sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Cadê a mobilização dos nossos professores?

Flávio Azevedo - Reflexões

Hoje (30/09/2011), eu vi, via Facebook, a professora Garrolici Alvarenga cobrando ações do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (SEPE), núcleo Rio Bonito. Embora eu não tenha nada com isso, eu fiz uma provocação através de uma reflexão. Aliás, na reunião que eu participei para debater o Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR), ocorrido no dia 30 de abril de 2011, na Câmara Municipal de Vereadores, pouca gente compareceu. Se pensarmos que a categoria conta com mais de mil profissionais, esse número de gente que está na foto é diminuto, e, até, ridículo.

Segundo informações colhidas, o Sr. SEPE está trancado naquele local onde a Srª “MOBILIZAÇÃO DA CATEGORIA” se escondeu! Aliás, há vários anos o Sr. SEPE tenta, inutilmente, convencer essa senhora, a fazer o seu papel. Ela, porém, está irredutível! Diz que só vai dar as caras se os benefícios perseguidos forem individuais e particulares!

O companheiro do SEPE, que também precisa da Srª “MOBILIZAÇÃO DA CATEGORIA” é o SISMURB, leia-se Sindicato dos Servidores Municipais de Rio Bonito. Esse Sr. também tenta, há anos, convencer essa Senhora a desempenhar o seu papel, mas ela continua irredutível!

Há quem diga que como as eleições municipais estão próximas (falta um ano), a Srª "MOBILIZAÇÃO DA CATEGORIA" vai entrar em cena, e trabalhando para todos os segmentos que disputarão o poder, porque os benefícios pessoais já começam a ser prometidos!


Penso ser esse, um "filme de terror", antigo, repetido e de péssimo gosto!

Lindbergh Farias denuncia “lobby” para prejudicar o Rio de Janeiro na redistribuição dos royalties do petróleo

Flávio Azevedo

A redistribuição dos royalties do petróleo, um assunto que estava distante da mídia e estava sendo tratado em segredo voltou ao noticiário. Capitaneado por um personagem experiente no quesito “fazer barulho”, o tema promete estar presente nos noticiários nos próximos meses. Um dos líderes do “Fora Collor” – movimento que culminou com o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello – o ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), hoje, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), disse nessa sexta-feira (30/09/2011), que “não vai recuar da sua posição contrária à redistribuição dos royalties do petróleo”, apesar da pressão do governo Dilma.

O senador atribuiu as notas publicadas na imprensa – dando conta de que ele estaria “queimado” com a presidenta Dilma, por brigar contra o projeto – à ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Junto com a família Garotinho na luta contra esse projeto, o ex-cara pintada disse que fará todas as alianças necessárias para rejeitar o projeto. Para apimentar ainda mais a questão, Lindbergh culpou o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pelo movimento para tirar recursos dos estados produtores de petróleo, entre eles o Rio de Janeiro.

A redistribuição do petróleo é um tema que deve ser debatido e pensado de forma equilibrada e sem bairrismos. Entretanto, em se tratando de políticos brasileiros no comando, já podemos esperar troca de acusações, farpas, denúncias, retaliações, intrigas palacianas e um festival de picaretagem nos bastidores de Brasília.

O Globo: O senhor teria enfurecido a presidente Dilma ao participar de um ato ao lado de Garotinho e Rosinha, na semana passada, em Campos, contra a redistribuição dos royalties do petróleo. Está arrependido?

LINDBERGH FARIAS: Sou do PT e apoio o governo Dilma com empenho. Mas sou também, antes de tudo, um senador eleito pelo Rio de Janeiro. Minha função constitucional é defender o meu estado. Neste caso (da redistribuição dos royalties), o governo (Dilma) está errando.

O Globo: Que erros o governo Dilma estaria comentando?

LINDBERGH: Primeiro, não podemos aceitar o argumento de que o Rio estaria nadando em dinheiro. Se somarmos os royalties com o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e o ICMS, o estado tem a quarta pior arrecadação do país. Portanto, é uma acusação injusta.

O resultado é ruim porque o estado arrecada mal? Tenho em mãos um estudo demonstrando que, dos R$ 115 bilhões arrecadados pela União no Rio de Janeiro, apenas R$ 14 bilhões retornam para o estado. A diferença é grande demais.

LINDBERGH: O problema é outro. Tenho em mãos um estudo, assinado pelo economista José Roberto Afonso, demonstrando que, dos R$ 115 bilhões arrecadados pela União no Rio de Janeiro, apenas R$ 14 bilhões retornam para o estado. A diferença é grande demais. Recebemos um dos piores repasses do país. O governo federal perde a chance de liderar um debate sobre a questão federativa.

Por que o Rio recebe tão pouco?

LINDBERGH: Em 1989, quando o fundo (Fundo de Participação dos Estados) foi instituído, o então presidente José Sarney lançou uma lei que definiu os critérios de distribuição do fundo, estabelecendo as alíquotas de cada estado. O critério foi meramente político, um escândalo. O Maranhão, por exemplo, ficou sendo o segundo maior beneficiado. Agora, depois que o Supremo acolheu uma ação direta de inconstitucionalidade contra esse modelo, o Congresso Nacional terá de decidir a questão até 2012.

O senhor acha que esse assunto poderá aprofundar as divergência entre os estados brasileiros?

LINDBERGH: Os dois debates não podem estar dissociados. E, se o governo não agir, teremos uma crise federativa, que é a pior coisa do mundo para a democracia.

Mas o que pode ser feito para evitar a crise entre os estados?

LINDBERGH: O governo federal precisa chamar para o diálogo os governadores, senadores e deputados federais. Precisa discutir os royalties, o fundo, a guerra fiscal dos portos e as dívidas estaduais.

Dívidas estaduais? Por que incluir esse assunto na pauta?

LINDBERGH: Enquanto empresta a juros subsidiados para os empresários, o governo federal cobra taxas de até 20% sobre as dívidas dos estados. Sendo assim, o governo está lucrando com o endividamento. Não pode ser assim. A arrecadação está cada vez mais concentrada nas mãos da União. E ainda estão querendo tirar mais. Isso nos coloca no caminho da guerra federativa. No caso da redistribuição dos royalties, estão tentando repetir a fórmula criada por Sarney em 1989. Eu aponto o próprio senador Sarney. Mais uma vez, o Maranhão sairá ganhando com isso. É uma agressão federativa.

Quem está tentando?

LINDBERGH: Eu aponto o próprio senador Sarney. Mais uma vez, o Maranhão sairá ganhando com isso. É uma agressão federativa.

Ao se rebelar, o senhor não põe em risco a sua atuação no PT e na base de apoio ao governo?

LINDBERGH: Vou repelir com veemência qualquer tentativa de me intimidar. Continuo apoiando o governo Dilma, como sempre fiz, mas é meu dever lutar pela defesa dos interesses do Rio. Para isso, farei todas as alianças que foram necessárias. Tenho conversado com Aécio Neves (PSDB-MG) e Demóstenes Torres (DEM-GO). O governo terá de entender que não há como aprovar um projeto assim sem o risco de enfrentar uma grande mobilização.

O senhor espera a adesão da população fluminense à campanha contra a redistribuição?

LINDBERGH: Espero muito. A população sabe que temos, no Rio, muitos problemas a resolver. Jogos Olímpicos, Copa do Mundo, Saúde, pacificação das comunidades. A polícia, por exemplo, precisa contratar mais gente e melhorar os salários. Por isso, não podemos aceitar que nos tirem arrecadação. Não indiquei ninguém para cargos federais. Se disseram que indiquei, podem demitir. Não tenho medo de ameaça.

O senhor espera retaliações por parte do governo?

LINDBERGH: Não indiquei ninguém para cargos federais. Se disseram que indiquei, podem demitir. Não tenho medo de ameaça. Aliás, tenho certeza de quem está por trás das notas a meu respeito.

Quem seria o responsável?

LINDBERGH: A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais).

O senhor conta com o apoio do governador Sérgio Cabral.

LINDBERGH: Converso com Sérgio Cabral quase diariamente. Nessa questão, não dou um passo sem antes falar com ele. Também tenho conversado muito com o senador Francisco Dornelles (PP-RJ).

O senhor teme que, ao se rebelar, seja acusado de estar de olho nas eleições de 2014?

LINDBERGH: Estou fazendo o meu papel constitucional de senador. O Rio tem muita pobreza. Não podemos abrir mão dos nossos direitos. Que pacto federativo é esse? Estou convencido de que estão tentando cometer uma injustiça com o Rio.

Perguntas e respostas extraídas de O Globo

OBS: Embora o nome de Lindbergh Farias tenha sido arrolado em algumas denúncias quando ele esteve a frente da Prefeitura de Nova Iguaçu, esse cara tem a minha admiração! Além de ser líder nato, ele tem no currículo aquela atuação incisiva e decisiva no movimento “Fora Collor”. Penso que ele é a figura ideal para lutar pelo petróleo fluminense que estão querendo surrupiar!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Execução da juíza Patrícia Acioli expõe esquema sórdido já contado pela ficção

Flávio Azevedo

É comum ouvirmos policiais e autoridades discordando das nuances apresentadas pelos filmes “Tropa de Elite”, mas toda aquela podridão que esteve em cartaz e atraiu milhões de pessoas aos cinemas não é ficção. Quando a mídia começa noticiar a trama que existe por trás da morte da juíza Patrícia Acioli, fica muito nítido que não foi só a violência de ambos os filmes que atraíram as pessoas às salas cinema, sobretudo em relação aos envolvidos – policiais militares.

Na verdade, o injustiçado e impotente brasileiro se reconheceu nas histórias de José Padilha e viu no capitão Nascimento, um herói que age e fala tudo aquilo que ele gostaria de fazer e falar, sobretudo porque ele bate de frente com um inimigo que acorda e dorme de todo e qualquer brasileiro todos os dias: O SISTEMA.

O depoimento de um cabo da Polícia Militar preso pela morte da juíza Patrícia Acioli (foto 2) lembra em todas as suas nuances a história da ficção. De acordo com o depoimento, onde ele admite ter atirado na magistrada, o cabo afirma que o tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira (foto 1) recebia parte das apreensões feitas irregularmente por policiais durante as operações do Grupamento de Apoio Tático (GAT).

O ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo), que está preso sob a acusação de ser o mentor do crime, é suspeito de ficar com o "espólio" do tráfico nas favelas onde realizava operações. O cabo decidiu colaborar com a polícia em troca do benefício da “delação premiada”. De acordo com ele, a execução foi tramada pelo tenente Daniel Benitez, que chegou a propor a contratação de uma milícia do Rio para cometer o crime. A ideia não foi adiante. De acordo com o militar, Benitez era o homem de confiança do tenente-coronel Cláudio, com quem atuou em três unidades da PM antes de os dois serem lotados no 7º BPM.

O policial disse à Justiça que o tenente era o responsável por repassar ao ex-comandante a caixinha do tráfico das favelas do Salgueiro e da Coruja. O valor era pago semanalmente aos policiais do GAT do 7º BPM. A impressão que eu tenho é de já ter assistido essa história no cinema.

Ainda de acordo com o delator, as armas usadas no assassinato da juíza eram "espólio" de operações em favelas de São Gonçalo. Uma delas, a de calibre 40, foi apreendida no Morro da Coruja. Segundo o PM, parte da munição utilizada era do 7º BPM e parte fora apreendida em favelas. Outra arma do crime, o revólver calibre 357, ficou com Benitez, que, segundo o depoimento, também adquiriu a moto usada na emboscada contra Patrícia. O carro utilizado no crime, um Palio vinho, foi incendiado na mesma noite, no bairro Santa Luzia.

O cabo contou ainda que o GAT atuava nas favelas mais perigosas de São Gonçalo. A cada 24 horas, eles eram cobrados para que fizessem grandes apreensões de drogas e armas. De acordo com o depoimento, o grupo não apresentava o material à delegacia. O dinheiro arrecadado ficava com a equipe. O réu colaborador disse ainda que Benitez convidou os integrantes do GAT a se transferirem para o 14º BPM (Bangu), para onde o tenente-coronel Cláudio estava cotado para assumir o comando. Segundo o cabo, o comentário no quartel era que "em Bangu o espólio seria maior".

De acordo com o cabo, a juíza escapou de duas tentativas de emboscada montada pelos policiais. Numa, ocorrida uma semana antes do assassinato, ela escapou por não ter ido ao Fórum de São Gonçalo. O cabo acrescentou em seu depoimento que, dias antes do assassinato, um dos policiais envolvidos no plano havia perdido o rastro da juíza. O PM estava incumbido de seguir Patrícia, mas acabou perdendo a magistrada de vista no Centro de São Gonçalo.

Considerado pela DH fundamental por indicar a participação do tenente-coronel na trama, o depoimento cita ainda a participação de um policial do 12º BPM (Niterói), que levou o tenente Benitez até a casa da juíza, em Piratininga, durante o planejamento do crime. O policial do batalhão de Niterói ainda não foi preso, e por isso não teve o nome divulgado.

O cabo afirmou ainda que, após ter sido preso, juntamente com o tenente Benitez e outro cabo, o tenente-coronel Cláudio esteve no batalhão Prisional Especial (BEP) para conversar com os três. Na visita, no domingo do Dia dos Pais, que não foi registrada no livro de entrada da prisão, o então comandante do 7º BPM se comprometeu a ajudar os três, inclusive indicando um advogado para defendê-los.

O corregedor-geral da PM, Ronaldo Menezes, anunciou que o tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira seria transferido para o presídio Bangu 8. O militar apresentou-se no Batalhão de Choque, no Centro, por volta das 3h da última terça-feira (27/09), após ser informado pela corregedoria sobre seu mandado de prisão.

O corregedor disse ainda que os outros policiais presos ontem também iriam para Bangu 8 (onde ficam detentos com curso superior). São eles cabo Alex Ribeiro Pereira (7º BPM), cabo Sammy dos Santos Quintanilha (7º BPM), cabo Carlos Adílio Maciel Santos (7º BPM), cabo Jovanis Falcão Júnior (7º BPM), 3º sargento Charles de Azevedo Tavares (7º BPM) e soldado Júnior César de Medeiros (7º BPM).

Outros três já estavam presos desde o último dia 12: o tenente Daniel Santos Benitez Lopes e os cabos Jeferson de Araújo Miranda e Sérgio Costa Júnior. Esses estão em diferentes prisões.

Outro caso em 2006

Até acontecer o caso do tenente-coronel Cláudio, o único oficial da mesma patente preso na PM havia sido o então comandante do 14º BPM (Bangu), Celso Lacerda Nogueira. O tenente-coronel foi preso no dia 15 de dezembro de 2006, dentro das investigações da Operação Gladiador, acusado de corrupção passiva e participação no bando do bicheiro Fernando Iggnacio. Ele foi condenado a sete anos de reclusão. Seu processo, porém, está em recurso no Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

O oficial também responde a um Conselho de Justificação na Seção Criminal do TJ do Rio, mas a ação foi suspensa, até que transite em julgado o processo federal. Só aí o processo sobre a perda de patente será julgado.

Fonte: O Globo

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Judiciário quer que “O POVO SE EXPLODA”!

Flávio Azevedo - Reflexões

Um balão de oxigênio para quem está com falta de ar. Um copo de água, cristalina e fresca, para o sedento. Um prato de comida para o faminto. Essas são algumas das ilustrações que podemos atribuir ao texto do historiador e professor da Universidade Federal de São Carlos, Marco Antonio Villa. As reflexões foram (que milagre!) publicadas no jornal O Globo dessa terça-feira (27 de setembro). Que obra prima!

Numa época onde os políticos (Executivo e Judiciário) são alvos de todo o tipo de crítica, o professor analisa o Judiciário e as suas mazelas. O mais interessante é que ele faz essa análise, a partir de um relatório produzido pelo próprio Supremo Tribunal Federal (STF), que publicou uma espécie de prestação de contas das suas atividades em 2010.

A intenção do STF era mostrar que tudo vai muito bem no Judiciário brasileiro, mas o texto de Marco Villa mostra que quando se sabe ler, texto e contexto, até uma produção que “tinha” viés positivo – e tremendamente ufanista, basta ler – pode se tornar negativa e deixar exposta a veia jugular de quem pretendia se proteger e de certa forma se auto promover. Vamos ao texto
:

Justiça no Brasil vai mal, muito mal. Porém, de acordo com o relatório de atividades do Supremo Tribunal Federal de 2010, tudo vai muito bem. Nas 80 páginas — parte delas em branco — recheadas de fotografias (como uma revista de consultório médico), gráficos coloridos e frases vazias, o leitor fica com a impressão que o STF é um exemplo de eficiência, presteza e defesa da cidadania. Neste terreno de enganos, ficamos sabendo que um dos gabinetes (que tem milhares de processos parados, aguardando encaminhamento) recebeu “pela excelência dos serviços prestados” o certificado ISO 9001. E há até informações futebolísticas: o relatório informa que o ministro Marco Aurélio é flamenguista.

A leitura do documento é chocante. Descreve até uma diplomacia judiciária para justificar os passeios dos ministros à Europa e aos Estados Unidos. Ou, como prefere o relatório, as viagens possibilitaram “uma proveitosa troca de opiniões sobre o trabalho cotidiano.” Custosas, muito custosas, estas trocas de opiniões. Pena que a diplomacia judiciária não é exercida internamente. Pena. Basta citar o assassinato da juíza Patrícia Acioli (foto 2), de São Gonçalo. Nenhum ministro do STF, muito menos o seu presidente, foi ao velório ou ao enterro. Sequer foi feita uma declaração formal em nome da instituição. Nada.

Silêncio absoluto. Por que? E a triste ironia: a juíza foi assassinada em 11 de agosto, data comemorativa do nascimento dos cursos jurídicos no Brasil. Mas, se o STF se omitiu sobre o cruel assassinato da juíza, o mesmo não o fez quando o assunto foi o aumento salarial do Judiciário. Seu presidente, Cézar Peluso, ocupou seu tempo nas últimas semanas defendendo — como um líder sindical de toga — o abusivo aumento salarial para o Judiciário Federal. Considera ético e moral coagir o Executivo a aumentar as despesas em R$ 8,3 bilhões. A proposta do aumento salarial é um escárnio.

É um prêmio à paralisia do STF, onde processos chegam a permanecer décadas sem qualquer decisão. A lentidão decisória do Supremo não pode ser imputada à falta de funcionários. De acordo com os dados disponibilizados, o tribunal tem 1.096 cargos efetivos e mais 578 cargos comissionados. Portanto, são 1.674 funcionários, isto somente para um tribunal com 11 juízes. Mas, também de acordo com dados fornecidos pelo próprio STF, 1.148 postos de trabalho são terceirizados, perfazendo um total de 2.822 funcionários. Assim, o tribunal tem a incrível média de 256 funcionários por ministro.

Ficam no ar várias perguntas: como abrigar os quase 3 mil funcionários no prédio-sede e nos anexos? Cabe todo mundo? Ou será preciso aumentar os salários com algum adicional de insalubridade? Causa estupor o número de seguranças entre os funcionários terceirizados. São 435! O leitor não se enganou: são 435. Nem na Casa Branca tem tanto segurança. Será que o STF está sendo ameaçado e não sabemos? Parte destes abuso é que não falta naquela Corte. Só de assistência médica e odontológica o tribunal gastou em 2010, R$ 16 milhões.

O orçamento total do STF foi de R$ 518 milhões, dos quais R$ 315 milhões somente para o pagamento de salários. Falando em relatório, chama a atenção o número de fotografias onde está presente Cézar Peluso (foto 3). No momento da leitura recordei o comentário de Nélson Rodrigues sobre Pedro Bloch. O motivo foi uma entrevista para a revista “Manchete”. O maior teatrólogo brasileiro ironizou o colega: “Ninguém ama tanto Pedro Bloch como o próprio Pedro Bloch.”

Peluso é o Bloch da vez. Deve gostar muito de si mesmo. São 12 fotos, parte delas de página inteira. Os outros ministros aparecem em uma ou duas fotos. Ele, não. Reservou para si uma dúzia de fotos, a última cercado por crianças. A egolatria chega ao ponto de, ao apresentar a página do STF na intranet, também ter reproduzida uma foto sua acompanhada de uma frase (irônica?) destacando que o “a experiência do Judiciário brasileiro tem importância mundial”. No relatório já citado, o ministro Peluso escreveu algumas linhas, logo na introdução, explicando a importância das atividades do tribunal.

