sexta-feira, 22 de maio de 2015

A ilusão da consciência limpa

Flávio Azevedo 
Nessa quinta-feira (21/05), o comentarista Arnaldo Jabor comentou que os integrantes do Partido dos Trabalhadores sofrem da “síndrome de consciência limpa”. Ele destaca as declarações de Rui Falcão, presidente do PT, para quem todas as críticas que o governo federal tem recebido não passam de armação da mídia conservadora e daqueles que não se conformam com a vitória da presidente Dilma Rousseff, nas últimas eleições. Segue essa linha de pensamento o ex-presidente Lula.

Engraçado que a linha de raciocínio do comentarista cabe como uma luva para alguns políticos riobonitenses, um grupo que Jabor classifica como “gente que mente de numa boa e de cara limpa”. Assim como o “mensalão” e o “petrolão” são negados por petistas, e segundo os grupos políticos ligados ao PT, essas histórias não passam de imaginação de alguns setores, em Rio Bonito os desatinos do governo municipal também são classificados por muitos integrantes do governo como uma armação daqueles que discordam do jeito de governar da mandatária, que nitidamente sofre com a “ilusão da consciência limpa”.

A suposta consciência limpa tem a pretensão de justificar ações equivocadas, atos falhos, iniciativas repreensíveis, decisões condenáveis, práticas ultrapassadas, posturas de cunho conservador, ausência de dialogo, centralização de poder e a eterna dificuldade de ouvir críticas, reprovações e até sugestões que representem deixar a zona de conforto.

Na verdade, nós estamos analisando um grupo de indivíduos que não respeita a opinião pública e acaba chamando quem reclama de “revoltoso” numa tentativa explícita de desqualificar as críticas que chegam da “massa atrasada e que não sabe votar”. A verdade que querem enxergar é que a gestão municipal está perdida, errando abusivamente e agindo como se Rio Bonito fosse uma propriedade privada.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Dia Mundial da Família

No dia 15 de março se celebra o Dia Mundial da Família e o Dia do Assistente Social, profissional que há muitos anos está indicando duas importantes premissas:
1 - a família é responsável pelos muitos problemas sociais que o Brasil enfrenta;
2 - a família é a solução para todos os problemas sociais que o Brasil enfrenta.

Acrescento que a pós-modernidade transformou a família em fam-ilia. Se conseguirmos juntar as famílias, os problemas sociais no Brasil terão fim rapidamente!

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Jesus Salvador...

Hoje eu estou tão em paz comigo
Parece até que não faz sentido
O que eu tenho chorado
O que eu tenho sofrido.
Hoje eu olhei o céu da minha janela
Vi no meu coração a presença tão bela
De Jesus sorrindo e dizendo pra mim.

Vem, deposita em minhas mãos
Todos os seus problemas
Levante esse olhar, não chore, não tema
Não perca essa fé que você tem em mim.

Quem vem a mim
Se alimenta do pão da vida
Quem segue os meus passos
Não sente as feridas
Tem a paz que eu dou
É feliz enfim. 

Senhor perdoai meus pecados
Me aceita a seu lado
Me deixa tocar o seu manto sagrado
E a graça que eu peço
Terei na sua luz. 

Senhor, quem sou eu pra que entreis
Em minha morada
Mais um fio de sua luz
Numa telha quebrada
Ilumina uma vida pra sempre Jesus.

Jesus Salvador, Jesus Salvador
Jesus Salvador, Jesus Salvador...

Senhor consolai os que choram
Curai os que sofrem
Nas ruas, nos guetos
Nos becos escuros
Na chuva, no frio, sem teto e sem pão,

Piedade daqueles que pensam
Que a felicidade é a riqueza, o poder
Ser feliz na verdade
É quem tem Jesus dentro do coração.

Canção: Roberto Carlos/Ilustração: Wagner Cardozo.

