sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Polêmica do processo seletivo de Rio Bonito chega ao Ministério Público

Flávio Azevedo 
Depois de virar notícia no jornal O Dia da última quinta-feira (26/02), o processo seletivo simplificado, promovido pela Prefeitura de Rio Bonito para selecionar profissionais para o quadro da rede municipal de Educação, pode ser tema de investigação do Ministério Público (MP). Cercado de desconfiança, o certame desde a gestão passada, quando esse modelo de avaliação foi adotado, é sempre muito questionado.

O MP foi provocado pelo presidente do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT), Jorge Wallace Bretas, que entrou com requerimento para a abertura de inquérito civil investigatório, na Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Proteção à Educação (São Gonçalo).

Além da repercussão nas mídias sociais, o processo seletivo é assunto nas ruas de Rio Bonito, em municípios vizinhos e até na grande mídia. O processo seletivo simplificado deveria escolher pessoas para nove cargos temporários nos três níveis (Fundamental, Médio e Superior). Com apenas seis questões objetivas, a prova foi realizada em janeiro, com perguntas banais. A argumentação da Secretaria Municipal de Educação é que o certame tinha o objetivo de “excluir analfabetos”.

Também esteve em Rio Bonito, para falar da prova, uma equipe da TV Bandeirantes. Na Câmara de Vereadores, na última terça-feira (24/02), os vereadores, Rita de Cássia e Marcos Luanda, disseram que o certame virou “chacota”.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A teoria das janelas quebradas

