domingo, 15 de janeiro de 2017

O “gato comeu” as peças dos carros da Prefeitura de Rio Bonito

Flávio Azevedo
O desfile de sucatas dos falecidos carros da Prefeitura de Rio Bonito segue sendo notícia, mas na contramão da lucidez. Até aqui o que vemos é uma discussão infrutífera entre torcedores, digo, cabos eleitorais, que tentam mensurar quem é mais incompetente: Mandiocão ou Solange. Mas enquanto esses passionais se digladiam, a frota própria do município segue sucateada; a compra de carros novos já está sendo planejada; os “agregados” já estão escolhidos; não há notícias do pagamento de dezembro e 13º salário; e nenhum mecanismo de controle está sendo planejado para coibir novos sucateamentos.

Ao olhar as sucatas, que um dia foram carro 0km, eu gostaria de saber onde estão as peças desses veículos? O velho Saveiro, onde está o motor? O carro foi encostado por alguma razão, tudo bem, mas que fim levou o motor? Onde estão pneus, rodas, eixos, bancos, radiador, bateria e outras peças? Por alguma razão, o carro ficou parado em algum galpão da Prefeitura. Beleza! Mas e as peças? Tiraram os pneus, para ser aproveitado em outro carro. Tudo bem! Mas e as rodas e o eixo? E os pneus carecas, cadê? O que foi feito do motor de pelo menos 10 dos 34 veículos expostos no Centro Administrativo da Prefeitura?

Onde estão portas, retrovisores, tampas de caput, lanternas, faróis, para-brisas, limpador de para-brisa, painel, buzina e demais peças e assessórios de vários veículos que hoje são sucata? Alguém certamente vai querer me convencer, que fantasmas fizeram desaparecer essas peças que, diga-se de passagem, são patrimônios do município. Aliás, os motores são numerados e podem ser rastreados, basta querer!

Alguém já viu integrantes do poder Executivo e Legislativo investigando esse assunto? Na máquina administrativa, alguns servidores são responsáveis pelo Patrimônio. O que eles dizem diante desse cenário de clara picaretagem? Você se lembra daquele servidor que externa verdadeira adoração por determinados político? Você sabe o motivo dessa veneração? Não? Pois é... É que o político, às vezes, finge não saber que ele é o “fantasma visitador de carcaças”. Você já ouviu falar em “violadores de túmulos”. Na máquina pública nós temos os “violadores de carcaças”. A desculpa é a melhor de todas: “cara, ninguém está vendo mesmo! Além disso, todo mundo pega e ninguém diz nada, que mal há?”.
Agora imagine esses fantasmas atuando em 5.570 municípios. Quanto representa isso de prejuízo aos cofres públicos? É comum o servidor perguntar por que ficou sem pagamento ou por que ficou sem 13º. O mais queixoso geralmente está entre os violadores de patrimônio. Depois, cinicamente, diz não ter ideia do porque a Prefeitura está quebrada. Também é comum vermos governantes falando em cortar direitos, aumentar impostos, mas nunca falam em acabar com as aberrações que acontecem sob as suas barbas. Seria por ser ele participante dessas falcatruas? Qual o efeito desse desperdício em 5.570 municípios?

O Brasil é um país muito jovem, a nossa democracia muito frágil, as nossas instituições ainda são inseguras e inconstantes; e como o nosso povo é muito egoísta, não entende que a mudança exigida precisa começar com ele. Quando expectativa em âmbito coletivo der lugar ao que é individual, a mudança que esperamos começará acontecer.


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