Esse e outros quadros assinados pelo artista plástico, Wagner Cardozo, estará exposto na Pinacoteca Municipal Antônio Benevides Filho, no Centro de Rio Bonito, até o dia 5 de junho. A Pinacoteca está sediada na Av. Castelo Branco (Rua dos Bancos), em cima do banco Itaú.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Estamos fazendo a nossa parte?

Flávio Azevedo 
Depois do crime bárbaro que aconteceu no Parque Andréa na madrugada desse domingo (03/05), “in box”, muita gente me pergunta: “o que será feito para acabar com essa violência e mudar esse cenário de insegurança?”. Nas mídias sociais a principal pergunta é: “cadê a polícia?”. Exclamações do tipo “alguma coisa precisa ser feita!”, também vemos sendo escrita no Facebook.

Bem, a minha sugestão é que a polícia seja esquecida, porque ela tem feito o trabalho dela. A verdade é que a Polícia não pode ser responsabilizada, porque ela prende o indivíduo, mas as leis determinam que o indivíduo seja solto. Esse rapaz que foi assassinado em Parque Andréa, por exemplo, foi preso em fevereiro desse ano e já estava na rua desenvolvendo as mesmas atividades que motivaram a sua prisão.

O Brasil e o brasileiro tem o mau hábito de terceirizar os problemas. É claro que a maior parte dos nossos políticos é corrupta; quem não é corrupto, é omisso; quem não peca pela omissão é irresponsável; mas isso só acontece porque a sociedade é desinteressada e descaradamente transfere a responsabilidade que é dela para a Polícia e para a política. Está nítido que o nascedouro da violência está na eterna desigualdade social do país; e também está claro que não se resolve os problemas sociais com políticas compensatórias e paliativos eleitoreiros.

A pergunta, “cadê a Polícia?”, instituição que tem as suas falhas; o questionamento, “o que estão fazendo os nossos políticos?”, que sabemos ter muita culpa no cartório; não podem ser feitas sem indagarmos também “o que nós estamos fazendo para contribuir?”.

Eu defendo a instalação de cabines de Segurança nas entradas e saídas da cidade e o monitoramento do nosso território, sobretudo porque os assaltos e roubos que estão acontecendo em Rio Bonito estão sendo praticados quase em sua totalidade por marginais de municípios vizinhos. Contudo, papai e mamãe também precisam monitorar os seus filhos. Com quem estão andando; fazendo o que; a hora que saem; a hora que chegam etc.

A lerdeza de determinados pais me deixam com a impressão de que eles nunca passaram pela adolescência, época de rebeldia, período em que o sujeito está a fim de afrontar, quebrar regulamentos, transgredir regras... Eles parecem já ter nascido adultos e que nunca passaram por essa fase.

Sendo assim, não deixe de questionar a Polícia, cobrar dos políticos, mas se certifique de estar fazendo a sua parte e dando a sua contribuição a partir da vigilância e monitoramento dos seus filhos. Eu não tenho dúvidas de que quando isso começar a acontecer haverá um grande avanço no combate a violência, ao tráfico de drogas e a insegurança.

Resta saber se os setores que lucram com o caos permitirão essa mudança de atitude, uma vez que a insegurança é o principal ativo das indústrias, do tráfico de drogas e da violência, que estrategicamente financia setores, lideranças e discursos midiáticos contrários a mudança de postura da sociedade a partir das famílias.

sábado, 2 de maio de 2015

Nesse Dia do Trabalhador...

A professora Maria de Fátima Monteiro Pereira, com o microfone, é uma das vozes nesse grupo de profissionais de Educação que sabem bem o que buscam.
... O meu respeito a todos os trabalhadores! Hoje, porém, eu quero reverenciar um grupo de trabalhadores que está fazendo a diferença em Rio Bonito, os profissionais de Educação, categoria que está promovendo um divisor de águas na história política da “Cidade Risonha”. Estou falando dos “cabeças de obra” que decidiram mudar as suas histórias. Permitam-me homenagear também aqueles que são apenas “mão de obra”, aqueles que por uma série de razões não aderiram ao movimento grevista montado pelos “cabeça de obra”.

