sábado, 21 de fevereiro de 2026

Que lixeira!

Eu tenho recebido mensagens de vários riobonitenses a respeito da tal “crise do lixo”, problema deflagrado no município de Rio Bonito/RJ a partir da queda de braço entre empresa responsável pela coleta de lixo doméstico e Prefeitura Municipal. A verdade é que o pagador de impostos não tem nada haver com o desentendimento entre esses atores. A limpeza é um direito e quando o munícipe exige prestação de serviço eficiente ele está em pleno direito.

O imbróglio, porém, merece uma reflexão no campo da cidadania. É que ao longo das últimas décadas, a imprensa se apropriou do papel de cobrança e fiscalização (isso não é função da mídia), sobretudo quando se trata de administração pública. Por conta dessa postura da mídia, a sociedade acabou esquecendo e muita gente ignora, quem são os verdadeiros responsáveis pela fiscalização dos Atos do poder Executivo.

O primeiro órgão que tem a atribuição de fiscalizar os Atos do poder Executivo é o poder Legislativo, a chamada “Câmara de Vereadores”. Aproveito para te perguntar: “o que anda fazendo o vereador que levou o seu voto na última eleição?”. Será que os nossos vereadores estão recebendo a mesma quantidade de fotos, vídeos e reclamações que a mídia local tem recebido? E aqui eu aproveito para frisar que aquele papinho de “publica essa denuncia aí pra mim, mas não coloca o meu nome” é um desserviço. Só gera fofoca, curiosidade mórbida e disse me disse!

Outro instrumento importante que a democracia nos oferece e muito pode ajudar nas questões mal resolvidas e mal respondidas pela administração pública é o Conselho Municipal. Você participa? Se não sabe quando e onde o Conselho se reúne, já experimentou buscar essa informação? Caso ele esteja inerte, que tal assumir o Conselho? Depois das Câmaras de Vereadores, os Conselhos Municipais são os fóruns mais adequados para receber solicitações, denúncias, insatisfações e cobranças em geral. Mas Conselho é coisa séria. Não rola aquela prática do “fala aí pra mim, mas não coloca o meu nome”.

Por último, e não menos importante, nós temos as associações de moradores. Trata-se de outra ferramenta extremamente necessária que a democracia nos faculta. É um organismo que não deveria ser puxadinho do gabinete de vereador, tampouco ferramenta de visibilidade para pré-candidatos. Outro fator importante é que tanto os Conselhos Municipais quanto as Associações de Moradores não são funções remuneradas. A participação é cidadã e voluntária!

Aqui eu retorno ao papel da imprensa, que ao contrário do que você pensa, não é fiscalizar. A função social da mídia é simplesmente contar o que estão fazendo os órgãos que representam o cidadão (Câmara, Conselhos e Associações de Moradores) no sentido de fazer os serviços públicos serem mais eficientes para o pagador de impostos. Por isso que aqueles que atuam no Jornalismo se chama “repórter”. É que ele “reporta” essas situações para você.

Fora desse diapasão é busca por audiência, o que é compreensível, sobretudo em tempos de redes sociais. Também pode ser campanha política antecipada, que também faz parte do jogo, mas não adianta nada, porque é comum quem estava cornetando, ao alcançar o poder, misteriosamente seguir com os erros ou até piorar as coisas. Vamos em frente! #flavioazevedo

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