Há alguns anos, a Universidade de Stanford (EUA), realizou uma interessante experiência de psicologia social. Deixou dois carros idênticos, da mesma marca, modelo e cor, abandonados na rua. Um no Bronx, zona pobre e conflituosa de Nova York e o outro em Palo Alto, zona rica e tranquila da Califórnia. Dois carros idênticos abandonados, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.
Resultado: o carro abandonado no Bronx começou a ser vandalizado em poucas horas. As rodas foram roubadas, depois o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, o carro abandonado em Palo Alto manteve-se intacto.
A experiência não terminou aí. Quando o carro abandonado no Bronx já estava desfeito e o de Palo Alto estava há uma semana impecável, os pesquisadores quebraram um vidro do automóvel de Palo Alto. Resultado: logo a seguir foi desencadeado o mesmo processo ocorrido no Bronx. Roubo, violência e vandalismo reduziram o veículo à mesma situação daquele deixado no bairro pobre. Por que o vidro quebrado na viatura abandonada num bairro supostamente seguro foi capaz de desencadear todo um processo delituoso? Evidentemente, não foi devido à pobreza. Trata-se de algo que tem a ver com a psicologia humana e com as relações sociais.
Um vidro quebrado numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação. Faz quebrar os códigos de convivência, faz supor que a lei encontra-se ausente, que naquele lugar não existem normas ou regras. Um vidro quebrado induz ao "vale-tudo". Cada novo ataque depredador reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores torna-se incontrolável, desembocando numa violência irracional.
Baseada nessa experiência e em outras análogas, foi desenvolvida a "Teoria das Janelas Quebradas". Sua conclusão é que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores. Se por alguma razão racha o vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão quebrados todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração, e esse fato parece não importar a ninguém, isso fatalmente será fator de geração de delitos.
Origem da teoria
Essa teoria na verdade começou a ser desenvolvida em 1982, quando o cientista político James Q. Wilson e o psicólogo criminologista George Kelling, americanos, publicaram um estudo na revista Atlantic Monthly, estabelecendo, pela primeira vez, uma relação de causalidade entre desordem e criminalidade. Nesse estudo, utilizaram os autores da imagem das janelas quebradas para explicar como a desordem e a criminalidade poderiam, aos poucos, infiltrar-se na comunidade, causando a sua decadência e a consequente queda da qualidade de vida. O estudo realizado por esses criminologistas teve por base a experiência dos carros abandonados no Bronx e em Palo Alto.
Em suas conclusões, esses especialistas acreditam que, ampliando a análise situacional, se por exemplo uma janela de uma fábrica ou escritório fosse quebrada e não fosse, incontinenti, consertada, quem por ali passasse e se deparasse com a cena logo iria concluir que ninguém se importava com a situação e que naquela localidade não havia autoridade responsável pela manutenção da ordem.
Logo em seguida, as pessoas de bem deixariam aquela comunidade, relegando o bairro à mercê de gatunos e desordeiros, pois apenas pessoas desocupadas ou imprudentes se sentiriam à vontade para residir em uma rua cuja decadência se torna evidente. Pequenas desordens, portanto, levariam a grandes desordens e, posteriormente, ao crime.
Da mesma forma, concluem os defensores da teoria, quando são cometidas "pequenas faltas" (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade, passar com o sinal vermelho) e as mesmas não são sancionadas, logo começam as faltas maiores e os delitos cada vez mais graves. Se admitirmos atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando essas crianças se tornarem adultas.
A Teoria das Janelas Quebradas definiu um novo marco no estudo da criminalidade ao apontar que a relação de causalidade entre a criminalidade e outros fatores sociais, tais como a pobreza ou a "segregação racial" é menos importante do que a relação entre a desordem e a criminalidade. Não seriam somente fatores ambientais (mesológicos) ou pessoais (biológicos) que teriam influência na formação da personalidade criminosa, contrariando os estudos da criminologia clássica.
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No metrô de Nova York
Há três décadas, a criminalidade em várias áreas e cidades dos EUA – com Nova York no topo da lista - atingia níveis alarmantes, preocupando a população e as autoridades americanas, principalmente os responsáveis pela segurança pública. Nesse diapasão, foi implementada uma Política Criminal de Tolerância Zero, que seguia os fundamentos da "Teoria das Janelas Quebradas".
As autoridades entendiam que, por exemplo, se os parques e outros espaços públicos deteriorados forem progressivamente abandonados pela administração pública e pela maioria dos moradores, esses mesmos espaços serão progressivamente ocupados por delinquentes.
A Teoria das Janelas Quebradas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, que se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: lixo jogado no chão das estações, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento da passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados positivos foram rápidos e evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.
Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Quebradas e na experiência do metrô, deu impulso a uma política mais abrangente de "tolerância zero". A estratégia consistiu em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à lei e às normas de civilidade e convivência urbana. O resultado na prática foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.
A expressão "tolerância zero" soa, a priori, como uma espécie de solução autoritária e repressiva. Se for aplicada de modo unilateral, pode facilmente ser usada como instrumento opressor pela autoridade fascista de plantão, tal como um ditador ou uma força policial dura. Mas seus defensores afirmam que o seu conceito principal é muito mais a prevenção e a promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinquente, mas sim de impedir a eclosão de processos criminais incontroláveis. O método preconiza claramente que aos abusos de autoridade da polícia e dos governantes também deve-se aplicar a tolerância zero. Ela não pode, em absoluto, restringir-se à massa popular. Não se trata, é preciso frisar, de tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.
A tolerância zero e sua base filosófica, a Teoria das Janelas Quebradas, colocou Nova York na lista das metrópoles mundiais mais seguras. Talvez elas possam, também, não apenas explicar o que acontece aqui no Brasil em matéria de corrupção, impunidade, amoralidade, criminalidade, vandalismo, etc., mas tornarem-se instrumento para a criação de uma sociedade melhor e mais segura para todos.
Fonte: Brasil 247

Prova de Seleção vira polêmica em Rio Bonito


A secretária de Educação de Rio Bonito, Lucy Teixeira, mostra o decreto utilizado para a realização do exame: “Seguimos dentro da legalidade”
Foto:  Fabio Gonçalves / Agência O Dia


Um processo seletivo simplificado para nove cargos temporários da rede pública de ensino de Rio Bonito está dando o que falar na cidade. Uma mesma prova foi aplicada para três níveis de instrução — Fundamental, Médio e Superior. Com apenas seis questões objetivas, ela foi realizada em janeiro, com perguntas banais. Uma delas procura saber se o candidato sabe ver as horas no relógio. A Secretaria Municipal de Educação admitiu a facilidade e informou que o exame foi concebido para “excluir analfabetos”.



Além da questão sobre o relógio, uma outra perguntava se o indivíduo nascido em Rio Bonito seria italiano, riobonitense, gaúcho ou mineiro. Segundo a secretária municipal de Educação, Lucy Teixeira, não foi possível formular provas diferentes para os três níveis de escolaridade porque a pasta não tem profissionais suficientes para elaborar e corrigir os exames.