Estamos falando de profissionais que precisam dar conta de pequenos que chegam à escola sem Educação, porque os pais ainda não entenderam que a professora é responsável pela escolaridade e não pela Educação dos seus filhos. Todavia, esses pais, por mais relapsos que possam parecer, são trabalhadores que por precisarem trabalhar acabam falhando na tarefa de educar. Por vezes, esses pequenos são filhos de profissionais de Educação que precisam trabalhar em três turnos para sobreviver com um mínimo de dignidade.

Eu tenho certeza que a sociedade reconhece a importância e o esforço dos trabalhadores da Educação. Talvez aqueles que não aderiram ao movimento grevista, uma manifestação legítima que tem o seu nascedouro na classe trabalhista, ainda não tenham percebido a importância da sua atividade. O Educador tem o poder de transformar e essa transformação só não é mais eficiente porque a escolaridade (Educação Secundária) acaba sendo comprometida com a falta de valores que esse pequeno deveria trazer de casa (Educação Primária).

A professora Elaine Jansen é mais um símbolo de resistência e engajamento dos profissionais de Educação da rede municipal de Rio Bonito.
Nesse Dia do Trabalhador, uma grande pensadora contemporânea escreveu na sua página no Facebook, que “não tem feriado para quem quer trabalhar por uma cidade linda de viver”. Para os incautos, para aqueles que têm preguiça intelectual ou para quem recebe para aplaudir, essa frase de efeito é fantástica e corajosa. Todavia, essa linha de pensamento é um desprezo aos clamores da massa trabalhadora que é oprimida por salários de fome, mãos de ferro e vigilância panóptica.

Eu explico o panóptico. No fim do século XVIII, o filósofo inglês Jeremy Bentham desenvolveu a ideia do panóptico, inicialmente idealizado para o sistema penitenciário. Percebeu-se que o nascedouro dos golpes de estado era nas escuras masmorras. A ideia foi substituir as arcaicas prisões por celas construídas em círculo que tinham ao centro uma torre de observação, que conseguia visualizar todos os pontos e todos os presidiários.

Posteriormente, esse sistema foi estendido às escolas e indústrias, para tornar esses locais eficientes e produtivos. Mais foi o francês Michel Foucault que evoluiu o panóptico de Jeremy Bentam para o status de ferramenta de controle social.

Nos últimos anos, a partir da internet, novas tecnologias de comunicação e informação surgiram, permitindo novas formas de vigilância e controle social. A mais utilizada e democrática delas é a mídia social, por exemplo, o Facebook, instrumento que mascara as reais intenções de vigilância e controle de indivíduos; e disfarça os objetivos de quem utiliza esse espaço para vigiar e punir os autores de determinado pensamento. Adiante, o também francês, Giles Deleuze, analisou ambos os conceitos e criou a lógica da “sociedade de controle”, porque ele percebeu que nesse novo cenário, todos observam e vigiam.

Profissionais da rede municipal de Educação em manifestação pela ruas de Rio Bonito no último dia 29 de abril.
Aos amigos trabalhadores, sobretudo você que está inserido nessa conjuração riobonitense que visa mudar salários, a condição física das escolas etc., eu aviso que o DOI- CODI está de olho em vocês, mas segundo Giles Deleuze vocês também podem ficar de olho no DOI-CODI e na sua mentora intelectual. O Dia Trabalhador é celebrado nessa data, porque foi no dia 1º de maio de 1886 que um protesto de trabalhadores, em Chicago-EUA, virou uma batalha campal que terminou com o saldo de um policial morto, 38 operários mortos e 115 feridos. Cerca de 300 líderes grevistas foram presos. Naquele tempo, a reivindicação era pela redução da jornada de trabalho, tratamento igual para homens e mulheres independente de ofício e idade.