E concluiu, numa linguagem confusa, que “a sociedade confia na Corte Suprema de seu País. Fazer melhor, a cada dia, ainda que em pequenos mas significativos passos, é nossa responsabilidade, nosso dever e nosso empenho permanente”. Se Bussunda estivesse vivo poderia retrucar com aquele bordão inesquecível: “Fala sério, ministro!” As mazelas do STF têm raízes na crise das instituições da jovem democracia brasileira. Se os três Poderes da República têm sérios problemas de funcionamento, é inegável que o Judiciário é o pior deles. E deveria ser o mais importante. Ninguém entende o seu funcionamento.

É lento e caro. Seus membros buscam privilégios, e não a austeridade. Confundem independência entre os poderes com autonomia para fazer o que bem entendem. Estão de costas para o país. No fundo, desprezam as insistentes cobranças por justiça. Consideram uma intromissão
.

Concluída a leitura do historiador, eu não consigo terminar essas reflexões sem lembrar aquela famosa piada do meio jurídico: “o juiz pensa que é Deus e o desembargador tem certeza”. Sendo assim, esses ministros do STF se julgam o que? Certamente, eternos e/ou imortais! Como diria “Justo Veríssimo”, personagem de Chico Anysio: “E O POVO QUE SE EXPLODA!”.

MARCO ANTONIO VILLA é historiador e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos. Bacharel e Licenciado em História, Mestre em Sociologia e Doutor em História.

O Blog do historiador e esse texto podem ser encontrados no endereço a seguir:
http://www.marcovilla.com.br/2011/09/discutindo-o-stf.html

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Bandidos aterrorizam interior de Rio Bonito

Flávio Azevedo

Medo... Terror... Desespero... Esses sentimentos ainda estão bem vivos na mente de uma família de Catimbau, localidade interiorana do município de Rio Bonito, que por 10h ficou refém na mão de bandidos. Começava a noite do último dia 21 de setembro, quando por volta das 19h, cinco marginais entraram na casa e anunciaram o assalto. Apesar de não terem sofrido nenhuma agressão física, as sequelas emocionais são visíveis quando se conversa com as vítimas.

Os bandidos só foram embora às 5h da manhã. A família, de cinco componentes, foi rendida e sob a mira de revolveres foi aprisionada em um dos quartos nos fundos da residência. Os ladrões apagaram todas as luzes. Apenas uma lâmpada ficou acesa. Enquanto um dos marginais vigiava as vítimas, os demais vasculhavam a casa em busca de dinheiro e objetos de valor. Os bandidos roubaram um caminhão, ferramentas, roupas e até mantimentos.

Se os moradores do Centro de Rio Bonito, sobretudo depois da morte do empresário Américo Branco, no último mês de maio, se acham desprotegidos, os moradores das localidades interioranas se acham abandonados e não é difícil encontrar pessoas planejando se mudar do interior para o Centro da cidade, pelo simples fato de estarem se sentindo inseguras.


Muitos casos não são registrados na 119ª DP, porque as vítimas ficam com medo de represálias. “Como nós estamos largados, raramente a polícia passa por aqui, é possível que os bandidos, ao saber que foram denunciados, voltem para fazer alguma vingança”, diz um morador que pede para ter a sua identidade preservada.
Segundo moradores da localidade de Catimbau, há cerca de 30 dias, homens fardados invadiram a casa de uma pessoa em busca de uma arma e R$ 10 mil.
– Ao saber que não seria possível conseguir a arma e o dinheiro, porque a pessoa realmente não tinha nada, eles obrigaram a vítima a levá-los na casa do seu filho, há cerca de 100m. Na segunda residência, eles fizeram as mesmas ameaças. Dias depois nós chegamos a conclusão que esses homens, embora estivessem com os uniformes da polícia, não eram policiais, mas eram bandidos vestidos de policiais – contou um morador, frisando que “diante de histórias como essa, quando encontramos um carro da polícia, nós não sabemos se fugimos ou agradecemos”.

Questionado sobre o assunto, um morador de Braçanã, outra localidade distante, comentou que “quem mora no Centro da cidade e reclama da falta de policiamento deveria se mudar aqui para interior, para ver o que é realmente estar abandonado. Estamos entregues a própria sorte e os políticos só se lembram da nossa existência na época das eleições”, desabafa o lavrador.

Nota: na próxima segunda-feira (3), o Conselho Comunitário de Segurança (CCS) se reúne para debater a segurança do município. Sem dúvidas esse é um excelente assunto para ser analisado pelas nossas autoridades políticas e policiais. Entretanto, se faz necessária a presença maciça da população.

domingo, 25 de setembro de 2011

O "Fantástico" estado de Saúde do Brasil

Flávio Azevedo - REflexões

Hoje, assisti uma longa matéria no Fantástico, onde a TV Globo aborda os problemas da Saúde Pública, mais precisamente do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e do Pronto Atendimento ou emergências. O problema é que a reportagem, como sempre, não vai ao “X” da questão.

Aliás, penso que mostrar o que está quebrado e não funciona não precisa, porque essa realidade nós conhecemos. A demora no atendimento, as respostas prontas do governo e as trocas de acusações, através de suas assessorias, nós também conhecemos. E as soluções? A reportagem acabou e não foi apresentado sequer um comentário falando sobre soluções!

Bem, quanto ao SAMU, os problemas apresentados pelo Fantástico podem ser sanados se o serviço for coordenado por gente comprometida e responsável. Quando eu trabalhei no SAMU de Rio Bonito (foto)– entre os anos de 2006 e 2009 –, nós tínhamos na coordenação do setor, o competente Otávio Carvalho, figura sempre questionada pela equipe, por ser um cara dedicado. Hoje, muitos mudaram o pensamento!

À época, as nossas ambulâncias eram muito bem cuidadas (não sei como estão hoje), porque além da coordenação competente, a equipe, sobretudo a enfermagem e os motoristas, era muito caprichosa. Enquanto isso, nos municípios de Itaboraí, São Gonçalo e Niterói, um paraíso de funcionários públicos “morcegos e desinteressados”, as ambulâncias eram um verdadeiro desastre!

Como Itaboraí, São Gonçalo e Niterói são integrantes da Metropolitana II, junto com Rio Bonito, a culpa pelas viaturas horrorosas desses lugares na era da Central do SAMU, mas de suas bases e seus coordenadores, geralmente figuras colocadas nesses cargos apenas para ganhar o salário correspondente a função.

Já quanto aos Prontos Socorros, eles só irão melhorar quando as prefeituras investirem na rede básica de Saúde. Ou seja, Postos de Saúde e Programas de Saúde da Família, inclusive, com campanhas publicitárias de conscientização para que as pessoas frequentem os postos de Saúde, para diminuir a fila dos serviços emergenciais.

Uma pena que a coisa esteja nesse pé! Confesso que é quase impossível isso melhorar, porque existe uma máfia perversa que é beneficiada com esses desmandos.

Lamentável!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Prefeitura está se preparando para as chuvas de verão

Flávio Azevedo

A Prefeitura Municipal de Rio Bonito, através da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp), está se preparando para receber as chuvas de verão que se aproximam. Duas máquinas retro escavadeiras, caminhões e operários começaram no início dessa semana, a limpeza e o desassoreamento do rio que corta o centro da cidade, na Av. Santos Dumont. Segundo o vice-prefeito Matheus Neto (DEM), que esteve no local acompanhado do secretário de Obras, Eleilton Figueiredo, a Semosp tem um cronograma que vai se estender a todos os rios e córregos do município.
– As chuvas, por ocasião do verão, sempre são mais fortes e não podemos ser surpreendidos. Lidar com a natureza não é simples, mas nós precisamos nos planejar e fazer o dever de casa, que é manter os nossos rios limpos para não termos problemas – disse Matheus. Ele destacou que “as localidades que ainda não foram atendidas devem procurar a sede da Semosp, no Centro Administrativo da Prefeitura, na antiga Nadisa”.

Na tarde da última terça-feira (20), enquanto vistoriava a ação no Centro da cidade, o vice-prefeito destacou que várias turmas estão espalhadas em vários trechos da cidade fazendo capina e limpeza. “Esse ano não estamos contando com as máquinas da Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla), que tem equipamentos mais apropriados. Porém, com pessoal e equipamentos nosso, nós estamos trabalhando porque o serviço precisa ser feito”, afirmou Matheus Neto, frisando que “na maior parte dos rios, o serviço será realizado de forma manual, porque em vários locais as máquinas não podem entrar”.

Obras da Av. Sete Maio

Essa semana também foi concluída a obra de “controle de enchente” da Av. Sete de Maio. Através da ampliação da rede de captação de águas pluviais e fluviais, que também aconteceu na Rua Dr. Matos (foto 2), a expectativa é que os alagamentos do trecho sejam coisa do passado.

As obras para impedir os alagamentos foram realizadas com recursos federais e o vice-prefeito Matheus Neto destaca a importância do bom trânsito que, hoje, a Prefeitura de Rio Bonito, tem na Capital Federal. De acordo com ele, “depois de muita luta e inúmeras viagens à Brasília em busca de recursos, nós estamos começando a colher esses frutos”.

O secretário de Obras, Eleilton Figueiredo também comentou o motivo do atraso na conclusão das obras de “controle de enchente” da Av. Sete de Maio, fato, inclusive, comentado nas mídias sociais. De acordo com ele, os problemas foram burocráticos e técnicos.
– Nessa relação do município com a Caixa Econômica Federal (CEF), os problemas burocráticos são conhecidos. Nós temos problemas com a liberação de recursos, com as visitas técnicas dos engenheiros da CEF, tem a questão do agendamento dessas vistas, porque eles alegam que a equipe é pequena e atendem todo o estado do Rio de Janeiro – revelou o secretário.

Já em relação a parte técnica das obras, Eleilton comentou que “muita coisa, na engenharia, tem o período certo para ser feito”. De acordo com o secretário, “não é possível abrir um buraco, hoje, e colocar o asfalto amanhã. É preciso esperar a compactação do solo e o período adequado para colocar o asfalto”, explicou.

Outras obras

Durante a entrevista, o secretário abordou outras obras realizadas pelo município, que tem como objetivo impedir que as chuvas causem transtornos a população.
– No Cavalo Russo, no 2º Distrito, construímos uma galeria celular com diâmetro de 1,5 m; em Catimbau, nós fizemos um bueiro triplo de tubo de concreto, também com 1,5 m de diâmetro; no acesso ao bairro Cajueiro, também concluímos um tubo de concreto com as mesmas dimensões; em Rio dos Índios de Dentro, próximo ao Rancho Treme Terra, nós reconstruímos tudo que a água levou; dentro de Cachoeiras dos Bagres, nós terminamos uma ponte de concreto, substituindo uma ponte de madeira que a chuva destruiu. Já em Braçanã de Cima, nós estamos concluindo uma ponte de concreto, onde havia um tubulão de aço que a água da chuva levou – discorreu Eleilton.