“Seguimos dentro da legalidade. O processo é simplificado mesmo. E foi uma opção nossa aplicar a mesma prova para os diversos cargos, pois nossa comissão é pequena. A prova foi só para atender ao decreto e, além disso, eliminar as pessoas que não têm noção nenhuma”, declarou Lucy. 
Segundo ela, o que definiu a capacidade do candidato foi a entrevista, última fase do concurso. Nela, os postulantes responderam a uma questão: como desempenhariam seu papel em diversas situações, como em casos de conflito, subordinação, cumprimento dos deveres, interação com crianças e adolescentes no ambiente escolar.

Com base nas respostas da entrevista, os candidatos foram avaliados nos quesitos conhecimento técnico, comunicação, legislação, noções básicas do serviço público e sensibilidade para questões sociais. Os aprovados já firmaram contrato temporário.

Perguntada se o processo poderia privilegiar determinadas pessoas, já que o critério de escolha foi só pela entrevista, Lucy admitiu que poderia haver interpretações subjetivas dos entrevistadores, mas que era impossível beneficiar candidatos. “É lógico que depende da interpretação dele (do entrevistador). A questão de subjetividade é complexa mesmo. Mas, num universo de mil candidatos distribuídos ao mesmo tempo em uma entrevista, não tem como haver critério de escolha e indicação”, argumentou. 

Para o professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas Fernando Fontainha, a prova deveria nivelar os candidatos, mas da forma que foi aplicada, não avaliou nada. “Uma prova como essa não serve para medir habilidades e competências. É evidente que há algo de errado. A complexidade do cargo está sendo tratada da mesma maneira para os três níveis de escolaridade”, declarou.

Candidatos falam em ‘ farsa’. Sindicato desqualifica a seleção

Na página da Secretaria Municipal de Educação de Rio Bonito no Facebook, administrada pela própria secretária, a divulgação do gabarito da prova virou piada. Um dos candidatos que realizou o exame, mas foi reprovado na etapa da entrevista, escreveu na página que “qualquer um gabaritava a prova”. Caíque Vicente alegou que o processo foi uma farsa. “Esse processo seletivo foi uma farsa como todos os outros. E, dessa vez, nem os critérios de avaliação foram leais, a prova foi ridícula”, afirmou o candidato.


As questões de múltipla escolha foram consideradas até ‘insanas’, como a do relógio e do bonequinho de cinema.
Foto:  Reprodução

De acordo Marta Moraes, diretora do Sindicato dos Professores do Rio, até uma criança de 5 anos poderia realizar a prova de Rio Bonito. “Isso é conteúdo de 3ª série do Ensino Fundamental”, disse Marta. O mesmo exame foi aplicado para candidatos de diferentes cargos, como o de motorista, para o qual é exigido apenas a conclusão do 5º ano do ensino fundamental; agente escolar, Ensino Médio completo; nutricionista e professor de mecânica, ambos exigindo nível Superior e licenciatura plena. Os salários variam de R$ 788 a R$ 908.

Um professor da rede municipal de Rio Bonito, que preferiu não se identificar, denunciou que a Prefeitura preferiu abrir um novo processo a chamar os candidatos aprovados no último concurso, em novembro passado: “É um absurdo. Uma fila imensa de aprovados esperando para entrar na rede, e a secretária só quer fazer contratação temporária.” 

A secretária de Educação Lucy Teixeira alegou que o processo não pretendeu preencher os cargos do concurso anterior. O Sepe de Rio Bonito vai se reunir com ela no mês que vem para debater o caso.

Mais de mil pessoas se candidataram 

Dos 1.300 inscritos no processo seletivo, uma média de 50 pessoas foram reprovadas na prova porque erraram duas ou mais questões. “Fiquei preocupada com essas pessoas. Muita gente fica aflita com prova de concurso. Nós, da secretaria, não podemos ir a fundo nesses casos, para não causar constrangimento”, declarou a secretária Lucy Teixeira.

O processo seletivo realizado em janeiro foi o quarto aplicado pela pasta desde 2013. Segundo Lucy, o último concurso para o magistério, em novembro, não foi suficiente para o preenchimento de algumas vagas, como a de professor técnico, que não teve aprovados suficientes. Para 27 vagas, só quatro pessoas foram aprovadas. Os cargos administrativos incluídos no último processo serão terceirizados em breve.