Hoje, embora as manifestações sejam por outras questões, o poder dominante segue oprimindo e, como aconteceu no Paraná, agredindo. Entretanto, a principal pressão é exercida sobre os “cabeças de obra”. Para o politico, quem se limita a vender a sua “mão de obra” não tem a mesma importância do “cabeça de obra”, aqueles que além de vender o seu “trabalho”, usa a “cabeça” para resistir pressões, agregar pessoas aos seus objetivos, enfrentar injustiças, articular novos pensamentos, mas sempre de maneira inteligente e organizada.

Feliz Dia do Trabalhador!

sábado, 25 de abril de 2015

Cuidado! Vagabundos estão soltos em Rio Bonito!

Flávio Azevedo 
Sim, está perigoso andar a noite em Rio Bonito. Se alguma autoridade está incomodada com esse e outros textos sobre a violência que atinge Rio Bonito, comece a trabalhar para eu pensar diferente!
Por volta da 1h da madrugada desse domingo (26/04), eu saia com a minha família de um casamento no Esporte Clube Fluminense, Centro de Rio Bonito. Enquanto caminhávamos em direção ao nosso carro, dois indivíduos, no interior de um Fiat Bravo da cor branca, falaram gracejos para minha mulher e filha. É claro que eu falei alguns desaforos de volta. Eles continuaram lentamente, subiram em direção a Av. Castelo Branco (Rua dos Bancos) e acessaram a Av. Presidente Arthur Bernardes em direção a Praça Astério Alves de Mendonça.

O meu carro estava no estacionamento da ferrovia. E ao passarem próximo de nós outra vez, bem ao estilo Flávio Azevedo, eu encarei a dupla. Repentinamente o sujeito que estava no carona colocou a mão para o lado de fora e deu um tiro para o alto. As minhas companhias quase tiveram uma sincope. Eu, porém, ainda tive tranquilidade para gritar que com um revolver enfiado no ####### é fácil tirar onda com os outros. Nessa altura do campeonato já tinha me subido um ódio, uma revolta, mas por conta das companhias eu não pude fazer o que queria. Mas decidi ir até ao DPO relatar o ocorrido. Subi pela Rua dos Bancos e quando cheguei na XV de Novembro, quem trafegava lentamente? Sim, o mesmo Fiat Bravo. ´

Para meu azar e sorte deles, entre o Fiat Bravo e o meu carro tinha um veículo e esse “retardatário” me impediu de anotar a placa dos marginais. No DPO, ao tomar conhecimento da minha história, os policiais militares imediatamente saíram em busca do tal Fiat Bravo. Rapazes guerreiros esses nossos policiais. Todavia, eu estou preocupado comigo, porque não estou com medo (e deveria). Estou mesmo é indignado, possesso de raiva, e lamentando não poder estrangular aqueles crápulas.

Se eu tinha dúvidas, agora, eu tenho certeza: o cidadão de bem precisa se armar para proteger a sua família, porque o Estado não está correspondendo as nossas expectativas (e eu não estou falando dos policiais). Mas a arma na mão do cidadão de bem é para ser usada. Diante de um cenário desses e de outro qualquer, não tem que perguntar quem é ou o que foi. Tem que descarregar sobre os infelizes. A ideia é sim varrê-los da face da terra. Essa é a opinião do cidadão Flávio Azevedo.

Já o jornalista Flávio Azevedo, que é bem menos iracundo que o cidadão Flávio Azevedo, faz a seguinte provocação: vamos agora até a Secretaria Municipal de Segurança solicitar as imagens do sistema de monitoramento da Av. Manuel Duarte, Presidente Arthur Bernardes; da Getúlio Vargas e XV de Novembro, para identificarmos esse veículo e possivelmente os retardados que estavam tirando onda com os outros no Centro da cidade. Será que nós conseguiríamos essas imagens?

