Minha “Caminhada de Finados”, nessa segunda-feira (02/11), me levou ao Cemitério da Serra do Sambê, localizado no sertão de Braçanã. O local abriga a “finada floresta” e os sepulcros estão por toda parte, os fornos, onde são queimados os troncos que se tornam carvão. O cemitério de gente de Braçanã está desativado, mas o cemitério de floresta e vida está em plena atividade e expansão.
A água que era produzida nessas montanhas, hoje, um grande cemitério, é vital para o abastecimento hídrico de Rio Bonito e Tanguá. Aliás, o verão está chegando e com ele também chegará a tradicional falta d’água que todo ano incomoda o tanguaense. Quando a barragem do Salto D’Água de Braçanã, onde acontece a captação que abastece Tanguá, não tem água suficiente para atender a população, saiba que o assassinato da floresta dos sertões de Braçanã é a principal razão da falta d’água.
O desmatamento no sertão de Braçanã é resultado de pelo menos 50 anos de destruição. Os anos vão passando e o cemitério segue sendo ampliado, porque o desmatamento só aumenta. No local é possível encontrar um gado emagrecido, com costelas a mostra, porque além do exercício que fazem subindo e descendo montanha em busca de alimento – alguns trechos com inclinação de 70, 75 graus –, não existe quantidade suficiente de capim para alimentar.
| Destruição em massa de indivíduos arbóreos no sertão de Braçanã. Essa ação é recente. |
A sanha destruidora do ser humano segue acontecendo sob a inercia dos governos. Inércia essa que também domina a sociedade, que se indigna com a árvore cortada no quintal do vizinho ou na calçada da rua, geralmente por questões de segurança, e ignora os hectares de floresta que estão sendo suprimidos sem nenhuma necessidade em nossos sertões.
Alguém tem notícias das políticas ambientais anunciadas em prosas e versos nos últimos 20 anos? Nesse tempo o país foi governado por um grupo político que se apresenta como “preocupado com Meio Ambiente”. Sobrevoos de helicóptero com reportagens na grande mídia noticiando uma suposta fiscalização e prisão de trabalhadores são apenas propaganda e criação de conteúdo para atrair recursos internacionais para investimento na proteção do Meio Ambiente. Em nossa Região, porém, não existe nenhuma política pública eficiente e real de proteção ambiental.
| Quer me impressionar com discursinho lacrador de proteção ambiental e defesa do verde? Sobe a Serra do Sambê, vá até o sertao de Braçanã e veja o que está acontecendo. |
Encerro por aqui essas reflexões na esperança de que as autoridades e a sociedade tomem providencias, mas também com a certeza de que não farão nada. Apenas encherão o meu saco pedindo que faça reportagens sobre falta d’água quando ela começar a faltar na torneira. Vamos em frente! #flavioazevedo
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