Ministério Público vai ser acionado

O Ministério Público será acionado para investigar o processo seletivo. Até o fim desta semana, o diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) de Rio Bonito vai oficializar o pedido ao órgão. “Aquela prova é mais do que surreal, é insana. É um desrespeito com o cidadão. Querem armar um esquema político? Faz bem feito, não avacalha”, apontou o presidente do diretório, Jorge Wallace Bretas, que espera investigação do MP em todos os processos. “Tudo tem que ser investigado porque daqui a pouco, a prefeitura nem vai fazer mais processo seletivo, vai contratar direto”, completou Jorge Wallace.

Fonte: jornal "O Dia"

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Prefeito de Silva Jardim reduz 20% do seu salário

Para enfrentar a crise econômica nacional e principalmente a redução dos royalties do petróleo no Estado do Rio, o que prejudica diretamente Silva Jardim, o prefeito Anderson Alexandre, encaminhou uma mensagem indicativa à Câmara de Vereadores pedindo a redução de 20% do seu subsídio além da redução no mesmo percentual para o vice-prefeito, secretários, subsecretários e dos assessores especiais. A Lei foi aprovada em sessão extraordinária da Câmara de Vereadores e proporcionará uma economia de mais de R$ 80 mil mensais aos cofres municipais.

O prefeito disse que este é o momento do gestor público agir com austeridade financeira, controlar de forma rígida os gastos públicos para que a maioria da população não sofra os efeitos da crise econômica que se alastra pelo país.
– Esta medida, além do congelamento da gratificação de aniversário e da criação do banco de horas-extras, visa reduzir o impacto na folha salarial, desta forma, desafogando os gastos com funcionários e mantendo os outros investimentos para melhoria da qualidade de vida da nossa população – disse o prefeito.

Ainda de acordo com o chefe do Executivo, os secretários e subsecretários serão exonerados a partir do próximo dia 1º e só serão nomeados para os cargos àqueles que estiverem de acordo com a redução salarial. Outra medida de redução de gasto que está sendo estudada pelo chefe do executivo é o envio de uma mensagem indicativa para redução em 10% do salário dos demais cargos comissionados.

Fonte: Comunicação SJ

Período Legislativo de Rio Bonito começa como terminou: com críticas a ineficiência do poder Executivo

Flávio Azevedo 
A prefeita Solange Almeida apresentou uma série de realizações da Prefeitura em dois anos de governo, mas não explicou os problemas que estão sendo reclamados pela população.
As palavras de otimismo da prefeita Solange Almeida (PMDB), na abertura dos trabalhos Legislativos de Rio Bonito, nessa terça-feira (24/02), não foram suficientes para calar os vereadores, inclusive, os que integram a base aliada do governo, de onde vem a maior parte das críticas que a administração municipal recebe. A prefeita voltou a dizer que não tem problemas com as críticas, “porque elas servem para ajudar a melhorar”; ignorando o fato de que o grande problema dela é não assimilar as críticas, uma vez que boa parte das reclamações direcionadas a ela é feita desde 2013 e ela ainda não atendeu.

Em sua participação, a prefeita esboçou otimismo; convocou os riobonitenses a falar bem da cidade; alertou para “o ano difícil que nós teremos por conta dos problemas que o governo federal está enfrentando”; enumerou realizações alcançadas nos dois anos de gestão; mas não deu explicações para o que emperra a gestão. Apresentando uma cidade que somente ela e os seus colaboradores conhecem, a prefeita terminou a sua participação com uma alegoria para ilustrar que as pessoas não prestam atenção nas coisas positivas da vida, um discurso bem ao estilo Solange Almeida.

Novo ano velhas críticas

O vereador, Marquinhos Luanda; e a vereadora, Rita de Cássia cobram maior eficiência do município na sua prestação de serviço.
Na pauta das críticas ao governo municipal; a Educação, o Carnaval e a prestação de serviço de maneira geral. O conserto do sinal de transito da cidade foi solicitação dos vereadores Rita de Cássia (PP) e Marcos da Luanda (PMDB). O primeiro a cobrar mais dedicação a Educação da rede municipal foi o vereador Aissar Elias (PMN). Ele acredita que a prefeita deve começar a mudar na Educação, que ainda luta com a falta de professores, “ao ponto da secretária de Desenvolvimento Urbano ter assumido uma sala de aula”. Aissar concluiu abordando a crise hídrica que atinge os estados da Região Sudeste; cobrou atuação mais eficiente da CEDAE, mas não comentou os desmatamentos que estão matando as cachoeiras de Braçanã e já mataram o Rio Seco.