Pois é... Ao péssimo governo municipal, fica a dica. Chega de governar para alguns e vamos governar para a coletividade. Comece cumprindo a promessa de campanha de que a cidade seria monitorada em todos os cantos para oferecer segurança aos munícipes e agilidade a Polícia na identificação e prisão de bandidos. O governo começou em janeiro de 2013, mas em abril de 2015 a gestão ainda não começou. Até aqui, apenas os cargos e as benesses estão sendo gerenciados.

Vamos começar a trabalhar Prefeitura, porque o cidadão vai começar a resolver os seus problemas por conta própria. Eu já estou decidido a fazer isso; e outros vão começar a fazer o mesmo. Ninguém vai falar gracinha para a minha família e sair com o rabo fresco. Tenho certeza que não faltarão oportunidades para eu dar o troco!  E não estou preocupado se gostam ou não da minha forma de pensar!  Quem discorda, converse com as pessoas que foram roubadas e assaltadas recentemente em Rio Bonito.  

Ruas do Parque Andréa, em Rio Bonito, recebem pavimentação

Flávio Azevedo
Opa, finalmente uma notícia positiva! No último dia 17 de abril as obras de pavimentação do Parque Andréa foram retomadas. Estão sendo pavimentadas as ruas Wilson Welisson Martins (Rua 3); e Dorcelina Assis dos Santos (Rua 4). Vamos torcer para que nessa nova arrancada, que também está terminando o que estava faltando fazer no Green Valley, as localidades, Jacuba e Cajueiros, também sejam atendidas. Que os asfaltos danificados no Parque Andréa, por conta da instalação dos canos da CEDAE, também sejam recapeados.

OBS: quando o poder público manda bem nós noticiamos, quando manda mal nós puxamos a orelha.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Ainda sobre o Hospital Regional Darcy Vargas

Flávio Azevedo 
Algumas pessoas ainda incorrem no mesmo erro de achar que o Hospital Darcy Vargas é público. Acrescento que a responsabilidade de mantê-lo é de todos nós, porque essa instituição é da sociedade riobonitense. Sim amigo, o hospital não é da Prefeitura como muitos pensam. A Prefeitura é apenas um cliente que contrata os serviços do hospital e como todo e qualquer cliente tem que pagar pelos serviços contratados. É um negócio como outro qualquer. Uma relação comercial. Simples assim.

O problema é que ciente de que é o maior cliente do hospital, a Prefeitura quer ter privilégios que a instituição não permite e não concorda. E não estou falando de governante, eu estou falando de governo. Tanto é assim, que todos os governos têm quedas de braço com a direção do hospital. O hospital não é uma extensão da casa do governante e não é uma extensão da Prefeitura.

Vale lembrar que o hospital não tem dono, um proprietário, mas alguém que preside pelo período de um ano as ações que a instituição irá realizar em nome de um colegiado de sócios. Os últimos dois prefeitos de Rio Bonito (esses que se revezam no poder) são sócios do hospital. Tem eleição no hospital todo ano. Sendo assim, por que não se organizam para de maneira clara colocar na direção do hospital, pessoas ligadas a eles?

Reclama-se muito que a direção do hospital age por debaixo dos panos. O problema é que quem deseja tirá-los também age por debaixo dos panos. Sendo assim, os associados não conseguem ver diferença entre quem deveria sair e quem pretende entrar. Resultado: votam pela manutenção do que está, porque “nada está tão ruim que não possa piorar”. Essa é a lógica!

Permita-me alongar só mais um pouco, para lembrar que é assim, porque o hospital nasceu assim. Há cerca de 70 anos, os riobonitenses foram aos governos, Estadual e Federal, pedir um hospital na cidade. Diante da resposta negativa, os riobonitenses decidiram construir essa entidade. É claro que teve dinheiro público nisso, o ex-prefeito Celso Peçanha, por exemplo, ajudou muito e foi um entusiasta dessa ideia de Rio Bonito ter um hospital. Mas a sociedade sempre comandou o hospital.