Além disso, outras pontes, “também com o objetivo de preparar o município para as chuvas de verão, foram recuperadas”. O secretário citou as pontes das localidades de Nova Cidade, Jacuba, Basílio (a água da chuva levou a cabeceira), Cidade Nova (próximo a Rio Ita) e Mangueirinha (acesso ao Colégio Municipal Dr. Astério Alves de Mendonça).

E continuam os incidentes desagradáveis com Guardas Municipais em Rio Bonito

Flávio Azevedo - Reflexões

Como resposta ao texto feito, ontem (22/09), no meu Facebook, pela minha amiga e professora, Nazareth Mello, eu decidi escrever algumas reflexões sobre o tema:

"Oi, Flávio!!! Acabou de acontecer uma situação comigo que preciso te contar. Precisei entrar na rua dos bancos (interditada) para fazer uma compra na loja Realce. Assim, parei o carro perto do guarda de trânsito, que se encontrava em frente ao antigo Unibanco e expus minha situação (nem seria necessário, pois meu carro tem um adesivo de deficiente no vidro da frente e, também, no traseiro).

Solicitei que ele retirasse o cone no que ele prontamente atendeu.
Estacionei em frente à loja e a menina logo veio me atender. Estava eu escolhendo um brinco, quando ouço um apito insistente e alguém falando muito alto. Ao levantar a cabeça vi uma criatura fazendo sinal para mim e gritando que ali não podia estacionar, que tinha que sair imediatamente e foi se aproximando na maior falta de respeito.

Eu e Carminha, a dona da loja, tentamos explicar e o sujeito disse que eu havia entrado na rua sem permissão do guarda. Aí, fiquei muito irritada porque não tenho idade e muito menos história pra ser chamada de mentirosa. Não conheço a pessoa, mas segundo disseram ele é o chefe da guarda. É triste você ver pessoas tão despreparadas exercendo cargos como esses.

Quero deixar aqui registrada a minha revolta por morar numa cidade em que nasci, me criei e fui professora por mais de trinta anos e onde tenho de repetir todos os dias aos guardas: EU SOU DEFICIENTE."


Dias atrás eu escrevi que Rio Bonito precisa de um gestor com perfil de síndico. Ou seja, aquele cara que se preocupa com irregulares menores, fatos que parecem ser simples e corriqueiros, mas que na sua essência servem de base para irregularidades maiores e episódios desagradáveis. Algumas pessoas não gostaram... Outras concordaram... Mas eis que surge uma nova história, onde a figura do tal síndico poderia atuar.

Conversei com o comandante da Guarda Municipal sobre o ocorrido. Percebi que ele ficou constrangido. Porém, fica muito nítido que como todo “bom policial”, ele atirou primeiro e perguntou depois. Nesse caso que aconteceu com você Nazareth, ele apitou primeiro e perguntou depois. Mas estamos falando de um policial militar, que foi treinado para isso!

Diz um ditado que o “uso do cachimbo faz a boca torta”! E penso que o comandante da Guarda Municipal, Márcio Soares, um PM com cerca de 25 anos de “farda”, não agiu diferente do que agiria no seu antigo Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), ali no 2º Distrito (Boa Esperança). Aliás, penso também, que ele, certamente, nunca fez um curso de comandante de Guarda Municipal, corporação que não é igual as Polícias, Militar e Civil, embora alguns pensem que é.

O antigo comandante da Guarda Municipal de Rio Bonito, o popular Machado, era da Marinha (veja só), e acredito que ele também nunca tenha passado por uma preparação para lidar com os munícipes. Aliás, caso o atual comandante seja substituído, o seu sucessor, tenho certeza, também não terá o preparo que nós percebemos ser necessário para ocupar esse cargo. Logo, a troca seria o famoso “seis por meia dúzia”.

Entretanto, não são poucos os militares e policiais de toda ordem que almejam o comando de uma Guarda Municipal. Por outro lado, não são poucos os prefeitos que escolhem para esse cargo, pessoas que não estão preparadas ou foram treinadas para a função. E esse fenômeno se repete em outros setores das Prefeituras Brasil a fora.

A Guarda Municipal precisa de uma estrutura hierárquica, com funções específicas, como acontece com a polícia. A truculência, infelizmente, em alguns momentos se faz necessária. Mas a maior parte do tempo, uma Guarda Municipal precisa atuar na prevenção. E, em Rio Bonito, isso significa "tirar leite de pedra", porque aqui, uma maioria esmagadora de motoristas e motociclistas são seres carentes de educação, respeito e bom senso.

Mas esse caso desagradável pode servir de ponto de partida para debates importantes entre autoridades e sociedade. Por exemplo: por que Rio Bonito não tem uma Secretaria Municipal de Segurança Pública ou de Ordem Pública? Seria porque a cidade é um exemplo de organização? Seria Rio Bonito uma Noruega, onde os crimes não acontecem? Ou o verdadeiro motivo é o fato de nós não querermos ser “importunados” por “ridículos” guardas e/ou fiscais, quando estivermos cometendo pequenas e “inofensivas” irregularidades? Talvez, porque se tornaria mais difícil para os “políticos de porta de delegacia”, conseguir abafar prisões e histórias que deveriam ser apuradas e corrigidas. É... Pode ser...

Penso que a falta de ordenamento do trânsito, de ordenamento urbano, as ocupações de solo desordenadas e ilegais, em fim... A falta de respeito com o semelhante! Tudo isso são deformidades sociais que só poderão ser corrigidas com Educação e conscientização. Mas existe alguma campanha educativa e/ou de conscientização em nosso município? Acredito que essas são iniciativas que devem nascer da Prefeitura, mas também das entidades representativas de classe e de todos nós.

Todavia, enquanto isso não acontecer, o cidadão continuará sendo destratado, os representantes do poder público continuarão sendo olhados com desconfiança e desrespeito e a civilidade continuará distante da nossa cidade!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Rejeitado aumento do número de vereadores em Rio Bonito

Flávio Azevedo

Com votos contrários dos vereadores Humberto Belgues (PSDB), Saulo Borges (PTB), Márcio da Cunha Mendonça, o Marcinho Bocão (DEM) e Rita de Cássia (PP), o Projeto de Emenda a Lei Orgânica do município, proposto pela Mesa Diretora da Câmara Municipal, que previa o aumento do número de vereadores para o parlamento municipal de Rio Bonito, foi rejeitado na sessão da última terça-feira (20 de setembro). A proposta era que o número atual – 10 vereadores – fosse ampliado para 11. Caso fosse aprovado, o número de edis seria ampliado em 2013.

Antes da votação do projeto, duas emendas foram propostas. Na primeira, a vereadora Rita de Cássia sugeria que o número de parlamentares deveria ser ampliado para 15. Foi rejeitada. Na segunda emenda, assinada pelos vereadores Carlos Cordeiro Neto, o Caneco (PR), Carlos André Barreto de Pina, o Maninho (PPS), Aliézio Mendonça (PP) e Abner Alvernaz Júnior, o Neném de Boa Esperança (PTN), a proposta era que o número de assentos na Casa fosse aumentando para 13. Essa emenda foi aprovada.

Em fim, sob muita discussão, desentendimentos e uma velada pressão sobre o presidente Marcus Botelho (PP), o Projeto de Emenda a Lei Orgânica do município foi à votação, mas foi rejeitado. Os parlamentares favoráveis ao aumento de vereadores justificaram as suas posições, alegando que “além da proposta ser constitucional, um número maior de parlamentares significa maior representatividade da sociedade no Legislativo”. O vereador Caneco, por exemplo, lamentou a ausência dos presidentes de partido, dos pré-candidatos e até da população na Câmara Municipal para acompanhar a discussão.

Embora a ampliação do número de edis, não fosse trazer despesas para o município (o repasse mensal da Prefeitura para a Câmara continuaria o atual – 7% do orçamento), a opinião pública se posicionou contra a mensagem desde quando ela começou a ser comentada no início do ano. No último dia 15 de setembro, quando o assunto foi apresentado, a proposta ganhou as ruas da cidade e as redes sociais. A ideia de que a mudança que Câmara necessita é “qualitativa”, e não “quantitativa” foi unanimidade.

Pressão

Nesse processo, destaque para o vereador Marcinho Bocão, que votou contra a sua bancada. Durante toda sessão foi visível a pressão que ele sofreu dos colegas que eram favoráveis a ampliação do número de vereadores, mas além de se manter firme, Bocão não teve medo de se posicionar contra a mensagem da Mesa Diretora, onde ele é o 2º Secretário.
– Se municípios de um milhão de habitantes têm 20 vereadores, porque Rio Bonito, que tem uma população estimada em cerca de 50 mil moradores precisa ter mais que 10 parlamentares? Sou favorável a continuar o número atual (10) e não vou mudar a minha posição – disse Marcinho.

A foto 2 mostra o vereador Marcinho Bocão (à direita) olhando na direção do parlamentar que durante toda sessão fez pressão através de sinais, meneios da cabeça, caras e bocas para que ele mudasse de opinião e fosse favorável ao aumento de vereadores.

Cenário político

Com a manutenção do número de vereadores em 10 assentos, começa-se a se definir o desenho político das eleições municipais de 2012, sobretudo para o Legislativo, onde alguns pré-candidatos devem retirar os seus nomes da disputa. De acordo com os analistas políticos, cada legenda deve ter que receber cerca de quatro mil votos (cociente eleitoral) para fazer um vereador e dificilmente alguém conseguirá chegar à Câmara Municipal sem alianças partidárias.

Sobre a reeleição dos atuais vereadores (nem todos serão candidatos), os analistas políticos estão divididos. Se alguns acreditam que esse é o momento de renovar o parlamento – bastante desgastado com a opinião pública nos últimos anos – outros afirmam que a maior parte dos vereadores pode se beneficiar do atual mandato para se manter na Câmara Municipal, que deve receber três ou quatro novos membros, o que representaria uma renovação de 30% ou 40%.