O vereador Marcos Luanda (PMDB) criticou a não realização do Carnaval e destacou que “a falta de recursos pode ser superada com gestão e criatividade. Nós sabemos que existe recurso para a Saúde, Educação e Cultura”. Ele também destacou o aspecto de abandono da cidade, convocou a Comissão de Obras a fiscalizar mais de perto esse assunto, “porque a cidade está cheia de entulhos”; contou que recebeu amigos de fora do município durante o Carnaval “e como vereador da cidade eu fiquei com vergonha”.

Já a vereadora Marlene Carvalho (PPS) fez discurso voltado a Saúde e revelou que no Hospital Regional Darcy Vargas as pessoas estão morrendo. “A situação da Saúde do nosso município é grave e nós precisamos resolver”, frisou a vereadora, acrescentando que os professores estão esperando a implantação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração, “mas pelo visto vai para o espaço”. Ela acrescentou que espera pelo menos a implantação do piso nacional e revelou que esteve na Secretaria de Administração, “onde me disseram que chega na conta em fevereiro”.

O vereador Claudinho do Bumbum Lanches (PSB) também tocou na sujeira que atinge a cidade; lembrou que “a qualidade de vida é o principal atrativo de Rio Bonito”; e comentou que os caminhões agregados foram reduzidos por contenção de despesas.
– Eram oito caminhões, três máquinas, quatro Patrois e, segundo a prefeita, para reduzir gastos o município, agora, conta apenas com quatro caminhões e eles estão trabalhando no sistema de rodízio. Trabalha apenas quinze dias. Já não estava conseguindo prestar o serviço com oito caminhões imagine reduzindo. Por outro lado, o cidadão precisa ser mais consciente na hora que corta uma árvore, produz entulho, para a cidade não fica entulhada como está acontecendo na Bela Vista – frisou Claudinho, alegando que só não teve epidemia de dengue porque não choveu e por isso os mosquitos não conseguiram procriar.

O vereador Marcinho Bocão (DEM) disse que a cidade precisa estar limpa, comentou que tem comentado essa questão com a prefeita, frisou que a população precisa fazer a sua parte e destacou que o local de despejo dos entulhos e resto de obras recolhidos estão sendo descartados quase em Nova Cidade. “O preço pago pelo veículo agregado é muito pouco e se o caminhão for duas vezes ao “bota fora”, o óleo que gasta para ir até lá vai dar prejuízo ao dono do veículo agregado”. 

O discurso, porém, mais contundente foi da vereadora Rita de Cássia, que destacou a importância dos pensamentos divergentes e frisou que os vereadores estão usando discursos repetitivos, “porque os problemas se repetem e não se resolvem”. Ela criticou a falta de professores; comentou os problemas com o processo seletivo e atribuição falsa que estão dando aos vereadores no processo de seleção; reclamou da forma como a chefia de gabinete da Prefeitura responde as solicitações da Câmara; lembrou que o Colégio Municipal Dr. Kingston Motta continua na mesma situação; que a prefeita ainda não cumpriu compromissos de campanha assumidos com ela; revelou que alguns veículos agregados estão desde setembro sem receber pelo serviço prestado.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O tiro saiu pela culatra

Flávio Azevedo 
E naquela cidade do interior do Rio de Janeiro, o político e o seu assessor, sabedores de que um empresário queria se instalar no Condomínio Industrial do município, se ofereceram para capitanear o processo de concessão, mas o “desenrolo” custaria a bagatela de R$ 150 mil. O assessor correu atrás, conseguiu a autorização e feliz da vida foi procurar o empresário para comunicar que estava tudo certo, e, logicamente, para pegar a importância combinada.

O problema é que o empresário foi mais malandro e saiu com a história de que ele tinha os R$ 150 mil no dia do trato, “mas como vocês não falaram mais nada, eu fiz outro investimento”. O político quase teve uma sincope, mas nada poderiam fazer, porque a concessão já havia sido autorizada e os ditos R$ 150 mil não aparecem na documentação que legaliza o negócio.