Os anos eram outros, as normas e responsabilidades técnicas de cada profissão eram outras. O hospital funcionava com médico e atendente de enfermagem, que revezavam com as copeiras, a atribuição de serviços gerais. Era um modelo bem artesanal. Quase um hospital de campanha. Mas como eu disse, os tempos mudaram.

Com o passar dos anos, as pessoas passaram a ser remuneradas. Com o crescimento da cidade, o hospital também cresceu; e aos trancos e barrancos, chegou onde está. Todos, todos os presidentes que passaram pela instituição foram acusados e questionados de uma porção de coisa, mas todos deram contribuição importante para o hospital.

A dita “panela” que existe no hospital, não podemos reclamar, porque Rio Bonito é uma grande “panela” e se divide em “panelas” menores. Todas as entidades, associações e clubes de Rio Bonito são regidos pela lógica da “panela”. Historicamente, Rio Bonito é uma sociedade fechada e em alguns momentos lembra a Índia e o seu sistema de “castas”. Podemos até reclamar, não querer assumir isso, mas é cultural nosso.

E esse questionado comportamento (“panela”) não trás somente prejuízos. Sermos uma sociedade fechada também trás benefícios, sobretudo na qualidade de vida e na manutenção das nossas raízes, o que nos permite ter uma identidade.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Prefeitura de Rio Bonito x Hospital Darcy Vargas: onde está a razão?

Flávio Azevedo 
Vamos falar sobre a enfadonha queda de braço entre Prefeitura de Rio Bonito e Hospital Darcy Vargas. Tem dívida ou não? A Prefeitura em nota oficial reconhece que existe dívida, mas afirma que ela não é de R$ 4 milhões, conforme diz o Hospital. Para o município, a dívida é de R$ 1,3 milhão e nada mais. Todavia, se somarmos a esse valor a outros débitos, nós veremos as cifras se aproximarem dos R$ 4 milhões. Vou provar:

Repasse federal de março: R$ 1,3 milhão.
PAHI referente há 10 meses: R$ 1 milhão.
Recurso próprio para o custeio do Pronto Socorro, referente aos meses de fevereiro e março: 800 mil.

Essas três dívidas representam R$ 3,1 milhões. Junte pingadinhos de serviços prestados na área de Ortopedia, Oncologia, entre outras; e os valores certamente chegarão aos R$ 4 milhões.

Por outro lado, é claro que o hospital precisa ser descontado conforme contrato, porque não atinge metas contratadas de determinados serviços, não consegue manter completa, a escala de médicos na Emergência etc.

Entretanto, o CTI, segundo conversas que acompanhamos nas reuniões do Conselho Municipal de Saúde, dá prejuízo. E dá prejuízo, por quê? Porque as internações sempre ultrapassam o teto, que é de 140 por mês. E essa diferença, cerca de 50 internações a mais, o hospital não recebe... Mas existiu um paciente e ele consumiu insumos, medicamentos, materiais, exames... E quem paga essa conta?

Outro gargalo importante é a Unidade Intermediária, que funciona como um CTI, porque recebe pacientes com a mesma gravidade de um Centro de Terapia Intensiva. Acontece que esse setor que recebe pacientes de alta complexidade é faturado como uma enfermaria comum. Ou seja, o gasto com insumos, exames, medicamentos e materiais é o mesmo do CTI. Segundo a direção do Hospital, esse prejuízo é da ordem de R$ 70 mil mensais. E quem paga essa conta?

No setor de Maternidade, por exemplo, acontece algo similar, porque o número de partos supera o teto previsto para o HRDV. Mas os partos não faturados existiram e essas mães com os seus recém-natos receberam cuidados, medicamentos, insumos... Com eles foram gastos materiais, exames... E quem paga essa conta, que é da ordem de R$ 50 mil por mês?

