou o seu ministério?
Monsenhor Guedes – Foi sentir como Deus opera de maneira grande, apesar da pequenez de nossas atitudes. Ou seja, eu faço o mínimo e, Deus opera maravilhas aproveitando o mínimo que eu tenho a oferecer.

FT – Existe muita diferença entre uma cidade grande e uma de menor porte para o serviço sacerdotal?
MG – O importante é estarmos abertos a realidade de cada pessoa e de cada local. A pastoral urbana é diferente da pastoral do interior. O que muda é a pedagogia do agir. Os métodos empregados na cidade grande são diferentes dos que usamos nas pequenas cidades. Mas eu quero crer, que precisamos conviver e trabalhar as nossas diferenças. Esse é um grande desafio.

FT – Falando em diferenças, quem é mais religioso? O homem ou a mulher?
MG – Sempre se falou que a presença feminina é maior que a masculina nos trabalhos da igreja e nas concentrações eclesiásticas. Mas aqui em Rio Bonito está meio a meio. Mesmo porque, o trabalho que desempenhamos aqui é “dele com ela e dela com ele”. Isso tem produzido efeitos muito positivos. Os trabalhos estão sendo encarados por homens e mulheres. Mas inegavelmente a presença da mulher ainda é maior.

FT – A imprensa tem noticiado o comportamento hostil de jovens que tem agredido pessoas, sobretudo aquelas de origem em outras classes sociais. Qual a opinião do senhor sobre isso?
MG – Embora o homem não seja essencialmente produto do meio, inegavelmente a sociedade está transformando muita gente. Um comportamento agressivo, geralmente retrata as práticas da sociedade em que o sujeito está inserido. Os noticiários, por exemplo, de 11 manchetes, oito falam de morte, seqüestro e roubo. Na imaturidade do indivíduo – que muitas vezes cresce em estatura, mas não no seu psiquismo e no comportamento maduro – ser agressivo, bater e machucar é normal. O filho que apanha muito dos pais, no futuro também irá bater, pois ele assimilou isso como algo normal.

FT – Especialistas tem concluído, que além da educação atual ser permissiva, os pais não estão sabendo impor limites aos filhos. Ou seja, esses problemas começam dentro de casa. O senhor concorda com isso?
MG – Você abordou dois pontos importantes: educação e família. Mas infelizmente, de muitos anos para cá, existe um relativismo muito grande entre os pilares da história, e o que é desprezível e passageiro. O nosso método educacional enfrenta a falta de seriedade na busca pelo aprofundamento cultural. Alguém pode perguntar: “para que isso? Se tem gente levando vantagem sem ter cultura?”. Isso demonstra que caminhamos na linha do ter. Com isso, a linha do ser fica na relatividade. Entra nesse conjunto – com muita defasagem – a família. Trata-se a família como qualquer sociedade. Se continuar assim, a família não existirá amanhã. Destruir a família hoje é semear vento... E quem semeia vento colhe tempestade.

FT – Alguns segmentos dizem que esses problemas começam, quando o brasileiro não escolhe devidamente seus representantes políticos. Fala-se também em renovação, mas principalmente na postura do eleitor. Como a igreja atua nessa situação?
MG – Não percebe isso quem não quer. A sociedade cresceu e se desenvolveu em vários aspectos. Mas politicamente estamos fracos e distantes de alcançar um país independente da tirania e da mentira política. É uma pena! Porque política é arte de bem governar, mas o que vemos é a política como maneira de levar vantagem. Somos obrigados a dar o nosso voto, para empregar um monte de gente que acaba trabalhando contra nós. Não de maneira geral, mas os governantes eleitos democraticamente são tiranos conosco... Estão nos matando... Envergonhando-nos... Mancham a nossa história. Somos vítimas de um sistema e estamos prisioneiros dos nossos irmãos, porque fala-se muito e faz-se pouco... Promete-se muito e rouba-se muito mais.

FT – Quando uma pessoa religiosa decide concorrer a algum cargo político, sempre é reprovada. O argumento, é que uma pessoa religiosa não participa de política, porque política virou sinônimo de desonestidade. O senhor concorda com isso?
MG – As pessoas confundem política com politicagem. Político com politiqueiro. Política é uma ciência, é algo bonito, é uma arte que leva as pessoas a pensar no bem comum, na defesa da cidadania, na luta pelos direitos e pelo respeito. Politicagem é o contrário. Olha-se primeiramente o bem particular, o ganhar mais, mesmo que outras pessoas sejam prejudicadas. Por isso, a sociedade está com nojo. É tanta conversa vazia e nenhuma ação concreta. É uma mentirada! Precisamos fazer uma reflexão. A igreja atua conscientizando, e não formando bancada, porque muitos candidatos se apresentam com pele de ovelha e logo quando ganham se tornam lobos ferozes. Estamos em um ano de eleição. Então, por favor! Vamos olhar direito e condenar o candidato que vem na linha da compra, do interesse e do oferecimento. Por outro lado, o eleitor também se deixa envolver por essa cultura mentirosa. Se assim fizermos, amanhã poderemos falar desse assunto tão bonito, mas mal tratado, destruído e morto, que é a política.