Essa renovação é possível, porque os vereadores Saulo Borges, Aliézio Mendonça e Marcus Botelho, já anunciaram que não serão candidatos nas próximas eleições. Botelho, inclusive, fez essa declaração em plenário. Com a saída desses três parlamentares, obrigatoriamente três novos nomes chegariam a casa. A vereadora Rita de Cássia, que ensaia uma candidatura ao Executivo, caso confirme essa pretensão, deixa mais uma vaga no Legislativo.

Apesar disso, os parlamentares que tentarão a reeleição (Humberto, Caneco, Maninho, Bocão, Neném e Fernando) não devem ter vida fácil e em muitos casos a renovação dos mandatos será definida através do poder econômico e da condenada e incorrigível compra de votos, hábito que se tornou corriqueiro em Rio Bonito, mas conta com a conivência da maior parte da população que se vende (o tradicional R$ 50,00) e se troca (tijolos, cimento, telha, areia, gasolina, cesta básica) sem nenhum constrangimento a cada eleição.

Reflexão

A cobrança do vereador Caneco (foto ao lado), que cobrou a presença das lideranças partidárias e da população, na Câmara, confirma uma reflexão que nós abordamos há algum tempo. Em cidades menores e interioranas, entre elas Rio Bonito, nem os políticos conhecem o sentido de partido. Por aqui, o eleitor não vota na sigla partidária, mas no candidato, um comportamento, que precisa ser revisto.

Ficou muito nítido que nesse assunto que envolveu o aumento do número de parlamentares na Câmara Municipal de Rio Bonito, quem era favorável não teve habilidade política para convencer os colegas. Já os partidos, preocupados apenas com as suas nominatas, esqueceram desse debate e perderam a oportunidade de disputar uma eleição mais tranquila e, talvez, com maior número de representantes.

Falta comunicação

Quanto a ausência da sociedade no plenário Zely Miranda, para acompanhar esse processo, caberia aos vereadores divulgar. Entretanto, o temor da opinião pública e o conhecimento de que a imagem da casa está “arranhada” diante da população pode ter impedido essa divulgação. Por último, alguns vereadores precisam deixar de ser “mesquinhos” e aprender que publicidade tem custos e não é barato.

É bom lembrar também, que a Câmara de Rio Bonito tem um órgão oficial, um jornal, onde são publicados os Atos da Presidência da Casa. Sendo assim, não procede a essa choradeira de que a Câmara não tem espaço nas mídias locais para divulgar as suas ações e os seus debates.

Entre os anos de 2009 e 2010, a Câmara teve, nesse órgão oficial, um veículo importante, mas que perdeu força por conta de alguns “guelas larga” (parafraseando o prefeito Mandiocão), que pressionaram o então presidente Fernando Soares a suspender os recursos que eram direcionados a equipe de trabalho desse jornal, para direcioná-lo para outros fins.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Polícia Militar de Rio Bonito e Silva Jardim têm novo comando

Flávio Azevedo

Desde o último dia nove de setembro, o capitão Luiz Arthur de Lima Castro (foto 1), o “Capitão Castro”, comanda as Companhias de Polícia Militar de Rio Bonito (3ª) e Silva Jardim (5ª). Homem de confiança do Coronel Danilo Nascimento, novo comandante do 35º Batalhão de Polícia Militar (BPM), localizado em Itaboraí, o capitão disse, em entrevista a nossa reportagem, que a PM trabalha baseada nos índices de criminalidade, mas ressalta que esses índices em Rio Bonito estão controlados.

Ainda segundo o Cap. Castro, uma das coisas que chamam a atenção em Rio Bonito, “cidade que parece ser tranqüila de se trabalhar”, é a resistência ao uso do capacete por parte dos motociclistas.
– A população pode ter certeza que nós vamos reprimir o uso de armas, drogas e também o não uso do capacete pelos motociclistas. Várias operações serão deflagradas com esse objetivo – informou o capitão, frisando que o número de policiais, aumentado por iniciativa do antigo comando, não será reduzido, podendo, inclusive, em dias de operação, ser aumentado.

Para fazer um trabalho mais efetivo, o Cap. Castro disse que não é impossível chegar aos bandidos e traficantes sem a ajuda da população. “Nós precisamos receber denúncias e informações para chegarmos às irregularidades. Sendo assim, é fundamental essa participação popular”.

Sobre a ociosidade juvenil nas praças e logradouros públicos de Rio Bonito, o capitão Castro, que é pai de três filhos, fez um apelo às famílias. “Peço aos pais, aos irmãos mais velhos, aos familiares em geral que observem os seus filhos, estejam atentos e contem com a polícia sempre. Da nossa parte, Batalhão e Companhia, empenho não faltará”, garantiu.

Despedida

Ao se despedir da 3ª CIA, onde ficou no comando por cerca de três meses, o tenente Arthur Grusman, classificou como positiva a sua passagem por Rio Bonito, aonde chegou com a missão de extinguir o tráfico de drogas da Rua Paulino Siqueira, na Praça Cruzeiro.
– Estou levando boas impressões de Rio Bonito e os fatores positivos da minha passagem por aqui, sem dúvida, são as prisões que realizamos no bairro Praça Cruzeiro. As operações tiveram boa repercussão e a tranquilidade foi devolvida à comunidade que estava alarmada – analisou.

Novo coronel

A apresentação do Coronel Danilo Nascimento (foto 2), que substituiu o Coronel Cézar Tanner, no comando da 35º BPM, aconteceu no último dia 5 de setembro, na reunião do Conselho Comunitário de Segurança (CCS), onde o novo comandante falou sobre o seu antigo batalhão (Santa Cruz) e os seus principais desafios diante do 35º BPM, que é composto pelos municípios de Itaboraí, Tanguá, Cachoeira de Macacu, Rio Bonito e Silva Jardim.

sábado, 17 de setembro de 2011

Alunos portadores de necessidades especiais representam Rio Bonito na Olimped 2011

Flávio Azevedo

Uma equipe de Rio Bonito está participando, em Volta Redonda, da XIV Olimpede (Olimpíadas da Pessoa com Deficiência). Alunos do Centro de Educação Especial José Reis, da Escola Municipalizada Professor Honesto Almeida de Carvalho e outros alunos da rede municipal de ensino estão representando a cidade.

A abertura do evento foi na última sexta-feira (16/09), às 15h, no Ginásio da Ilha São João, com show do cantor Bochecha. Cerca de 3 mil competidores de 131 entidades estão participando dos jogos. A delegação riobonitense está composta por cerca de 50 integrantes entre competidores e acompanhantes.

Segundo informações da professora Garrolici Alvarenga, no Futsal, a equipe do José Reis composta por portadores de deficiência auditiva conquistou a medalha de prata. Já as cadeirantes Juliana e Elaine conquistaram o primeiro e segundo lugar na corrida de cadeira de rodas. No atletismo, caminhada de 25m, Michele conquistou a medalha de bronze.

A Olimpede é realizada em Volta Redonda desde 1987, sendo o maior evento do gênero no Brasil. Este ano a cidade está recebendo representantes do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo.

Os atletas portadores de necessidades especiais disputarão 12 modalidades: atletismo, futsal, futebol society, natação, voleibol especial, provas de habilidade, cabo de guerra, tênis de mesa, xadrez, dominó, dama e arremesso à cesta.

A competição

Realizada pela Prefeitura Municipal de Volta Redonda, por meio da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Smel), a Olimpede conta com a chancela do Comitê Paraolímpico Brasileiro e do Ministério dos Esportes.

Este ano a Associação Brasileira de Rugby fará uma apresentação de uma partida da equipe nacional de Rugby de Cadeirantes, no dia 18, às 15 horas. A modalidade será anunciada como olímpica em Londres, pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) em 2012. A modalidade integrará o Mundial a partir de 2016, no Brasil.

Apoio de ex-profissionais

Romário chutou o ar várias vezes, Ricardo Rocha levou uma bolada no peito e Deley deixou a bola passar entre as pernas. Os craques da bola protagonizaram ontem (16/09) cenas cômicas na partida de futsal contra o time de cegos da cidade de Volta Redonda. Com o placar de 3 x 2 para o time de cegos, Romário, Ricardo Rocha, Deley e Humberto (ex-jogador do Voltaço) disputaram uma partida de futsal de olhos vendados. O jogo abriu a Olimpede 2011, a maior olimpíada de deficientes do Brasil, evento que acontece anualmente em Volta Redonda.

Incêndio destrói parte do setor de Merenda da Prefeitura de Rio Bonito

Flávio Azevedo

A população de Rio Bonito foi surpreendida na manhã de hoje (17/09) com a notícia do incêndio que atingiu o setor de Merenda da Prefeitura da cidade. As chamas destruíram parte do setor, uma Kombi, também do município (KOV – 5721) e outros objetos. Um lote de abóboras também foi atingido pelas chamas.

De acordo com o vigia do Centro Administrativo da Prefeitura, onde está inserido o setor de Merenda, por voltas das 9h50min ele sentiu cheiro de queimado e começou a procurar a origem do odor.
– Do alto de uma escada eu consegui ver as chamas no setor de Merenda. O fogo já estava alto. Tentei ligar para o Corpo de Bombeiros, mas não obtive sucesso. Corri na sede da Guarda Municipal e pedi socorro. Voltei correndo para tentar acabar com o fogo, mas as chamas estavam muito altas”, contou o vigia.

A plantonista da Guarda Municipal fez contato com um dos guardas que estava próximo ao Destacamento do Corpo de Bombeiros, pedindo que ele fosse até a sede da corporação em busca de socorro. Duas viaturas foram usadas para apagar as chamas. Segundo testemunhas, o fogo levou cerca de 1h para ser controlado.

A coordenadora do setor de Merenda, Regina Demier lamentou o ocorrido e destacou que “Deus ainda foi muito bom, porque o fogo poderia ter incendiado todo o galpão do Centro Administrativo. Até aqui no setor, graças a Deus, os Bombeiros chegaram a tempo de controlar as chamas antes que elas se alastrassem. O incêndio ficou apenas ali naquele pedaço”.

Por volta das 15h, peritos da Polícia Civil fizeram a vistoria do local. Eles informaram que o laudo técnico da perícia deve estar pronto em cerca de 30 dias, mas informalmente comentaram que não encontraram evidências de que o fogo tenha sido “provocado”.