Não está passando da hora da Prefeitura se organizar politicamente para que o hospital seja pleno em seu atendimento a população e não fique perdendo receita? Não seria a hora de telefonar para os parceiros de Rio Bonito cobrando ações nessa direção, uma vez que essas contratualizações são feitas em esfera estadual e federal? Temos, porém, um problema: existe interesse? Existe vontade política?

Mas a direção do HRDV também precisa nos dar explicações. Por exemplo:

*O arrombamento no setor administrativo, meses atrás, não foi bem esclarecido e ainda gera desconfiança da população. Afinal, o que aconteceu?

*A demissão de funcionários que estariam aproveitando de suas funções de confiança para cometer ilícitos, também não foi devidamente esclarecida, sobretudo as medidas tomadas para se reaver importâncias supostamente subtraídas. E aí?

*A postura da direção da unidade no trato com funcionários que reclamaram os seus direitos (salários atrasados, por exemplo). Muitos acabaram sendo demitidos sumariamente, numa atitude ainda reclamada por vários segmentos;

*A sobrecarga do médico plantonista da emergência, que acaba tendo que atender internos; as ocorrências de pacientes do setor particular; e/ou cobrir faltas de colegas de plantão; situações que seriam as razões para as muitas demissões. Vale lembrar que a Prefeitura paga para esse profissional atender a emergência e não o doente internado. Para o interno, o hospital tem que ter outra equipe, uma exigência que nunca foi cumprida;

*O caso do médico plantonista que durante o seu expediente deixa o plantão para realizar cirurgias e os ditos pequenos procedimentos, o que não é permitido porque ele está de plantão... Mas muitos desses procedimentos acabam passando batido, porque geralmente são pedidos políticos;

A verdade é que Hospital e Prefeitura têm respostas a dar a população, mas eles externam apenas os seus desentendimentos, porque determinados pontos que deveriam ser corrigidos, por ser vantajoso para ambos, acabam sendo tolerados e permitidos.

Então amigo, diante da clássica pergunta “quem tem razão na briga entre prefeitura e hospital?”. Eu confesso que vai depender do viés de quem está perguntando ou respondendo. Vejo culpa e razão em ambas as partes. Penso, porém, que os reais problemas e desafios da direção do hospital e dos representantes da Prefeitura não estão sendo discutidos e a sociedade e a mídia não percebem isso.

domingo, 19 de abril de 2015

Motoqueiros: Irresponsabilidade sobre duas rodas

Flávio Azevedo
Nesse sábado, por conta da imprudência de um “motoqueiro”, um caminhão que transportava tijolos tombou na entrada de Rio Bonito. E se esse infeliz batesse no caminhão e morresse? Certamente o pau estaria cantando, agora, sobre o pobre coitado do motorista. Está na hora das famílias desses moleques presepeiros e o poder público aumentarem o rigor da fiscalização sobre esses inconsequentes. Por conta de um excesso, os prejuízos diretos e indiretos foram muitos. Ainda bem que ninguém perdeu a vida.

Se o seu filho quer uma moto, espere ele chegar a maior idade, porque moto não é bicicleta, nem velocípede. E já comece levando ele ao Motoclube Rio Bonito para ele ter contato com “MOTOCICLISTAS” (foto) e não com “MOTOQUEIROS”, que são personagens bem diferentes.


Segue uma postagem bacana de Jr Fernandes, representante do Motoclube Rio Bonito: "Motoqueiros" não respeitam ninguém, nem as leis de trânsito. Aí um trabalhador, um profissional, quase perde a vida p/ porcaria dessa. Concordo plenamente que a responsabilidade desses maus condutores de motocicleta são os pais que acham lindo o filhinho conduzindo a motinha nova com o bonezinho virado para trás, porque capacete nem pensar. Dá duas voltinhas no quarteirão, se acha o piloto de fuga, se junta com umas tralhas, aí lasca tudo. Pais a responsabilidade de uma boa educação é sua. A de ser um bom condutor é só um complemento que se aprende nas autoescolas.