Conclusão: os supostos espertos, por serem ludibriados, estão fulos da vida e sendo muito zoados por quem conhece a história. Já o empresário está sendo considerado “o cara” por ter passado a perna no sistema e nos seus operadores. Você não acha que esse político deveria procurar a Delegacia e dar queixa do empresário?

sábado, 21 de fevereiro de 2015

O que o PMDB tem a dizer ao Brasil?

Flávio Azevedo 
Kkkkkkkkk desculpem, mas eu não consigo parar de rir. Amigos, ou o PT corre atrás do PMDB, agora, e dá aos seus comandantes ainda mais vantagens e molezas no governo, ou o partido vai seguir com o “golpe de estado” que estão promovendo contra a presidente Dilma Rousseff. Todos nós sabemos que o PMDB é igual a Mística, aquela inimiga dos X-Men, que muda de aparência e se transforma em quem ela quer. Hoje, o partido é composto por pessoas de variados perfis ideológicos, comanda a Câmara dos Deputados; o Senado Federal; e está na vice-presidência da República. Talvez, na cabeça dos caciques peemedebistas essa seja a melhor hora para virar a mesa.

Como num velho filme Boris Karloff (terror), o PMDB promete, em rede nacional de TV, no dia 26 de fevereiro, anunciar prioridades para o Brasil (kkkkkkkkkkkk). As chamadas já estão sendo veiculadas em horário nobre. Mas fica uma clássica pergunta: podemos confiar em Renan Calheiros, Michel Temer, Eduardo Cunha e Cia LTDA? Nunca é demais lembrar, que esse grupo político ainda abriga o ex-senador, José Sarney (você se lembra dele?). 

A publicidade do PMDB fala em projetos fundamentais para o desenvolvimento do Brasil. Eu não tenho dúvidas de que, como diria Cazuza, o que ouviremos é um “museu de grandes novidades”, pois eles farão promessas que estamos ouvindo há 30 anos, tempo que o PMDB mama no governo federal. Aliás, essa teta começou na transição do regime militar para a democracia, que ainda não é plena porque os caciques do PMDB e os mandachuvas de outros partidos governam o Brasil como se a nação fosse uma extensão do quintal da casa deles.

Nunca ficou tão nítido para os peemedebistas, que as coisas precisam mudar para continuar do jeito que estão. Digo isso, porque tem um monte de gente desinformada, deseducada e desprovida de bom senso, achando que se a Dilma Rousseff sair assume o Aécio Neves. Kkkkkkkkkk (risos de novo, desculpem!). Não amigo! Quem fica no lugar dela é o vice-presidente, Michel Temer, líder do PMDB, partido que tem culpa igual ao PT nessa série de escândalos que estão sacudindo os pilares da democracia. As histórias que estão sendo expostas colocam dúvidas sobre a idoneidade de instituições que deveriam primar pela Justiça e honestidade.

O PMDB descobriu que é melhor ser amigo do rei no governo Sarney, seguiu a receita na gestão Collor/Itamar, ampliou esses horizontes na gestão Fernando Henrique Cardoso; e nos governos, Lula e Dilma, deitou e rolou. Na chamada para o dia 26 de fevereiro, nós ouvimos Michel Temer dizer que “o PMDB tem compromissos com o Brasil”. Kkkkkkkkkkkkkk (desculpem, rindo de novo!). Especialmente para nós riobonitenses, a última frase do vice-presidente, “você, pode confiar”, nos dá arrepios de pavor.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A Guiné Equatorial que não vimos no Sambódromo do Rio