Uma observação mais acurada do setor, mesmo por quem não é especialista, sugere que um suposto curto circuito pode ter sido o início das chamas, que nasceram de uma suposta sobrecarga da rede elétrica. No local, mais de 10 frízeres ficam ligados. Não se sabe se a rede elétrica do local foi projetada para atender essa demanda energia. O Centro Administrativo foi inaugurado em 2008.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Liminar da Justiça devolve área do Parque Aquático ao município de Rio Bonito

Flávio Azevedo

Uma decisão liminar da juíza Roberta dos Santos Braga Costa, da 2ª Vara da Justiça de Rio Bonito, ontem (15/09), determinou a reintegração de posse, em favor da Prefeitura de Rio Bonito, o espaço de 100 mil m² que estava cedido à empresa Sol e Lazer, desde 2004. No contrato de concessão do espaço, popularmente chamado de “Parque Aquático”, uma cláusula determina que o empreendimento entre em funcionamento em dois anos (2006), o que no entendimento da Justiça não aconteceu.

Diante do não cumprimento dessa cláusula, a partir de 2007, iniciou-se uma batalha judicial que está longe de chegar ao fim, porque os representantes do parque ainda podem recorrer. Na última quinta-feira, por volta das 14h15min, os oficiais de Justiça, Marcelo Benevides e Ilderlandes Melo, informaram, às pessoas que estavam no parque, a decisão “liminar” da Justiça. Os oficiais fizeram um inventário dos bens encontrados no local e o procurador geral do município, o advogado Leandro Weber, deu 10 dias de prazo para a retirada desses materiais.
– Essa é uma área de 100 mil m² concedida à empresa Sol e Lazer, em pleno Condomínio Industrial de Rio Bonito, que há muito tempo cessou as suas atividades. Ela pediu prorrogação dos prazos, eles foram dados, mas a empresa não entrou em funcionamento. O nosso objetivo é recuperar esse espaço é oferecê-lo às indústrias que estão sendo atraídas para o município por conta do crescimento econômico da região – disse o procurador, destacando que “as pessoas que encontramos aqui não são ligadas a empresa Sol e Lazer, o que demonstra o abandono do local”.

O entendimento do procurador, de que as pessoas que foram encontradas no parque, não representam a empresa Sol e Lazer, também é dos oficiais de Justiça. “Quando aqui chegamos não encontramos nenhum representante da empresa Sol e Lazer, mas isso não impede a reintegração de posse. Por telefone, nós até conversamos com um representante do parque, que prometeu estar Fórum na próxima segunda-feira (19) para conversar sobre o assunto”, disse Marcelo Benevides.

Polêmica a vista

O administrador do parque, Luiz Sérgio de Moura, disse que a questão ainda não terminou e garantiu que irá recorrer da decisão da Justiça. Ele também disse que se sente traído e ludibriado pela Prefeitura, mas garante que “enquanto houver esperança a luta vai continuar”.
– Nós temos um processo, na Justiça de Rio Bonito, onde estamos provando que o Sr. Luiz Carlos de Carvalho é o dono do espaço. Ele negociou isso com o antigo proprietário, o Sr. Armando, que recebeu uma importância pelo parque. O problema é que a Prefeitura fez outro processo, que eu desconhecia, em nome de Armando, e estão ignorando, inclusive, os 1,5 mil sócios – desabafou.

Por telefone, Luiz Carlos de Carvalho classificou como “lamentável” a decisão liminar da Justiça, disse que “o prefeito por várias vezes nos visitou, prometeu nos ajudar, mas como a cidade enfrentou chuvas, enchentes e atravessou um período econômico difícil, isso não pode acontecer”. Ainda segundo Carvalho, “o acesso ao parque é difícil, mas o prefeito sabe do potencial do empreendimento. Quando o Comperj entrar em operação, eu quero saber onde as pessoas irão conseguir uma área de lazer desse porte”, comentou.

O diretor Social do parque, Mário Rios, também lamentou a decisão liminar e disse que já começa contar os prejuízos que terá com a reintegração de posse. Segundo ele, que está há cerca de 30 dias no parque, algumas reformas estavam sendo iniciadas. “Eu já contratei, para o Dia das Crianças, uma caravana infantil que iria realizar um evento grande aqui no parque. Seriam várias atrações e a campanha publicitária já está na rua. Paguei um valor substancial para explorar a área social do espaço e não sei como vou fazer para reverter esse prejuízo”, lamentou.

Dois guardas municipais já fazem a segurança do local para evitar a depredação do local e garantir a reintegração de posse.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

É proibido descer até o chão?

Flávio Azevedo

Hoje (15/09/2011), na mercearia perto de casa, ouvi uma conversa intrigante entre duas pré-adolescentes. Uma delas reclamava que no concurso de dança da escola, a professora não permitia que elas rebolassem até o chão. “Ela só deixa descer até o meio!”. Perguntei qual o ritmo da música, ela respondeu: “Funk”. Segundo a dançarina, “Funk sem descer até o chão não tem graça!”. E, eu concordo com ela.

Entretanto, eu também entendi o que estava se passando na escola. A professora, logicamente, sabe que o Funk é uma dança mais sexual do que sensual. O propósito, certamente é não expor as alunas no ambiente escolar. Penso, porém, que a postura “em cima do muro” é a pior de todas! Se existe a preocupação com esta exposição, porque não usar outro ritmo no tal exercício escolar? Existem tantos por aí!

Fica muito nítida a fraqueza daqueles que, quer na escola ou na igreja, ocupam cargos de comando sobre adolescentes e jovens! São pessoas que não são firmes naquilo que acreditam! Se a professora acha que “descer até o chão é vulgar”, não tem que dizer para descer até o meio! Ela tem que ensinar os valores que estão sendo perdidos quando se desce até o chão e o que isso representa!

Mas o que acontece? Acontece que nesse momento entra em cena o “medo de se indispor com alguém”, a preocupação com “o que certo fulano irá dizer”. Esses temores, que se tornaram corriqueiros nos tempos pós-modernos, dão asas a um dos piores problemas da sociedade atual: o RELATIVISMO, que é a palavra técnica para definir as pessoas popularmente classificadas como “vaselina”.

Tudo é relativo! Mentir é certo? “Depende... É relativo”. Roubar é correto? “Depende... É relativo”. Dirigir bêbado, estacionar em fila dupla e xingar o policial ou o guarda municipal é direito? “Pode ser... É relativo”! Desrespeitar a mulher ou a filha do próximo é certo? “É... Bem... É tudo muito relativo”!

O mundo vive em cima de um grande muro, e nós percebemos que até as instituições mais respeitadas e que deveriam pregar o que é reto estão enveredando pelo sinuoso caminho do relativismo. Será que ninguém acha isso estranho? Até quando vamos continuar caminhando de mãos dadas com a hipocrisia? É... Nisso ninguém quer pensar!

Rio Bonito/Marajó estreia no Estadual de Futsal no próximo sábado

Flávio Azevedo

Depois de conquistar o Campeonato Carioca de Futsal Feminino adulto, no último mês de julho, o Rio Bonito/Marajó volta à quadra no próximo sábado (17) para disputar o Campeonato Estadual da categoria. A estreia acontece no Grajaú Country Clube, no Rio de Janeiro, ás 20h, contra o Fluminense. De acordo com o treinador da equipe, Júlio César Costa Freitas, o Cabeça, o time é o mesmo que se sagrou campeão do Carioca. “Para essa competição, nós estaremos mais preparados, porque nós ganhamos experiência e estamos entrando no campeonato como a equipe ser batida”, comentou Cabeça.

Além do Rio Bonito/Marajó, disputam o título da competição o Fluminense do Rio de Janeiro, o Mackenzie, o Bradesco, o Fluminense de Niterói e o Colégio Odete São Paio.

Não sou candidato a nenhum cargo eletivo

Flávio Azevedo - Reflexões

Sobre a ideia de fazer Flávio Azevedo candidato a prefeito, eu vou confessar aos senhores, que esse é um sonho de infância. Quando eu era criança e adolescente tinha eu três sonhos: ser prefeito, governador ou presidente da República (entrar na política), ser jornalista (queria ser o apresentador do Jornal Nacional) e casar com a mulher que, hoje, curiosamente é minha esposa (ainda sou apaixonado por ela!). É... Parece que dos três sonhos, dois deles eu já realizei!

Os amigos que acompanham o meu trabalho sabem que eu não tenho “medo” e também não tenho nenhum problema em “me envolver em confusões”. É só olharem a minha curta e recente carreira de jornalista. Quem tem esse receio deve escolher outra profissão. O que acontece é que eu ainda sou muito idealista e acredito que os problemas da sociedade só serão resolvidos em longuissimo prazo. Sendo assim, penso que a minha atuação como homem de impresa já contribui bastante para que o cenário político tenha rumos e contornos diferentes.

Proporcionar espaços de debate, por exemplo, fazer provocações, motivar reflexões, coisas que penso conseguir fazer através das mídias que eu represento, é uma contribuição que não parece importante, mas é, de longe, uma ferramenta excelente para a democracia e para a formação de novos pensamentos, sobretudo das gerações futuras.

Não fujo da marca que me colocaram – pensando estar me ofendendo – de que eu sou muito político. Aliás, eu faço questão de fazer as minhas mídias falerem bastante de política, mas sempre de maneira provocativa e reflexiva (a ideia é sairmos da inércia). Na verdade, eu quero que seja assim! Entretanto, eu não quero, pelo menos em disputas domésticas, ser partidário de A, B ou C. Eu concordo, discordo, tenho simpatias e antipatias em todos os grupos políticos.

Confesso que já me dou por satisfeito em ser “prefeito, governador e presidente” no meu jornal, no meu programa de rádio e nas minhas redes sociais. Na verdade, nada disso é meu, pelo contrário, é nosso! Digo isso, porque nesses espaços realmente acontece uma “democracia participativa” – e não apenas “representativa”. Nesses espaços, todos nós opinamos, damos ideias, broncas, nós reclamamos, extravasamos a nossa indignação – até eu recebo críticas de vários eleitores, ouvintes e internautas – mas tudo isso sem a “ditadura” da fidelidade partidária.

Todavia, eu tenho sim, sobretudo nos últimos 12 meses, encontrado muitas pessoas me encorajando a ser candidato a prefeito – a tal da quarta ou quinta opção. O problema é que eu não me vejo negociando a exploração do lixo da minha cidade com um empreiteiro sem escrúpulos. Também não me vejo negociando parceria cm esse ou aquele deputado, porque ele vai colocar R$ 1 milhão na minha campanha.