FT – Preocupado com a violência, o prefeito José Luiz Antunes preparou um projeto para armar a Guarda Municipal, que foi rejeitado pela Câmara de Vereadores. Qual a sua visão sobre esse tema?
MG – Antes de tudo é preciso desarmar o interior e o espírito. Não adianta termos 300 guardas armados em nossas praças, se o povo não é ordeiro, se não estivermos desarmados, se nossos partidos políticos não lutarem pelo bem comum. Armar o homem sem desarmar o seu coração é apenas acrescentar arma. E onde se acrescenta arma, há uma maior possibilidade de aumentar a guerra.

FT – Alguns estudiosos acusam a televisão e sua influência como uma das culpadas por problemas sociais, como a violência. São filmes, novelas e programas como o Big Brother Brasil, que tem como discurso, a preocupação em vigiar a vida alheia. Qual a sua opinião sobre esses conteúdos?
MG – Talvez nós estejamos olhando o Brasil, país de terceiro mundo, com a ótica que olhamos um país de primeiro mundo. É bom saber, que a TV deixou de ser um meio para ser um fim, para pessoas de todas as idades e classes. Ela se tornou um critério. É só a televisão mandar que a pessoa obedece, como se a sua mensagem fosse um critério de verdade. A TV não é culpada, mas é mal aproveitada, vista e apreciada. Além disso, a cultura do ter chegou tão forte na mídia, que nós compramos – e muito caro – imagens que contém sangue, esfolamento, seqüestro e avião caindo. E infelizmente, é isso que dá Ibope.

FT – O aborto tem sido debatido na sociedade, com a intenção de legalizá-lo. Que mensagem o senhor deixaria para quem concorda com a legalização do aborto?
MG – Quem defende a cultura da morte não descobriu a cultura da vida. O dia que as pessoas descobrirem a beleza da vida, esse assunto será esquecido. Precisamos promover a cultura da vida. É importante ressaltar, que essa forma de pensar não está ligada a religião, e sim, ao fato de sermos inteligentes. Quem defende o aborto não entende a legalidade, o dom e a grandeza da vida. Que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Se o aborto proporcionasse vida, eu seria a favor.

FT – Quase sempre, o aborto surge de uma gravidez indesejada, que geralmente vem de uma relação sexual irresponsável. E atualmente, as pessoas praticam sexo sem nenhum critério. Sobre a castidade. Qual o seu conselho?
MG – Tudo isso está interligado. Porque quem constrói a cultura da morte, usa o corpo do outro ou da outra, vive a cultura do prazer num mundo excêntrico, onde isso é normal e natural. A sexualidade humana existe em função da vida e retirá-la é desmontar a pessoa. Mas se a destruição das pessoas é normal, a apologia ao sexo passa a ser normal. Enquanto isso, meninas e meninas tornam-se pais inconseqüentemente e de forma abominável. É a corrente do sofrimento, porque sofre o casal, a criança que foi gerada e as famílias envolvidas. Ou seja, o sofrimento toma o lugar da felicidade. Defender a castidade não é por ser padre ou cristão. É uma questão de inteligência. O sexo respeitado e maduramente praticado não é um medo religioso, mas sim, demonstração de inteligência.

FT – Um assunto similar a esse é a fidelidade matrimonial. Nós temos conhecimento do esforço da igreja em manter os casais unidos. Além disso, o que a igreja e a sociedade podem fazer para a preservação da família e do respeito entre os casais?
MG – É pena que as pessoas analisem o trabalho da igreja sob uma ótica moralista e religiosa. Não é assim. Defender a família, a vida e trabalhar para o bem-estar da sociedade, geralmente ultrapassa a religião. Isso está dentro da nossa missão de seres inteligentes. Somos gente! Por isso, não abro mão do processo fiel e humano da família e do casamento. O que está em jogo não é uma moral pregada, mas uma vida que deve ser respeitada. A pastoral da família trabalha orientando: menino e menina! Olhem, conheçam, façam um bom namoro e noivado, para fazer um bom casamento.

