O relatório final da CPI do Crime Organizado, assinado pelo senador, Alessandro Vieira (MDB-SE), pediu, de forma inédita, o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República, por envolvimento no caso do Banco Master. Por alcançar figuras poderosas de Brasília, a CPI uniu contra ela a alta cúpula o poder Judiciário, o Planalto, políticos do Centrão e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Esse conluio resultou no encerramento da CPI na última terça-feira (14/04), sem aprovação do relatório final, após votação de 6 a 4, que rejeitou o parecer do relator, Alessandro Vieira. A articulação entre atores da Republica consistiu, principalmente, na mudança de membros da comissão no dia da votação. A CPI, que inicialmente investigaria o avanço de facções como PCC e Comando Vermelho, acabou focando no escândalo do Banco Master. É que as investigações apontam o Master como “o banco do crime organizado”.
A manobra para sepultar a CPI foi orquestrada pelo governo e sua base governista, para proteger integrantes do STF que estão com seus nomes arrolados no escândalo do Banco Master, que seria o banco das facções criminosas. Esse cenário liga todos esses atores num sórdido plano de corrupção maior que todos os escândalos já registrados no Brasil.
Muito antes de ser jornalista, eu sempre entendi que o crime organizado, que entendo ser uma empresa multinacional com representação em todos os países do mundo, não é comandado por meninos pobres, sem estudo e vocacionados a desonestidade. Quem consegue acreditar que pessoas sem perspectiva e nenhum senso de administração comandam o crime organizado é tremendamente abestado ou muito ingênuo.
É claro que o braço armado do crime organizado é formado por um exercito de pobres sem perspectivas nas favelas e/ou pobres sem perspectivas que atuam na política e nos órgãos de Segurança Pública de forma corrupta e desonesta. Essa gente tem apenas a função de impor medo e terror aos seus iguais. São os ‘capitães do mato’ do mundo moderno. Todavia, vale acrescentar que o sistema enxerga essa gente como “descartável”, por isso, morre tanta gente nas favelas, guetos e biqueiras.
Quando a alta cúpula da República se movimenta para sepultar a CPI do crime organizado, ela deixa claro quem é que comanda e expõe os donos do ‘sistema’. Chegasse a CPI em meninos pobres de periferia, ela teria sido aprovada com louvor, mas como alcançou gabinetes e bateu na porta da alta cúpula da República, a decisão do sistema foi acabar com a investigação. Esse gesto apenas confirma o que nós já sabíamos e pouca gente tem coragem de dizer: o sistema usa terno, gravata e está encastelado nos gabinetes encarpetados e climatizados de Brasília. Ao contrário do que pensa o imaginário popular, o sistema apenas usa os desesperançados e sem perspectiva das favelas e periferias.
Vamos em frente! #flavioazevedo
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