Teodorin e seu pai Teodoro Obiang conseguiram seu objetivo: mais de 99,9% dos brasileiros ouviram pela primeira vez o nome de seu país, Guiné Equatorial, durante a festa máxima da tradição brasileira, o Carnaval carioca. Graças ao patrocínio de R$10 milhões que a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis teria recebido para exaltar a minúscula nação africana durante o desfile, pai e filho, os atuais detentores do poder, colocaram sua marca na história do samba carioca. O dinheiro fácil tem uma explicação: a Guiné Equatorial, mesmo se possui apenas a área do Estado de Alagoas, é o terceiro produtor de petróleo da África; embora esteja em 144º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU.
No país formado por cinco ilhas e um território no continente, não há distinção entre governo e seu presidente: Teodoro Obiang Nguema está no poder desde 1979 e pretende passar a coroa a seu filho Teodorin, vice-presidente. Desde a independência em 1968, o país é uma ditadura brutal. Quem protestar contra Obiang e seu clã, que fuja. No país, não há chance para qualquer oposição. O primeiro presidente, seu tio Macias Nguema, um ditador comparado a Pol Pot do Camboja, foi deposto e executado sem piedade em 1979 pelo sobrinho Obiang.
Por ser um dos poucos brasileiros a ter conhecido o país, achei que deveria ver na televisão o desfile que ocorreu na segunda-feira à noite. A Guiné Equatorial mostrada pela Beija-Flor foi linda, colorida e encantadora. A comissão de frente, composta de 15 guerreiros, montou uma árvore da vida e deu show de criatividade. Os mascarões, com movimento nos lábios e olhos, eram estonteantes. O casal mestre-sala e porta-bandeira, vestidos de dourados, também foram louvados. Os carros alegóricos, espetaculares. Em um deles, uma floresta rica, cheia de animais. Os R$ 10 milhões do patrocínio foram bem usados e deram à Beija-Flor o título de Campeã do Carnaval Carioca 2015. Os Teodoros estão contentes: o investimento deu retorno!
Mas durante os nove dias que passei em Malabo, no parque nacional Monte Alen e na Caldera Luba, o que mais vi foram exemplos de devastação da biodiversidade e de desmatamento.

Vilarejo e estrada perto do parque nacional Monte Alen, no interior do país (Foto: Haroldo Castro/Época)
Uma surpresa para um vegetariano como eu foi encontrar, na beira das estradas de acesso a Monte Alen, um número imenso de tartarugas, pássaros e roedores – todos mortos e amarrados em uma vara de bambu. Os animais eram oferecidos aos viajantes, interessados em transformá-los em sua próxima refeição. Na África Central e Ocidental, o consumo de carne de animais selvagens – bushmeat – ainda é uma prática comum, trazendo graves riscos para a saúde da população.

Um roedor morto é oferecido aos motoristas que transitam pelas estradas da região Rio Muni, a parte continental do país (Foto: Haroldo Castro/Época)
Duas espécies de calaus, aves africanas com longos bicos, são vendidas na beira da estrada (Foto: Haroldo Castro/Época)
Para chegar ao parque nacional Monte Alen precisamos cruzar uma concessão madeireira. As tristes imagens de animais mortos foram substituídas pelas longas toras de madeira tombadas, à espera de um caminhão que as leve ao porto. De lá partem para a Europa, Índia ou China. A floresta tropical continua a ser definhada.
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Um caminhão leva troncos de árvores ao porto de Bata, no litoral, de onde serão exportados (Foto: Haroldo Castro/Época )
Mas nem tudo é destruição no país de Obiang. Junto com colegas conservacionistas, uma das nossas missões era encontrar – e, se possível, fotografar e filmar – a maior rã do mundo, a Conraua goliath, que vive, em seu ambiente natural, às margens dos rios turbulentos da Guiné Equatorial.
Depois de uma hora de caminhada no mato, chegamos à beira do rio Wele. Do outro lado estava o parque nacional, teoricamente uma área protegida. Para cruzar o rio, usamos uma canoa. Já era o final da tarde, quando chegamos na primeira cascata, habitat da rã Golias. Tive apenas 90 segundos para fotografar as cachoeiras e fui interrompido por uma tremenda trovoada que quase arrebentou meus tímpanos. Imediatamente, uma tempestade derramou-se sobre todos. A pesada e escura nuvem não somente trouxe chuva como também escuridão. Nem pensar em buscar anfíbios.
Chegamos a uma casa de madeira abandonada, com inúmeras tábuas podres, mas um teto com poucos furos. Encharcados, colocamos nosso equipamento em lugar seguro e nos deparamos com uma nova surpresa. Uma pessoa que não fazia parte de nossa equipe estava cercada por nossos ajudantes. “Esse homem estava caçando dentro do parque nacional”, afirmou um dos guarda-parques em espanhol. “Quando chegamos, ele estava com um antílope e uma tartaruga dentro de seu cesto de palha”, disse outro. Os animais ainda estavam vivos, pois haviam sido capturados com uma armadilha. Fiz questão de soltar a tartaruga, uma a menos para cair na panela.
Nossa atenção volta-se às rãs: ninguém havia visto nenhuma na cachoeira. Como o animal é noturno, alguém terá de procurar o anfíbio à noite.
Lá pelas duas horas da manhã ouvimos vozes. Alguém chegava no acampamento. Fui ver o que estava acontecendo e descobri que o visitante estava feliz, exibindo um sorriso de vencedor. Em uma de suas mãos ele segurava uma rede de pescar, uma espécie de tarrafa. A outra mão agarrava um saco e, pelo movimento, com alguma coisa viva dentro.
Em poucos minutos elucidamos a equação. Nelson, o visitante, vivia em um dos vilarejos fora do parque. Ao cair da noite, ele caminhou até o rio, cruzou-o e seguiu a trilha até a cachoeira. Lá, no habitat da Golias, Nelson demonstrou que era um bom pescador. Com sua tarrafa, conseguiu capturar dois espécimes.