FT – O Papa Bento XVI esteve no Brasil em maio de 2007 e participou da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe. Além de alertar os fiéis sobre a importância de uma participação mais ativa na igreja, ele também estava preocupado com a rápida expansão das igrejas neopentecostais. Qual a sua opinião sobre essa cultura do comércio religioso?
MG – A palavra religião vem da palavra latina religare, que significa religar o homem a Deus. Mas para fazer isso tem que haver um discurso, um método, uma ação, uma proposta concreta. Porque senão, certamente estaremos no mesmo processo da política: “muita palavra e nenhum ação”. Infelizmente, em nosso continente é fácil mentir. Aí se cria a religião como venda e compra. E nós que procuramos o ecumenismo ficamos pensando: como fazer ecumenismo com quem não pensa nas pessoas e tem como proposta apenas aumentar a renda? Então isso não é religião, é um comércio disfarçado de igreja. Nessa conferência que aconteceu em Aparecida, o assunto discutido foi a preocupação com o homem em uma sociedade onde Deus deve ser o centro. Evidentemente, existem segmentos religiosos maravilhosos e tem muita gente séria nas igrejas evangélicas. Aliás, sou amigo dessa gente... Mas existem aproveitadores que se servem de Deus para tirar do outro aquilo que não lhe é devido.

FT – Os escândalos são freqüentes no meio evangélico. No entanto, também existem escândalos no segmento católico, como as notícias de envolvimento sexual de padres com adolescentes. Muitos culpam, inclusive, o celibato. Como o senhor classifica essa questão?
MG – Sendo padre ou não, a miséria humana é comum a qualquer pessoa. Porém, o próprio Jesus disse: “atire a primeira pedra, quem não tem pecado”. Mas a formação presbiterial também sofre com a cultura sem conteúdo. O padre é fruto desse meio. Ele vem dessa família, dessa escola mal construída e mal administrada. Além disso, ele também anda pelos hospitais e postos de saúde tão mal tratados. Mesmo essa criatura se tornando padre, não está livre das seqüelas de toda uma sociedade doente. Às vezes a sociedade olha o padre como uma pessoa diferente, e não é. Mas a gama de impossibilidades que ele trás é a mesma que todos trazem. É claro que esse assunto pedofilia quando praticado por alguém da igreja dá mais repercussão. Embora nos bastidores sempre tenha muita maldade. Recentemente Monsenhor Júlio Lancellote foi envolvido em um caso desses, quando um sujeito imbuído de uma consciência mal formada acusou Monsenhor daquela maneira. Graças a Deus, dias depois a verdade apareceu. Esse é outro assunto que dá muito Ibope. Aliás, estupro, aliciamento ou a notícia de que alguém fugiu com a mulher do sujeito, também dá muito Ibope. O nosso país é muito grande e muito belo, mas pecamos ao deixar de colocar em primeiro plano o que é essencial para dar importância ao acidental.

FT – O Pólo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) chega à Itaboraí prometendo impactos positivos e negativos para a região. Como a igreja está atuando para receber esse empreendimento da Petrobras?
MG – Graças a Deus todos os mentores desse desafio monumental têm nos recebido muito bem. Recentemente tivemos aqui em Rio Bonito, um encontro dos principais assessores do Comperj, com todo o clero de Niterói. Passamos uma tarde inteira conhecendo o projeto. Realmente a minha função nessa porção do Estado do Rio é estar atento, pois temos mais de 20 padres e diáconos para opinar e orientar as pessoas. Estamos adquirindo terrenos, e as prefeituras estão bastante abertas ao nosso apelo e caso seja necessário iremos ampliar os templos da região. Estamos estudando a Pastoral da Acolhida para preparar a acolhida das pessoas que por aqui chegarem. Estamos preparando um santuário, que será chamado de Santo Antônio Galvão, o primeiro santo brasileiro, que curiosamente esteve aqui em nossa região visitando Porto das Caixas, em um antigo convento que lá existia. É o primeiro santuário dedicado a ele, fora de Guaratinguetá.

FT – Algumas pessoas criticam essa participação ativa da igreja, alegando que o Brasil é um Estado laico. Esses grupos acreditam, que devido o empreendimento ser do governo, a opinião da igreja pode interferir nas decisões a serem tomadas. Como o senhor vê isso?
MG – É uma visão extremamente minúscula. Como você vai tratar de um assunto importante para a sociedade Riobonitense, deixando de fora a igreja católica? Aliás, a maioria das pessoas da cidade se declara católico e é batizado na igreja. Ter parceria com a igreja, não significa estar subordinado a ela, e a igreja não quer isso. A nossa participação não é impedir a capacidade de ação e de reflexão, mas estarmos prontos para darmos as mãos e caminharmos juntos, independente de credo do indivíduo.