Outro problema: eu não penso em ter fila de pedintes na minha porta – embora entenda e compreenda a necessidade das pessoas, e elas existem e são urgentes. Não me vejo tirando dinheiro da Cultura, da Educação, do Esporte, da Saúde, entre outros setores, para dar mensalão a vereador mercenário. Enfim, eu não acho justo gastar mais do que o necessário numa campanha política, seja ela para presidente da República ou para presidente da associação de moradores da Serra do Sambê, bairro onde eu moro.

Não entro na disputa eleitoral porque percebo serem os descontentes uma minoria muito pequena (a redundância é proposital). Gente que reclama e critica simplesmente porque não está usufruindo da teta governamental. Pessoas que querem votar em quem dará retorno financeiro imediato e/ou em longo prazo. E tenha certeza, 99% da popuação tem esse perfil!

Dias atrás eu comentava com uma amiga, que a minha missão é pedagógica. Concordo que os meus textos são fortes, provocativos, geralmente ofensivos, mas isso tem um propósito: mexer com os brios do nosso povo para ver se eles finalmente, através do voto, acabam de uma vez por todas com esse maldito sistema que nos governa.

Penso que ficou muito bem explicado aos meus amigos, porque não serei candidato a nenhum cargo eletivo na próxima eleição! Aliás, peço, torço, imploro, aos próximos vereadores e prefeito de Rio Bonito, que administrem bem a nossa cidade – pelos menos com mais acertos do que erros – para que eu não precise entrar na vida pública partidária e tenha, ao contrário do que vem acontecendo, muita notícia positiva para divulgar em minhas mídias.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

PT de Rio Bonito tem novo presidente

Flávio Azevedo

O professor de História, Jorge Wallace Bretas (na foto, à direita), é o novo presidente do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores de Rio Bonito. Com 49 votos, ele venceu o funcionário público Flávio Pereira Viana, o popular Flávio Carteiro, que obteve 40 votos. A eleição ocorreu ontem (11/09), na Sociedade Musical e Dramática Riobonitense. O processo eleitoral começou às 8h e terminou às 17h. A fiscalização foi do presidente do PT de Tanguá, Ailton Nunes.

O processo ocorreu num clima de tranquilidade, mas de grande expectativa. Divididos em chapa 1 (Tradição Petista/Flávio) e Chapa 2 (Refazendo o PT/Wallace), os candidatos e os seus grupos de trabalho passaram as últimas semanas procurando os 205 petistas que estão inscritos no diretório de Rio Bonito. Desse número, apenas 94 compareceram. Cinco votos foram anulados.

Juntamente com a escolha do novo presidente do diretório, também ocorreu a escolha da chapa que vai nortear o diretório no próximo período. A chapa Refazendo o PT, do novo presidente, teve 40 votos. Já a chapa Tradição Petista obteve 30 votos. Na disputa pelas chapas, dos 89 sufrágios validados, cinco foram anulados e 19 se abstiveram.

Definido o resultado, o candidato derrotado Flávio Carteiro disse que ficou satisfeito com a sua votação. “Enfrentei máquina da Prefeitura e consegui 40 votos. Eu só trabalhei com o companheiro Adílio José Alves, mas do outro lado tinha a secretária de Saúde (Maria Juraci Dutra), um ex-secretário (Djalma de Paula) e gente próxima do vice-prefeito (Sandro, da Secretaria de Saúde).

Já o candidato vencedor, Wallace Bretas não quis polemizar. Ele disse que terminada as eleições, todos são petistas e a sua responsabilidade, agora, é reestruturar o diretório do PT em Rio Bonito.
– O meu projeto principal é essa reestruturação do PT. Nós já começamos bem, porque para essa eleição já houve participação, organização e mobilização dos companheiros. Vamos aproveitar essa oportunidade para nos organizar e projetar o PT no cenário político municipal – concluiu Bretas, lembrando que os interessados em ser candidato pelo PT nas próximas eleições deveram se inscrever no partido até o próximo dia 30 de setembro.

domingo, 11 de setembro de 2011

Estado do Rio abre 15 mil vagas para a Saúde ainda este mês


A expectativa dos candidatos interessados na área de Saúde ganha força este mês. É que a Fundação Estatal do Rio está para lançar concurso com oferta de 15 mil vagas, até o final de setembro para o setor de saúde do estado. A previsão salarial é de R$6.077,43 (médicos) e de R$2.402,64 (enfermeiros). A seleção deve ocorrer pouco depois da Secretaria Municipal de Saúde do Rio ter publicado edital com 2.580 vagas para o setor.

Diretor da Academia do Concurso, Paulo Estrella orienta os candidatos a aproveitarem conhecimento profissional adquirido e aprofundarem os estudos em Português e Legislação do SUS (Serviço Único de Saúde). “Como os conhecimentos específicos valem 80% da prova de médico e 75% da prova de Auxiliar de Enfermagem, o foco deve estar nesses conjuntos de disciplinas que fazem parte do dia adia do profissional”, afirma.

Segundo Estrella, são frequentes as chances nesta área. “Existe deficiência de pessoal, o que gera a necessidade de novas contratações”, diz.

A Saúde municipal tem 1.700 vagas de médico e 880 de auxiliar de enfermagem. Médico

Legislação é cobrada sempre

Autor do livro ‘SUS — Legislação e Questões Comentadas’, Lenildo Thürler afirma que, primeiramente, os candidatos devem conhecer a organizadora responsável pela elaboração das provas. Basear os estudos nos exames anteriores também é uma boa estratégia.

O especialista destaca as leis na área de saúde que, normalmente, são cobradas em provas. “As leis 8.080/90, 8.142/90, a Constituição Federal de 1988 — capítulo II, Seção II, Artigos 196 a 200 e a Emenda Constitucional 29 são sempre cobradas e constam em todos os concursos para a área de Saúde”, garante Thürler.

Fonte: O Dia

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

População aprova criação e revitalização de praças e áreas de lazer

Flávio Azevedo

A iniciativa da Prefeitura Municipal de Rio Bonito, que através da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, está criando e revitalizando praças e áreas de lazer em vários pontos do município, está agradando a população. Um dos locais mais comentados é a Praça Ângelo Longo (foto 2), no bairro da Caixa D’Água, que foi totalmente revitalizada. A criação de uma área de lazer, próximo ao Rio Bonito Atlético Clube (RBAC), onde a principal atração é um playground, também agradou.

Todos os dias, nas primeiras horas da manhã e no fim da tarde, é possível ver várias crianças brincando no novo espaço. Além do paisagismo, os brinquedos também estão atraindo as mães, babás e empregadas domésticas das proximidades. É o caso da auxiliar de serviços gerais Tânia Oliveira, de 33 anos. Mãe de Pedro Luis (6 anos) e Caroline (4 anos), ela comemora a criação do novo espaço.
– Minhas crianças adoram as praças da Bela Vista e do Green Valley, mas é distante para caminhar com elas até lá. Geralmente eu as levo nos fins de semana, quando o meu marido está em casa e o carro também. Agora, aqui pertinho de casa, eu venho com eles quase todos os dias. Caroline, por exemplo, o pediatra recomendou que ela tomasse um solzinho todas as manhãs. Com essa pracinha aqui ficou bem mais fácil, já que em nossa casa quase não bate sol – disse Tânia.

A doméstica Maria das Dores da Silva, moradora da Praça Cruzeiro, disse que trazer João Lucas, de 4 anos, para brincar na nova área de lazer já se tornou uma das suas atribuições. “A minha patroa sai para trabalhar e ele fica comigo até a hora da escola. Ele gosta muito de vir aqui, principalmente quando encontra outras crianças para brincar”, disse Maria das Dores, que elogiou a iniciativa da Prefeitura. “Ter esses lugares na cidade é muito importante. Acho que cada bairro deveria ter a sua área de lazer. Tem gente que reclama, diz que a Prefeitura tem outras coisas para fazer, mas eu gostei bastante”, comentou.

Também pensa assim o comerciante Ananias Gomes, de 57 anos. Morador de Itaboraí, ele disse que freqüenta Rio Bonito regularmente não por causa dos negócios, mas por conta das praças e áreas de lazer da cidade. Avô de quatro netos, Litiane (8), Murilo (6), Sara (3) e Laisa (3), o comerciante destacou que a cidade está de parabéns.
– Por conta do trabalho, os meus filhos não têm muito tempo para as crianças, mas como eu já trabalhei bastante e estou desacelerando, sobrou para mim o papel de babá (risos), o que faço com muito prazer! A Prefeitura de Rio Bonito está de parabéns! Em Itaboraí não tem isso não, amigo. Lá não existe nenhuma iniciativa da Prefeitura direcionada a recreação, como eu vejo aqui em Rio Bonito. Eu, ainda tenho condições de vir aqui. Venho, praticamente, toda semana, mas e quem não pode? – questiona o comerciante.

A Praça do Green Valley é o local preferido pelos netos de Ananias, que estava na área de lazer próximo ao Rio Bonito Atlético Clube pela primeira vez. O comerciante, porém, disse que prefere o Parque da Caixa D’Água. “Eu gosto muito daquele parque. Penso em vir morar em Rio Bonito só por conta daquele espaço, mas das últimas vezes que estive lá não gostei do que vi. Acho que a Prefeitura precisa dar uma atenção especial aquele lugar, que é no Centro da cidade”, ponderou.

Investimento

O secretário de Desenvolvimento Urbano, Isaías Class, comemora o sucesso e a aprovação das áreas de lazer. Ele revelou que o mais importante é que tudo isso está sendo feito com pessoal e recursos próprios da Secretaria e disse que o próximo alvo será a revitalização da Praça B. Lopes, que foi feita pela Prefeitura há alguns anos, já na administração do prefeito José Luiz Antunes, e está precisando de uma ação urgente.
– Eu tenho certeza que os moradores daquela localidade ficarão satisfeitos com o que nós estamos planejando para a Praça B. Lopes. Com as ações paisagísticas que nós estamos pretendendo, o local será totalmente revitalizado – comentou o secretário, revelando que próximo ao RBAC, ocorrerá o manilhamento de uma vala que corta o local, “que é uma antiga reivindicação dos moradores”.

No processo de revitalização, as praças Ângelo Longo e do RBAC receberam ações paisagísticas, bancos de madeira, luminárias, postes de ferro fundido, jardineiras, calçadas, novas lixeiras, passeio, plantas ornamentais, entre outras bem feitorias.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

É feio ser brasileiro

Por Flávio Azevedo - Reflexões

Lembro bem do meu primeiro “Sete de Setembro” como estudante! Estava na primeira série, à época, aluno da Escola Estadual Barão do Rio Branco, turma da tia Nazareth. O ano era 1982. Naquele tempo havia desfile cívico e eu participei do que chamavam de “Parada”. Vinte e nove anos depois, pelo menos em Rio Bonito, as comemorações pelo “Dia da Independência” foram reduzidas a eventos sem expressão. O que terá acontecido?