A maior rã do mundo, a Golias, vive nas cachoeiras dos rios da Guiné Equatorial (Foto: Haroldo Castro/Época)
Na manhã seguinte, levamos as duas rãs de volta à cachoeira. A maior delas pesava mais de dois quilos e, esticada, media 60 centímetros. Era grande mesmo. Fotografamos a rã nas nossas mãos, pois não sabíamos como seria a reação dela ao ser liberada. Com cuidado, colocamos a rã em uma pedra, nos afastamos lentamente e começamos a clicar. O anfíbio ficou imóvel por alguns segundos, mas, num piscar de olhos, deu um tremendo salto, passando por cima de nossas cabeças e mergulhando de volta no rio turbulento.
Infelizmente, a rã Golias, além de ser consumida localmente como carne, também é procurada por colecionadores e pode valer até três mil dólares no mercado negro. O governo da Guiné Equatorial deveria usar também seus petrodólares para proteger a natureza e agir para que essa espécie única não desapareça do planeta.
Vale um retrato: o autor segura uma rã Golias que pesa mais de dois quilos (Foto: John Martin/Época)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Prefeitura de Rio Bonito cria DOI-CODI para monitorar críticas nas mídias sociais

Flávio Azevedo 
Essa foto é histórica e mostra a Ditadura Militar em ação. Hoje, os militares se foram, mas a ditadura continua atuando e usa os artifícios mais sórdidos para silenciar divergentes e atingir os seus objetivos. 
Segundo informações de funcionários da Prefeitura de Rio Bonito, sobretudo os efetivos que participaram da gestão anterior, a perseguição está rolando solta no atual governo. Também está sendo perseguido quem participou da campanha vitoriosa, entrou no governo, mas por variadas razões acabou saindo ou sendo convidado a se retirar.

O mais grave, porém, vem agora. O governo está utilizando uma ferramenta que se assemelha ao Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), um dos aparelhos de repressão da extinta Ditadura Militar, regime político que parece estar de volta em Rio Bonito. Nos “Anos de Chumbo”, o DOI-CODI tinha o objetivo de identificar e eliminar os pensamentos contrários ao Regime Militar.

Para coordenar as ações de repressão foi criado o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). O que observamos é que o DOPS versão Rio Bonito tem o objetivo de monitorar postagens em mídias sociais, com destaque para o Facebook. Como se não bastasse o patrulhamento sobre o que a pessoa está postando e/ou compartilhando, até as curtidas estão sendo vigiadas pelo DOPS/RB. Mensagens “in box” alertam e ameaçam quem curte, sobretudo as minhas postagens e comentários.

Concluo com uma sugestão: ao invés de tomar conta do Facebook dos outros, essa turma deveria governar, porque a cidade está entregue as traças! Que tal esse DOPS analisar as contas do município para descobrir “cadê o dinheiro que estava aqui?”.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Cachoeira do Poço das Andorinhas é uma das atrações de Lavras

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Uma das quedas d'água no Poço das Andorinhas, em Lavras, Rio Bonito/RJ, mostra que o município ainda tem lugares paradisíacos que precisam receber atenção, inclusive, no que tange a preservação. Estamos visitando esses pontos e apresentando para você. A preservação dos nossos mananciais é responsabilidade de todos!