FT – Qual a mensagem que o senhor deixaria ao leitor do jornal Folha da Terra?
MG – Uma mensagem de otimismo e alegria. Gosto sempre de dizer que sou uma pessoa feliz. Eu não tenho o direito de reclamar e de chorar, porque o que já consegui e o que eu proporciono, apesar das minhas fraquezas são coisas tão grandes, que eu não teria o direito de colocar as coisas negativas em primeiro plano. Eu acredito e quero continuar acreditando na consciência do cidadão Riobonitense. Peço que não me decepcionem. Peço também aos próximos candidatos a vereador e a prefeito, que continuem nos tratando bem e fazendo tudo para nossa cidade crescer, por que Rio Bonito pode crescer muito mais. Porque ficarmos pensando em coisas negativas como comprar e vender votos – se é que isto aqui existe – com tanta beleza que existe em nossa cidade. Enfim, eu sou feliz! Acredito na consciência do Riobonitense e, não quero que me digam o contrário. Deixe-me sorrir, porque eu quero fazer você sorrir. Abrace-me porque primeiramente, eu quero lhe abraçar. Além disso, eu confio em você como imagem e semelhança de Deus para quem e em quem, eu deposito toda a minha vida.

Padre Eduardo preocupado com os valores morais

Flávio Azevedo

Em homenagem ao Dia do Padre (04/08), estou reproduzindo uma das grandes entrevistas que eu fiz na minha carreira. O entrevistado foi o padre Eduardo Braga, então pároco da Paróquia de São João Batista, na Praça Cruzeiro:

Depois de realizar juntamente com o padre Robson, uma das mais belas missas campais assistidas pela sociedade riobonitense, o padre Eduardo Braga, da paróquia de São João Batista, na Praça Cruzeiro, recebeu a nossa reportagem na noite do dia 24/06/2009, quando concedeu uma entrevista exclusiva.

O padre disse que está preocupado com a ausência dos valores na sociedade, com a degradação da família, com o uso indiscriminado de drogas pelos jovens, com a gravidez precoce e com alcoolismo, que segundo o padre, “é tido como hábito comum nas cidades do interior”.

Sobre as drogas, o padre Eduardo abordou o assunto ainda na missa, ao destacar que o número de jovens usando drogas está crescendo, e impedir essa situação é um grande desafio. “Nossas famílias não podem ser destruídas por um cigarro de maconha, por um pozinho chamado cocaína ou por uma pedrinha chamada craque, que já chegou à Praça Cruzeiro, e custa R$ 5 reais aqui na quadra do bairro”, disse o sacerdote. Ele esclarece que não combate as pessoas, mas o vício das drogas. “O setor de Bem-Estar Social da prefeitura, não deveria realizar uma campanha contra as drogas, mas um trabalho de conscientização, que mostrasse que a vida é melhor sem drogas.

A família, um tema que tem sido debatido pela sociedade, está em crise, acredita o pároco, frisando a família tem sido vítima da mentalidade moderna, onde as pessoas acreditam estar tudo bem e cometer erros é normal, “afinal, todos fazem a mesma coisa”. Ainda segundo o sacerdote, “ser moderno significa a tolerância de comportamentos condenáveis”.

Ele lembra também que muitos afirmam que o matrimônio é uma instituição falida. Essa modernidade também prega que você que não pode ser pai e mãe, porque tem que ser amigo. “Além disso, você não pode dizer não, porque traumatiza”. Para o padre, esse pensamento é uma psicologia barata, que pretende defender o direito das pessoas, mas está destruindo valores, “que a sociedade nunca deveria ter deixado de lado”.

Outro “flagelo” atual, segundo o padre Eduardo, é a gravidez precoce. Ele afirma que atualmente os pais são vítimas dos próprios filhos, que estão sem limites. O pároco diz também, que existe uma hipersexualização da cultura, provocada pelo contato com o álcool que chega cada vez mais cedo, pela utilização de telefones com bluetooth, onde cenas pornográficas são repartidas entre as crianças, por pais que mantém relação sexual na frente dos filhos e pelo acesso sem controle a internet.
– Ao chegar aos 10 ou 11 anos, esse pré-adolescente quer transar. Mas existem pais que acabam dando os seus filhos, esse momento, que só gera famílias desestruturadas, crianças que nascem sem saber quem são os seus pais e mães que não são mães, porque os filhos ficam com as avós. Além disso, essa situação permite a prática de abortos, a infidelidade matrimonial e estimula a promiscuidade – comentou.

Para o padre Eduardo, o bem não pode se calar e parafraseando Ghandi, ele disse que “não tem medo do barulho dos maus, mas sim do silêncio dos bons”. O sacerdote acredita que as igrejas e o poder público devem somar esforços na luta por uma sociedade melhor.
– Eu não entendo como alguns políticos e empresários podem apoiar eventos que promovem a prostituição e a bebedeira. Eu fui muito claro, todo o católico praticante que apóia essas festas, não pode estar em comunhão com a igreja, porque ou bebemos do cálice de Deus ou do demônio – alerta o padre, frisando também que o alcoolismo destrói famílias, leva ao abuso sexual de crianças e a abre a porta para as drogas.