Eu não sei você, mas, às vezes, eu tenho a impressão que acham feio ser nacionalista ou patriota. Entretanto, só percebo isso quando esse sentimento é direcionado ao Brasil! Quando, porém, os estadunidenses penduram a bandeira da sua nação nos umbrais das portas de suas casas, nós achamos uma atitude maravilhosa!

Recentemente eu estive no cinema assistindo o filme “Capitão América”. Aliás, quando eu era criança, eu sempre me perguntei por que as roupas de alguns dos meus heróis preferidos – Capitão América e Super Homem – eram azul e vermelho? Hoje, porém, eu pergunto: e se existisse um super-herói chamado “Capitão Brasil”? Conseguiria a minha simpatia? Os cinemas estariam lotados para ver o filme do “Capitão Brasil”, como ficaram para ver o Capitão América?

O herói brasileiro depois dos midiáticos Ronaldinho Fenômeno (futebol) e Anderson Silva (MMA) é o “Capitão Nascimento”, personagem dos filmes “Tropa de Elite”. O cinismo e a perversidade da crítica brasileira ficam expostos quando o longa, e o próprio Nascimento, são classificados como fascistas e violentos. Mas o Rambo não é violento? Os personagens do Arnold Schwarzenegger não são violentos? Os hilários e inocentes Bud Spencer e Terence Hill, nos filmes Trinity, não são violentos? E o Jack Bauer? Aí ninguém diz nada?

Anos depois eu fui entender o famoso sentido do “AMERICAN WAY OF LIFE” e a perversidade que existia por trás dessas questões. Também estudei um fenômeno chamado por alguns de “COCACOLIZAÇÃO” da Cultura Brasileira ou Cultura Brasileira “HAMBURGUESADA”. Também aprendi sobre o fenômeno “CHICLETE COM BANANA” (e não estamos falando da banda baiana), que a mídia chama de “Tropicália”.

Concordo que os nossos verdadeiros heróis são aqueles personagens (reais) que acordam às 4h da manhã, pegam no batente às 7h, largam às 17h ou 18h, chegam a suas casas por volta das 21h ou 22h a fim de descansar, beijar a família e dormir, para no dia seguinte, na mesma hora sair novamente numa rotina infernal e absurda. E, detalhe: muitos ainda arranjam espaço para ir à igreja, tomar uma “gelada”, queimar uma carne ou bater uma peladinha com os amigos!

Por que então ter vergonha ser brasileiro? Por conta da corrupção? E nos Estados Unidos da América, não tem corrupção? Se eles têm um negro na presidência, nós tivemos um pobre metalúrgico, e, agora, nós temos uma mulher no cargo mais importante da nação brasileira. Penso que é chegada a hora de mostrarmos que amamos a nossa pátria! É preciso confrontar os problemas que nos envergonham, para que os nossos filhos e netos tenham orgulho de se declararem brasileiros!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Complexo do Alemão: violentar o negro e o pobre é fácil!

Por Flávio Azevedo - Reflexões

Quem não se lembra dos bandidos que fugiam como ratos do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro? O marqueteiro, digo, governador Sérgio Cabral (PMDB) deitou e rolou nessas imagens para se vender para o mundo como um bom garoto! Ele aproveitou a ocasião para expandir a ideia de que o crime estava sendo combatido e que o submundo estava sob controle! Ledo engano! Hoje (06/09/2011), tiros foram ouvidos no até então “pacificado” complexo de favelas!

Mas o que aconteceu?

Penso que é muito fácil perseguir favelados pobres com blindados e forças militares! Usar truculência contra pessoas humildes (estejam elas a serviço do bem ou do mal), também não é difícil! Mais fácil ainda é criminalizar as pessoas que moram nessas localidades e excluí-las da vida real e do convívio da “Cidade Maravilhosa”. Colocar paredes acrílicas em trechos da Linha Vermelha, para esconder a favela e dar aos visitantes a ideia de profilaxia social, também foi um golpe de mestre!

Alguém deveria lembrar ao chefe do Executivo Fluminense que ele se mostraria muito mais preocupado com o estado do Rio de Janeiro se empregasse a tradicional truculência militar e os veículos blindados para invadir o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCERJ) e a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), onde sabidamente estão muitos dos verdadeiros responsáveis pela criminalidade fluminense!

As localidades foram ocupadas pelas Unidades de Polícia Pacificadoras (UPP), mas o próximo passo, que seria a ocupação com escolas, empregos, qualificação, saúde, bem-estar e, sobretudo dignidade, não aconteceu! E os bandidos e traficantes? O que aconteceu com eles? Viraram padres e pastores? Trocaram o AR-15 pela colher de pedreiro? Pararam de vender drogas e estão vendendo picolé na praia?

Como disse o fictício tenente coronel, Nascimento no filme “Tropa de Elite II”, “o sistema entrega a mão para salvar o braço... O sistema se reorganiza, articula novos interesses... Cria novas lideranças. Enquanto as condições de existência do sistema estiverem aí, ele vai resistir! Agora me responde uma coisa: quem você acha que sustenta tudo isso? É... E custa caro... Muito caro! O sistema é muito maior do que eu pensava! Não é a toa que os traficantes, os policiais, os milicianos matam tanta gente nas favelas! Não é a toa que existem as favelas! Não é a toa que acontece tanto escândalo em Brasília, que entra governo e sai governo e a corrupção continua... Para mudar as coisas... Vai demorar muito tempo. O sistema é foda! Ainda vai morrer muito inocente!”.

Expansão urbana desordenada, uma herança maldita!

Por Flávio Azevedo - Reflexões

Diante dos muitos debates sobre infraestrutura urbana, que tal nos aprofundarmos nesse tema? Afinal, um pouco de lenha na fogueira nunca é demais! Penso que políticos e cidadãos se confundem em suas eternas caras de pau! Muito se reclama da falta de estrutura dos nossos bairros e da ausência do poder público nas localidades, mas esse assunto LOTEAMENTOS, entre eles Jacuba, Cajueiro, Viçosa (que também é chamado de Loteamento Ayres Abdalla – por que será?), Bosque Clube, setores do Boqueirão (principalmente aquele que veio abaixo em 2008), surgiram de forma ilegal e sem nenhuma preocupação com o mínimo de infraestrutura. Um festival de irresponsabilidades!

Quem fingiu que não viu o nascimento dessas localidades? Logo de cara nós podemos culpar os irresponsáveis que sentaram na cadeira do poder Executivo e Legislativo, há cerca de 30 ou 40 anos. Figuras que ignoraram que o Bosque Clube viria abaixo no futuro (e veio!)! Ignoraram que o Boqueirão iria desmoronar (e desmoronou)! Essas pessoas simplesmente, em troca da "praga do voto" e para se perpetuarem no poder, fingiram que não estavam vendo o crescimento desordenado da cidade!

Por outro lado, o cidadão que adquiriu os tais terrenos, não se preocupou em procurar saber onde estava se metendo. Não buscou informações quanto ao local, se era adequado, se os tais espaços estavam regularizados, se tinha água encanada, energia elétrica, a expectativa de construção de uma escola, posto de Saúde, qual era a linha de ônibus mais próxima; e mais recentemente, os pedidos por serviços de telefonia, TV a Cabo e Internet. Mas ninguém quis saber de nada quando construiu a casa lá! O negócio do sujeito – e até com certa razão – era sair do aluguel! Mas a que preço?

A ironia é que na hora de construir de forma irregular, ele constrói a sua casinha com tijolos, areia, telhas e cimento doados pelos políticos cara de pau, que quando questionados dizem não saber "que lá no meio daquele mato está surgindo um bairro"! Bandidos!

Olha o drama: só depois que entra em casa, o cidadão vai perceber a burrada que fez e passa a reclamar a atenção da Prefeitura, que logicamente tem outras demandas! Por exemplo: o cidadão reclama da vala negra, que é alimentada pelo esgoto da própria casa dele, porque não houve fiscalização da Prefeitura durante as obras para saber o que seria feito com os dejetos da nova residência. Mas por que não viram isso antes?

Com isso, geralmente os pequenos e limpos riachos que existem em pontos mais afastados da cidade, passam a ser contaminados com os esgotos, inviabilizando, inclusive, a água de poço! Olha que beleza!

Já o cínico político, diz que não viu o loteamento nascer. Mas não foi ele quem deu o material de construção para o cidadão construir? Não foi ele quem pediu, ao dono do loteamento, três lotes de esquina para fingir não estava vendo o nascimento do loteamento?

Já há algum tempo eu defendo a ideia de que o prefeito da nossa cidade precisa ter um perfil de SÍNDICO. As pessoas, porém, estão divididas. Equivocadamente, metade insiste nessa ladainha de que o prefeito tem que ser “BOM ADMINISTRADOR”, e a outra metade, mais equivocada ainda, insiste nessa loucura de que o prefeito tem que ser “ASSISTENCIALISTA”, ou seja, sustentar um monte de gente com os cofres públicos.

Penso que Rio Bonito precisa de um SÍNDICO, aquele cara chato, que perturba todo mundo, mas organiza o prédio! O problema é que eu esqueço que em cidades interioranas – Rio Bonito é um exemplo clássico – o político que pensa assim não chega a lugar nenhum! Nessas cidades, as pessoas não querem GESTÃO, querem o político “macaco gordo”, ou seja, aquele que vive quebrando o galho!

Penso que isso pode mudar, aliás, precisa mudar... Mas seguindo a lógica do provérbio chinês, “toda caminhada começa com um primeiro passo”, eu não tenho pressa e estou contribuindo com as primeiras passadas, através das mídias que eu represento. Se as cabeças não acompanharem o crescimento do mundo, o Comperj vai nos atropelar!

Legendas das fotos:

Foto 1 – Um calçamento perdido no meio do mato, entre as localidades de Mangueira e Rio Vermelho. Segundo informações, no local seria feito um loteamento, mas está parado.

Foto 2 – Jacuba, uma localidade florescente que carece de investimentos do poder público.

Foto 3 – O Cajueiro, outra localidade que foi crescendo sem ninguém perceber e carece de investimentos do poder público.